Pessoas com vidas interessantes não têm fricote.
Elas trocam de cidade.
Investem em projetos sem garantia.
Interessam-se por gente que é o oposto delas.
Pedem demissão sem ter outro emprego em vista.
Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram.
Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto.
Começam do zero inúmeras vezes.
Não se assustam com a passagem do tempo.
Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor, compram passagens só de ida.
Para os rotuladores de plantão, um bando de inconsequentes.
Ou artistas, o que dá no mesmo.
Ter uma vida interessante não é prerrogativa de uma classe.
É acessível a médicos, donas de casa, operadores de telemarketing, professoras, fiscais da Receita, ascensoristas…
Gente que assimilou bem as regras do jogo (trabalhar, casar, ter filhos, morrer e ir pro céu), mas que, a exemplo de Groucho Marx, desconfia dos clubes que lhe aceitam como sócia.
Qual é a relevância do que nos é perguntado numa ficha de inscrição, num cadastro para avaliar quem somos?
Nome, endereço, estado civil, RG, CPF.
Aprovado.
Bem-vindo ao mundo feliz.
Uma vida interessante é menos burocrática, mas exige muito mais.
By Martha Medeiros.
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