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[MISTURANDO-IDEIAS] LANÇAMENTO Livros Loureiro: Abandonada! - Sally Warren

ABANDONADA! -SALLY WARREN


EDITORA BEST SELLER

A MELHOR VINGANÇAÉ VIVERBEM...SEM ELE!

Ele a deixou. Ele a abandonou da maneira mais dolorosa, mais odiosa
possível. Agora você só pode juntar os cacos. Mas como? Como se fosse
uma conversa de coração aberto com sua melhor amiga, às três horas da
madrugada, este essencial guia de sobrevivência oferece as sugestões
práticas e de valor inestimável de que você precisa para lidar com sua dor e
caminhar rumo a uma vida nova, rica, compensadora. Sally Warren sabe
perfeitamente o que você está passando. Quando o marido, após dezenove
anos de casamento, a deixou, ela enfrentou tudo com coragem, algo que
você também pode fazer. Usando o método de cura que ela criou e as
experiências de mais de cem mulheres de todas as idades, você:

* perceberá que está para ser abandonada apenas observando o
comportamento de seu companheiro aprenderá a superar a dor, a solidão e
a vergonha saberá como lidar com seus amigos, seus colegas
de trabalho e sua família
* será capaz de manter-se emocionalmente equilibrada, evitando ações e
palavras destrutivas que podem significar não só a perda de bens materiais
mas também de seu orgulho, além de aumentar o tempo da cura.
* confiará nos homens novamente... e mais um pouco.
"Um manual de guerrilha para qualquer mulher que, involuntariamente,
juntou-se às fileiras das abandonadas." -Greensburg (PA) Tribune-Review


Sally Warren
ABANDONADA!
TRADUÇÃO: Vera Maria Marques Martins


EDITORA BEST SELLER

Prefácio
Quando o homem de sua vida abandona você por outra mulher,
quando ele, que um dia amou-a desesperadamente, agora não
consegue olhá-la nos olhos, o mundo que você conhece desaba. Eu
sei. Passei por isso.
A princípio, pensei que de fato fosse possível morrer de dor.
Depois, aprendi que a recuperação é lenta e que, mesmo quando
pensamos que tudo foi superado, de repente temos uma recaída.
Descobri que ter apoio é fundamental, e que às vezes ele vem de
onde menos esperamos.
Determinei, logo de saída, que nunca fingiria que o que aconteceu
não tinha realmente acontecido (como em "Bem, nós dois decidimos
que a separação era uma boa idéia", ou "Não deu certo", ou outras
evasivas). Vi que, quando dei um nome (abandonada!) a minha
situação, as pessoas não se sentiam mais tão constrangidas perto de
mim.
Talvez, devido a essa minha atitude, as mulheres que estavam no
mesmo barco queriam conversar comigo. Quando a idéia de
escrever este livro brotou em minha mente, comecei a fazer
anotações sobre minhas experiências e as delas — e fiquei atônita.
Nossas histórias eram iguais. Os detalhes certamente diferiam, mas
para todas nós acontecia a mesma coisa.
Para começar, há o comportamento das abandonadas. Por exemplo,
depois de um período de meses, até mesmo anos, sem realmente


estar lá, ele diz que vai sair de casa. Embora já suspeite de alguma
coisa errada, você fica arrasada.
E ele escolhe o momento menos apropriado, às vezes o mais
horrível, para anunciar sua partida. Talvez você esteja às voltas com
sua mãe doente, ou prestes a ser despedida do emprego, talvez o
Natal, seu aniversário de casamento ou natalício seja na semana
seguinte, mas nada segura um homem, quando ele decide ir
embora.
Quase sempre ele já tem outra mulher. Você é abandonada por causa
de outra. Uma mulher sai de um relacionamento porque muitos
aspectos dele ficaram ruins, e ela chega à conclusão, com o tempo,
de que não há mais jeito. E, normalmente, dá aviso prévio. Por
outro lado, a maioria dos homens que abandonam as mulheres faz
isso porque está envolvida num novo relacionamento. Muito
raramente um homem deixa alguma coisa em troca de nada.
O que descobri — e essa é a razão de ser deste livro — é que minhas
próprias experiências de sobrevivência e recuperação são as
mesmas das mulheres com quem tenho conversado. Não é apenas o
modo como ele age que segue um padrão, mas também tudo o que
você passa. É preciso saber o que fazer, para superar a traição e
ganhar nova força.
Fique comigo. Neste livro, eu lhe contarei o que tive de aprender,
do modo mais difícil, e que uma porção de abandonadas que
conheci ainda está lutando para entender:

• Como prever o que vai acontecer. Preste atenção aos sinais de
aviso, e não será abandonada novamente.
• Como sobreviver ao choque inicial, quando você se sente como
que atingida por uma marreta.
• Como passar por aquela etapa em que você nada em sofrimento.
É preciso nadar durante algum tempo, mas é possível não morrer
afogada.

• Como o homem que a abandonou agirá, no começo e no correr do
tempo. Se você souber disso, poderá evitar erros custosos e/ou
humilhantes, no processo de separação.
• Como as pessoas falarão com você — como a manipularão — de
uma maneira, que lhe dará vontade de rachar a cabeça delas ou
romper em lágrimas.
• O que dizer para que os outros a vejam como uma mulher de
classe, não uma bruxa amarga.
• Como reconhecer se está secretamente esperando que ele "se cure"
e volte para você, assim adiando seu progresso.
• O que fazer com os homens, amigos e colegas de trabalho de seu
ex, seus antigos namorados, os maridos de outras mulheres,
ansiosos por oferecer consolo, ou o novo homem que parece
tentador.
• Como conseguir rir daquilo tudo — enfim — porque ser
abandonada é certamente uma das piores piadas da vida.
Ser abandonada tem um sentido todo próprio. Não é o mesmo que:

• Separar-se
• Os dois se verem menos
•Decidir mutuamente que acabou
Ser abandonada pressupõe que:

• Você o amava, e ele a amava.
• Vocês eram parceiros num compromisso, numa relação íntima,
sexualmente, emocionalmente, psicologicamente.
• A família e os amigos conheciam vocês como um casal.
• Ele acabou com tudo isso de um modo doloroso, inesperado e
absolutamente inequívoco.
Este é vim livro com sugestões específicas sobre como navegar por
mares que ainda não estão no mapa, no qual você foi tão rudemente
lançada. Baseia-se nas experiências de mais de cem mulheres que,


sem nenhuma cerimônia, foram abandonadas por homens com
quem esperavam viver até o fim da vida.
Suas idades variam de vinte e quatro a cinqüenta e oito anos.
Algumas, quando a separação aconteceu, estavam casadas por
cinco, até trinta e oito anos. Outras eram solteiras, mas tinham um
relacionamento firme de três, até catorze anos de duração. Aqui,
elas falam longamente sobre como eram suas vidas antes, durante e
depois do grande tombo.
Ouça o que elas aprenderam, então crie seu próprio mapa, traçando
seu caminho para fora da dor da traição, em direção a uma nova
vida.
Você sobreviverá, você pode seguir em frente. Se fizer tudo certo, se
tornará mais esperta, mais forte, talvez até mais feliz do que era
antes de ser abandonada!

Introdução

O Começo do Fim — Como um Homem Abandona uma Mulher, e
as Primeiras Coisas que Ela Precisa Saber para Sobreviver

Talvez fosse mais exato chamar isso de um epílogo seguido de uma
introdução. Primeiro, você recebe a notícia de que o homem a quem
ama a está deixando e, com isso, desmantelando sua vida. De
repente, esteja preparada, ou não, você se defronta com uma vida
nova, que consegue ver apenas vagamente.
Talvez, como Lynn, você recebeu a notícia por telefone. "Eric me
telefonou, quando estava fora, viajando a trabalho, e disse que não
ira passar o Natal em casa, na semana seguinte", ela conta. "Recebi a
chamada um pouco antes de sair para um importante almoço de


negócios, e ainda não sei como consegui ir e suportar até o fim sem
começar a soluçar. Eu sabia que ele tivera um caso com uma
mulher, anos atrás, depois do que nos tratamos com um terapeuta.
Nunca imaginei que ele fosse se apaixonar por outra pessoa, ou me
deixar. Eu ainda acreditava — e ele vivia me dizendo isso — que
havíamos superado tudo. Até receber aquele telefonema."
Natal, aniversários, ou outras ocasiões festivas, românticas ou
significativas parecem predominar em muitos palcos onde se
desenrola o drama do abandono. Marianne tinha um
relacionamento de cinco anos com um homem, e os dois planejaram
uma escapada de fim de semana para comemorar o Dia dos
Namorados numa romântica pousada no campo.
"Naquele sábado, saímos para tomar o café da manhã com alguns
amigos", ela recorda. "Kent estava muito quieto e, quando chegamos
em casa, comecei a arrumar tudo para nossa viagem. Kent
continuava estranho; então, em dado momento virou-se para mim e
disse que não sabia se ainda me amava. Alguns meses depois,
descobri que ele me deixara por uma mulher que conhecera um mês
e meio antes, num desses lugares onde fazem bronzeamento
artificial. Fui abandonada, após cinco anos, por uma garota de
dezenove."
Pode ser que o homem que abandonou você tenha dado a notícia
em campo neutro. Emily e Jim viviam juntos há três anos, quando
ele começou a chegar em casa tarde quase todas as noites, pois
ficava trabalhando, ou na academia de ginástica, ou "com os
rapazes", em qualquer lugar, menos com ela. Isso durou quatro
meses.
"Uma quarta-feira, cheguei do trabalho por volta das seis horas da
tarde e quando entrei ouvi o telefone tocando", Emily conta. "Era
Jim. Ele disse que ia parar no Woody's, um barzinho das
redondezas que gostávamos de freqüentar, e perguntou por que eu
não ia até lá para tomarmos uma cerveja. Fiquei eufórica. Era o tipo
de coisa que ele não mais sugeria. Fui, e durante algum tempo


conversamos sobre vários assuntos. Então, ele disse que não sabia
como me dizer uma coisa, de modo que não ia fazer rodeios, e
contou que conhecera outra pessoa."
Pode ser que mais gente tenha recebido a notícia ao mesmo tempo
que você. Gretchen soube que ia ser abandonada, quando seu
marido, com quem se casara trinta e quatro anos antes, anunciou o
fato publicamente.
"Keith acabara de receber um título honorário. Após a cerimônia,
estávamos na festa, onde havia mais ou menos trezentas pessoas,
muitas das quais trabalhavam com ele na firma. Keith fez um
pequeno discurso e no final disse que todos os presentes deviam
saber que nosso casamento estava acabado, por iniciativa dele. Mais
tarde, eu soube que fazia tempo que ele tinha um caso com sua
assistente. Keith me disse que ela tinha câncer de útero e que
poderia morrer em menos de um ano. Queria casar-se com ela, porque
estavam apaixonados desde que haviam se conhecido, cerca de
dez anos antes, e precisavam ser felizes. Eles se casaram, cinco anos
atrás, e até agora ela não morreu."
O homem que abandonou você pode ter agido com emoção, como
fez o marido de Joanne.
"Era uma noite de domingo. Tínhamos chegado em casa, depois de
pegar nossa filha no acampamento de verão, e posto as crianças na
cama, quando meu marido disse que precisava conversar comigo.
Estava emocionado, quase em lágrimas, quando contou que fazia
algum tempo que vinha tendo um caso. Foi uma completa surpresa
para mim. A mulher era uma amiga minha. Os dois estão casados,
agora."
Ou, talvez, tenha agido com calma, até mesmo displicência. Janet
lembra-se do dia em que chegou em casa mais cedo do que
esperara, depois de uma reunião de negócios, e encontrou o
namorado sentado no sofá da sala de estar, tomando vinho com
uma moça que trabalhava com ele.


"Foi uma cena digna de uma novela de Henry James. Alguma coisa
fez "clique" em minha cabeça. Tudo parecia muito inocente, mas
havia alguma coisa na postura deles, na expressão de seus rostos,
para não mencionar o fato de estarem tomando um vinho branco
danado de bom numa tarde de sábado. Então, tive um
pressentimento, que me deu vontade de vomitar. Não disse nada a
ele naquela noite, nem ele fez comentários. No dia seguinte, eu
estava observando-o brincar com o cachorro e disse, em tom de
brincadeira, que ele dava mais atenção ao animal do que a mim. Ele
respondeu, também como se estivesse brincando, que então era
melhor nos separarmos."
Talvez a notícia chegou quando, depois de uma crise entre vocês
dois, tudo parecia bem novamente. O marido de Leslie começou a
trabalhar cada vez até mais tarde e a mostrar-se evasivo e com ar de
culpa.
"Acho que ele queria que eu descobrisse, e uma manhã imprensei-o
na parede e perguntei que, diabos, estava acontecendo. Ele admitiu
que estava tendo um caso, e pedi-lhe que pusesse um fim naquilo.
Ele prometeu que poria, e dias mais tarde disse que estava tudo
acabado. Achei que precisávamos fazer uma viagem, de modo que
fomos à Itália, só nós dois. Foram dias fabulosos, cheios de amor e
romantismo. Ele voltou entusiasmado, contando a todo mundo que
fora uma viagem e tanto. Uma semana depois, disse-me que ia me
deixar para ficar com a outra mulher."
Acredito que, tenha estado casada, ou mantido um relacionamento
estável, por três ou trinta anos, tenha percebido, ou não, que seu
homem a estava enganando ou afastando-se, tenha suspeitado de
que algo o perturbava, ou se entregado à crença de que tudo estava
bem, você foi abandonada de modo muito parecido com o que
aconteceu com Lynn, Emily e todas as outras.

• Um dia, seu homem anunciou que o relacionamento estava
acabado.

Esse dia D fica gravado em sua memória. Você se lembra da data,
da hora, do lugar, da comida que comeu, das roupas que estava
usando. Ele pode ter dito que não queria continuar casado, ou que
não estava preparado para casar, que achava que vocês dois não
combinavam, ou que estava apaixonado por outra mulher, ou que
apenas desejava ter seu próprio espaço, que absolutamente não
havia outra, que vocês dois haviam mudado e não fazia sentido
continuar. Ou dado uma variação qualquer dessas explicações.

• Dois pontos ficaram perfeitamente claros: ele queria ir embora e
apresentava-Lhe um fait accompli emocional. Nem queria discutir o
assunto, você não tinha o direito de dizer nada, o relacionamento
simplesmente estava terminado.
Uma abandonada diz: "Não dá mais para os dois sentarem-se,
parceiros com um problema em comum que precisa ser resolvido.
Não importa o modo como vocês vinham agindo antes, não importa
o que estava errado. O fato é que, quando ele decide ir embora, você
não tem escolha".
Uma abandonada casada declara: "Se seu marido não quer
continuar casado, você deixa de ser uma mulher casada, a despeito
do que possa querer, ou do que diga a lei".
• Você ficou atônita.
Não esperava o que aconteceu. Mesmo que nos últimos tempos a
vida de vocês dois tivesse sido tumultuada, ou marcada pelo
descontentamento, você nunca pensou que acabaria assim.
Um dia — depois que emergir da névoa onde viveu com o piloto
automático ligado, cheia de dor e raiva — você olhará para trás e se
perguntará, como fez uma mulher: "Como pude ser tão burra?
Como foi que não percebi?"
Olhará para trás e reconhecerá todos os sinais. Vamos ver quais
podem ter sido.

21 Sinais Certos de que Você
Está Prestes a Ser Abandonada

Nossa intenção não é despertar lembranças dolorosas, nem levá-la a
refletir na tonta que foi, mas na fase de recuperação é útil recordar
como tudo aconteceu.
Além disso, por mais sábia que você tenha se tornado, ainda será
uma boa idéia revisar esta pequena lista de sinais que um homem
emite quando está planejando deixar uma mulher, porque a nova
vida para a qual você está se dirigindo poderá incluir um outro
parceiro. Estas são as evidências típicas da traição em andamento.
Estar avisada é estar armada. Você nunca mais será apanhada
desprevenida.

1) Na rua, ele tende a andar alguns passos a sua frente.

Diz uma abandonada: "Sempre me senti como uma concubina,
andando atrás dele e me apressando para alcançá-lo".
Tente segurar a mão dele, e o verá ficar repentinamente fascinado
pela vitrina pela qual estão passando e afastar-se de você para ver
melhor o que o interessou. Na verdade, ultimamente ele se tornou
esquivo a seu toque.


2) Ele lhe telefona muito.

Telefona do escritório para dizer que terá uma reunião que não sabe
a que horas terminará, ou do hotel, quando viaja a trabalho, para
dizer que chegou bem, mas que o hotel não é confortável, de modo
que ele e seu grupo podem mudar-se para outro. O fato é que, durante
as etapas iniciais do abandono, você recebe muitos
telefonemas dele durante o dia, mais do que os que costumava
receber. Pergunte-lhe onde ele estará, e quando, e seu homem
responderá que não sabe dizer, exatamente.

3) Ou não telefona, absolutamente.


Ele, que antigamente ligava para você durante o dia, agora não liga
mais, nunca.

Um advogado, marido de uma abandonada, começou a chegar em
casa, retornando do escritório, por volta de uma, duas horas da
madrugada. "Ele nunca deixava de telefonar", ela conta. "Mas não
dava explicações, nem dizia quando ia chegar. Uma noite, já muito
tarde, fui ao escritório dele para procurá-lo — não tinha o número
do telefone do departamento de segurança do prédio — certa de
que ele sofrera um infarto ou algo assim. Agora sei que ele estava
em algum outro lugar, com aquela mulher."

4) Ele tem feito muitas horas extras.

Deixa recados na secretária eletrônica de vocês, durante a tarde,
para dizer que não poderá chegar a tempo para o jantar. Quando
está em casa, sai de repente, para reuniões noturnas ou de fim de
semana, que não mencionou antes.

Uma mulher diz: "Bob era corretor de imóveis, e durante alguns
meses, antes de me deixar, estava sempre fazendo horas extras.
Agora, olho para trás e vejo como fui burra. Ninguém leva cliente
para ver uma propriedade à noite. Mas, na época, a última coisa que
eu podia imaginar era que ele estivesse tendo um caso, porque Bob
nunca foi de fazer isso. O máximo que eu podia pensar era que hoje
em dia todo mundo está trabalhando mais".

5) As explicações que ele dá, a respeito de onde se encontra e do
que está fazendo, ficam cada vez mais criativas e esquisitas.

"Eu estava no ônibus, voltando para casa, mas desci para salvar
catorze escoteiros e acabei levando todos para jantar." Em
retrospecto, parece que ele estava fazendo de tudo para você
descobrir a verdade.


6) Quando vocês ficam juntos, ele quer ter outras pessoas
em volta, de preferência que não sejam casais.

Sugira que saiam para almoçar, no domingo, e ele dirá: "Vou
telefonar para Frank, Max, Bill e Polly e ver se eles querem ir
também". Parece mais feliz, quando vocês estão participando de um
acontecimento concorrido e barulhento, ou num lugar onde ele não
precisa conversar demais com você.

7) Ele arruma brigas.

Está sempre irritado ou vagamente aborrecido. Provoca você,
induzindo-a a começar uma briga. Há muita raiva sem motivo,
brotando do nada.

Uma abandonada relata: "Percebi que ele não estava feliz, porque se
zangava o tempo todo, principalmente comigo. Eu atribuía isso ao
fato de ele estar para se aposentar, pois o homem era viciado em
trabalho.
Achei que, uma vez que ele aceitasse a idéia de se aposentar, tudo
se ajeitaria. Pelo que descobri depois, o problema não era esse".

8) Conversas íntimas deixam de existir.

Quando vocês dois estão juntos, a conversa não é mais pessoal,
confidencial, fácil como antes. Ele, que costumava descrever alguma
discussão que tivera com alguém no trabalho, ou dizer que estava
preocupado com a irmã adolescente, agora limita-se a contar-lhe
uma piada que ouviu em algum lugar ou a fazer comentários sobre

o que há de errado com os reservas de seu time favorito. Ele a inclui
o mínimo possível em sua vida diária. Quando chega em casa, a
primeira coisa que faz é ligar a televisão.
9) Emocionalmente, ele não está com você.

Reage de modo indiferente aos seus comentários, gestos, fofocas,
planos para uma festa. Olha para um ponto qualquer acima de seu


ombro, quando você conversa com ele. Ou, então, interrompe-a
bruscamente, dizendo: "Tá, vamos ao ponto". Isso, como diz uma
mulher, é um balde de água fria que anula seus esforços de manter
uma conversa íntima: "Você começa a escolher o que diz, ou a
pensar que tem de ser alegre e divertida o tempo todo. Parece que
não há nada que possa dizer, nada bastante importante que o faça
prestar atenção ao que você diz. Ele está desligado".

Você menciona que está ficando resfriada, ou que terá uma
audiência na terça-feira, que será promovida a gerente de setor, em
seu trabalho, e depois ele não pergunta como você está se sentindo,
ou se já foi promovida. Esqueceu tudo.

Não ri de suas piadas, o que a força a rir excessivamente, para
compensar, fazendo-a sentir-se uma idiota.

Em reuniões familiares, ele fica quieto e distante, não participa,
realmente. Não se interessa por pequenos incidentes divertidos ou
sentimentais de natureza familiar.

Diz Emma: "Estávamos viajando de carro com as crianças, e de
repente algo fez Susie e Becky lembrarem-se de uma cenoura de
pano que havíamos comprado em outra viagem, no ano anterior. A
cenoura era tão incrivelmente ridícula e feia, que decidimos que
tínhamos de comprá-la. Eu e as meninas começamos a falar da
cenoura e a rir, mas Bill não teve nenhuma reação. Não se lembrava
mais daquele incidente".

10) Quase não há sexo.

Raramente ele sente vontade. Está cansado (muitas horas extras, à
noite). Isso significa que pode estar tendo sexo fora de casa.


Laura conta: "Oh, sim, nossas relações sexuais diminuíram, sem
dúvida na mesma medida em que as dele com sua namorada
aumentaram. Se eu tentava alguma coisa, ele me repelia. E vamos
encarar os fatos, raro é o sujeito que rejeita sexo, seja com quem for.
Mas a lâmpada ainda não se acendera em minha mente". Outra
mulher diz que fazer amor foi algo que pulou pela janela. "Não
fazíamos sexo há três meses, um absurdo, porque nossa média era
de duas vezes por semana. Eu sentia pouco desejo, pois sentia que
havia alguma coisa errada. Pedi a ele que me dissesse o que estava
acontecendo, que confiasse em mim, que eu me sentiria melhor, ele
se sentiria melhor, e talvez fizéssemos amor apaixonadamente. Foi o
mesmo que falar com uma parede."

Por outro lado, porém, ele pode não ter problema em fazer sexo
rápido, no escuro, mas sem as atividades preliminares e de
encerramento.

11) Ou há sexo mais quente e intenso do que nunca.

De súbito, ele quer sempre mais, talvez em posições ou outros
lugares, além da cama. Isso não é necessariamente um sinal de
paixão. Se for verdade, de acordo com o que alguns pesquisadores
observaram, que os casais fazem mais sexo no ano subseqüente ao
casamento e no ano anterior ao divórcio, o comportamento de seu
homem pode ser sinal de um abandono em andamento.

Ângela diz que, dois, três meses antes de seu marido deixá-la, eles
passaram do sexo rotineiro para o sexo fantástico: "Tenho duas
teorias para explicar isso. Ele sabia que ia embora e, por sentimento
de culpa, estava tentando me dar uma compensação, ou a amante
dele pusera seus hormônios em ebulição novamente".

12) Ele diz que precisa de espaço.


Está se retirando de cena aos poucos. Por exemplo, sai no meio de
um jantar para dar uma caminhada, ou diz a você para ir para a
casa de praia que alugaram com alguns amigos uns dias antes dele.
Seus interesses e os dele tornam-se definidamente diferentes. De repente,
ele começa a sair muito para jogar basquete com os rapazes.

Depois de algumas dessas escapadas, você lhe pergunta por que ele
sempre parece estar saindo de casa, e ele responde que precisa de
um pouco de espaço, que não tem nada a ver com vocês dois.

13) Ele começa a enchê-la de defeitos.

Quando ele deixa de amar você, deixa também de amar seu jeito de
ser.

Mark, um músico, namorado de Annie, quando estava prestes a
abandoná-la, depois de um relacionamento de sete anos, começou a
achar que os gostos e o comportamento dela não o agradavam mais.
"Um dia, ele disse que não tínhamos tantas coisas assim em comum,
que respeitava as convenções tradicionais, e eu, não. Comentei que
ele pertencia a uma banda de rock, que vivia na estrada, e perguntei
se isso era ser convencional. Disse que eu não viajava, que vivíamos
juntos, que tínhamos um relacionamento exclusivo, pelo que me
constava, e que isso, sim, era respeitar as convenções. Ele garantiu
que não havia outra mulher no meio. Mas ficou óbvio para mim que
eu não preenchia algum requisito que ele estava admirando em
outra mulher, que, como descobri depois, era uma moça de vinte e
três anos de idade, casada e com filhos."

O marido de Greta, antes de ir embora, de repente começou a
criticar a maneira de ela vestir-se, o modo como alimentava as
crianças. Greta diz: "Os homens conseguem agir assim porque
transformam suas mulheres em demônios. Precisam fazer isso para
terem uma desculpa para maltratá-las. De repente, você não é isso,


não é aquilo, é demais isso, ou demais aquilo. Apegam-se a
qualquer coisa. Precisam justificar seu comportamento, para não
serem eles os bandidos".

Vocês estão com amigos, e ele faz uma gracinha à sua custa: "Marcy
não entende nada que não for literal". Está começando,
conscientemente, ou não, a manifestar diante dos outros que está
descontente com você.

14) Ele muda.

Desenvolve novas paixões, seja por esportes, música, comida ou
passatempos, coisas pelas quais nunca se interessou antes.

O marido de Rachel, na época em que o casamento começou a
fracassar, agia de um modo que muitas mulheres abandonadas
observaram em seus homens. "Sam foi embora logo após completar
trinta anos. Por cerca de seis meses antes disso, tomou aulas de
italiano, de saxofone, começou a correr para exercitar-se e falava em
trocar de carro. Como descobriu-se depois, estava saindo com uma
moça de vinte anos, e precisava sentir-se o máximo."

Outra abandonada conta: "Meu marido tinha cinqüenta e seis anos,
quando começou a andar de bicicleta, sozinho, ou assim eu
pensava, e a fazer ginástica em uma academia, duas vezes por
semana. Aquele era o homem cuja atividade favorita sempre fora
assistir a jogos de futebol pela televisão".

Ele está se cuidando, enfeitando-se. Se quando ele ia comprar
roupas você sempre o acompanhava, para ajudá-lo a escolher, agora
nota que ele faz isso sozinho. Seu homem, que nunca se preocupou
muito com roupas, começa a usar camisas listradas chamativas e
gravatas diferentes.


15) Ele foge de qualquer conversa sobre o futuro.

Fale alguma coisa do tipo "em abril do ano que vem", ou "quando
Katie for acampar", e ele parecerá não estar ouvindo. Nenhuma
referência sua a planos ou acontecimentos futuros prende a atenção
dele.

Seu homem não quer nem mesmo falar do próximo sábado. Ele, que
gostava de fazer, ou pelo menos de sugerir que fizessem planos
para um fim de semana, agora mostra-se vago. Você não o ouve
mais dizer "nós", "nosso", ou usar o verbo na primeira pessoa do
plural, como em "Devíamos escalar mais uma montanha, antes que

o tempo esquente demais". Nem o ouve referir-se ao lar de vocês
como "nossa casa", mas de "o apartamento", "a casa".
16) Há muitos enganos nos telefonemas que fazem para sua casa.

Você atende o telefone, e ninguém diz nada do outro lado. Ou,
então, ele atende e diz em voz baixa: "Acho que houve um engano.
Não há ninguém aqui com esse nome".

17) Ele encoraja você a pôr seus planos particulares em prática.

Diga-lhe que está pensando em fazer uma viagem à França com sua
irmã, ou ir para a faculdade, ou procurar emprego em outra cidade,
e ele responderá: "Ótimo, vá mesmo!" Seu homem quer que você
comece a sentir-se desligada dele, como ele se sente desligado de
você.

18) Ele diz que passará uma semana em outra cidade, a trabalho.
Mais tarde você o vê procurando o passaporte.

Na verdade, ele está de partida para Acapulco com uma mulher que
não é você.


19) Você e ele sempre trocaram opiniões, talvez divertidas, sobre
uma amiga comum ou uma conhecida. Agora ele evita qualquer
comentário a respeito dela.

Em uma variação desse tema, ele e essa mulher trabalham juntos, e
seu homem sempre falou dela em termos positivos. Mas em uma
festa da empresa a que vocês vão juntos e a encontram, ele faz de
tudo para ficar longe dela. Os outros colegas, alguns dos quais você
conhece, parecem tensos e não passam muito tempo conversando
com vocês dois.
Aquela é a nova mulher na vida dele.

20) Quando você lhe pergunta o que há de errado, ele não quer
conversar a respeito.

Você notou certos sinais, acha que existe um problema, e arranja
algumas possíveis explicações — estresse, aperto financeiro, sexo
insatisfatório. Então, sugere: "Vamos conversar a respeito".

Ele diz que não há nada de errado, que apenas está sofrendo muita
pressão no trabalho, mas que é coisa passageira, que tudo ficará
bem, que você não precisa ficar perturbando-o por causa disso. Ele
admite que, claro, anda com a cabeça cheia, mas que não é nada
relacionado com você. Ou fica irritado: "Não! Não existe nenhum
problema! Por que fica perguntando sempre a mesma coisa?" Todas
suas tentativas de pôr novamente as coisas nos trilhos acabam em
nada.

Quando o marido de Rachel começou repentinamente a tomar aulas
a torto e a direito, a estourar o orçamento, comprando roupas
novas, ela soube que algo errado estava acontecendo. "Mais ou
menos dois meses antes de ele ir embora, eu lhe disse que achava
que havia vim problema e perguntei se tinha alguma coisa a ver
comigo. Meu marido respondeu que o fato de estar completando
trinta anos mexera com ele, mas que tudo não passava de uma


pequena turbulência, que o que estava acontecendo não tinha nada,
absolutamente nada, a ver comigo ou com nossa vida. Acreditei
nele e deixei-o em paz. Todas nós acreditamos nos homens!
Estamos acostumadas a acreditar."

Annie diz: "Mark e eu começamos a trabalhar juntos na música para
uma peça infantil que criamos. Toda vez que chegávamos a uma
parte que falava de lar e família, ele se emocionava e ia para o
banheiro. Ficou claro para mim que Mark estava carregando uma
enorme culpa. Perguntei-lhe o que estava acontecendo, disse-lhe
que não era uma bola de ferro amarrada em seu tornozelo, mas sua
companheira de muito tempo, sua amiga, e que ele podia me contar
qual era o problema. Mark disse que não era nada, que não havia
ninguém e que odiava a si mesmo. Então, começou a tratar-se com
um psiquiatra".

21) Uma pessoa amiga decide lhe dar uma pista.

O mais provável é que as pessoas com quem vocês dois têm
amizade não lhe contem, se virem seu homem com outra mulher.
Contar a uma esposa ou namorada que ela está sendo enganada é
algo arriscado, mesmo para um grande amigo.
Mas pode ser que alguém faça algumas insinuações ou perguntas
que abram caminho para uma conversa franca. Por exemplo: "Está
tudo bem com você e George? Só estou perguntando por
perguntar". Você, porém, não gosta desse tipo de conversa porque
confia em seu homem.
Érica e John eram amigos íntimos de outro casal, Joe e Pat. "Um dia,
mais ou menos três meses antes de John me abandonar, Joe me
telefonou e sugeriu que eu fosse almoçar com ele", conta Érica.
"Concordei, pois éramos grandes amigos. Durante a conversa, ele
começou a me sondar, perguntando se eu percebera como John
parecia triste nos últimos tempos e coisas assim. Tudo tornou-se
nebuloso para mim. Achei que Joe estava se metendo em minha


vida e sendo muito crítico; então, estúpida que fui, disse-lhe que
aquilo não era da conta dele. Naquela noite, falei com meu marido
sobre isso e contei que Joe comentara que achava que ele já não era

o mesmo. Perguntei o que estava acontecendo e se podia ajudar em
alguma coisa, e John respondeu que era só tensão por causa do
trabalho."
Talvez seu consciente registre um ou vários desses sinais, e você
perceba que existem mais coisas escondidas por trás do que vê.
Certamente pensa que vocês dois resolverão os problemas, pois
estão juntos no centro de tudo.

Então, um dia, ele diz:

Não posso mais continuar com isso.

Sou infeliz.

Não vou para casa.

Isto não está dando certo. Somos pessoas muito diferentes.

Quero ir embora.

Adivinhe! Você está sendo abandonada.
E esta é a primeira coisa que precisa saber: a recuperação vai ser
demorada.
Sei por experiência própria, e depois de falar com Rachel, Annie e
todas as outras mulheres cujas vozes você vai ouvir ao ler este livro,
que uma mulher abandonada sofreu um ferimento de guerra. Fica
machucada e traumatizada, e a cura não é fácil. No início, a mulher


abandonada se move com o piloto automático ligado. Há dias em
que o simples ato de mover-se é considerado um grande feito.
Joanna casou-se à idade de dezoito anos, teve três filhos e foi
abandonada vinte e cinco anos após o casamento. Ela diz: "Nosso
casamento não era perfeito, mas eu o achava bom. Então, ele me
deixou para casar-se com outra. O que mais me abalou e ao mesmo
tempo fascinou foi o fato de, após termos vivido juntos durante
vinte e cinco anos, a porta entre nós simplesmente fechou-se. Isso
mesmo, fechou-se. A pessoa com quem eu dividia meus
pensamentos mais íntimos, em quem eu achava que podia confiar
cegamente, de repente desapareceu. Eu não sabia com quem falar.
Meus filhos e meu marido tinham sido os principais parâmetros de
minha vida. Eu não sabia o que fazer".
O namorado de Emily, uma jovem de vinte e seis anos, levou-a para
tomar uma cerveja e contou-lhe que estava envolvido com outra
mulher. Ela conta: "Jim e eu nos conhecemos na faculdade e saíamos
juntos, de vez em quando. Depois de formados, acabamos os dois
trabalhando com publicidade, em Nova York, e nos apaixonamos.
Éramos inseparáveis, ficamos juntos por mais de três anos. Conheci
os pais e os irmãos dele, ele conheceu os meus. Até alguns meses
antes da separação, tudo o que falávamos, todos os planos,
implicavam que ficaríamos juntos para sempre. Minha mãe
pergunta o que há de tão terrível no fato de termos rompido, diz
que sou jovem, que conhecerei muitos outros homens, e assim por
diante. Ela não entende. Em primeiro lugar, não rompemos. Ele me
deixou. Em segundo, eu o queria, ele me queria, mas agora não quer
mais".
Superar isso leva tempo. Essa é uma realidade a que a mulher
abandonada precisa agarrar-se. Logo, as pessoas a sua volta
começam a sugerir que está na hora de esquecer tudo e continuar
com sua vida. Mas esse processo muitas vezes parece uma
caminhada em que se dá um passo para a frente e dois para trás.


Você esquecerá e continuará com sua vida, mas apenas quando
estiver completamente pronta para isso.
Não há nenhum atalho para sair da dor que a traição lhe causou. Se
tentar deixar tudo para trás rápido demais, ou se abrirá demais,
porque a ferida ainda não cicatrizou, e assim estará se expondo a
uma nova traição, ou andará por aí, presa numa armadura, e nunca
mais confiará em outro homem.
Uma mulher descobriu isso lentamente. Anita precisou passar por
uma cirurgia de emergência apenas um mês depois que o homem
com quem vivera durante seis anos saiu de casa e foi morar com
outra. Embora soubesse que precisaria de um longo período de
recuperação física, foi só bem mais tarde que percebeu que também
demoraria a se recuperar mental e emocionalmente. "Durante um
ano ou mais, senti-me incapaz de ficar à vontade na companhia de
outro homem e tinha medo de que isso durasse para sempre. Então,
comecei a entender que estava tentando me obrigar a superar a
traição de Alan. Sabia que meu corpo se curaria em seu devido
tempo e entendi que precisava deixar que minha parte emocional se
curasse da mesma forma."
Entender isso leva tempo.

1
Lidando com a Situação, os Primeiros Estágios


Do Choque ao Sofrimento e
Daí para o Mergulho na Dor


Quando seu homem vai embora, você acha que aquilo não pode
estar acontecendo. Passa a primeira noite em estado de choque, o


que é bom, porque deixa você amortecida. Então, depois, começa a
pensar como poderá viver com tanto sofrimento. Seu coração dói,
literalmente. Mesmo que tenha suspeitado de que nem tudo estava
bem, o que aconteceu é insuportável. Foi a rejeição máxima, a
traição de sua confiança, a morte de seu futuro.
Chamo esse primeiro estágio doloroso de "tempo de arrastar-se
gravemente ferida", e todas as abandonadas com quem
conversamos sabem o que isso significa: é sentir-se incrivelmente
magoada, embaraçada, esgotada, sem poder imaginar o que fazer
para continuar vivendo.
Há dias em que uma abandonada sente-se um pouco melhor, e dias
em que não consegue levantar-se da cama, pela manhã. Ela fica
obcecada, age irracionalmente, muitas vezes faz coisas sem sentido.
Por quanto tempo ela se arrastará, gravemente ferida? A fase aguda,
do nunca-mais-vou-sair-da-cama, de acordo com as mulheres com
quem falamos, pode durar semanas, até meses.
Lori diz: "Eu levantava e ia para o trabalho, onde ninguém sabia o
que estava acontecendo, depois voltava direto para casa. Tomava
um iogurte e ia para a cama. Não atendia o telefone. Isso durou uns
três meses".
Janet: "Quando se tem filhos, é necessário manter-se em movimento.
Eu ficava dizendo a mim mesma que tinha de fazer aquilo, depois
aquilo. Continuei indo trabalhar e vi que estava me saindo bem,
quando seis meses mais tarde minha chefe soube do acontecido e
disse que nunca percebeu nada. Mas quando saía do trabalho,
chorava no carro, o caminho todo, até chegar em casa. Então,
enxugava as lágrimas, arrumava as crianças para a noite, ia me
deitar e adormecia chorando. Não me lembro de muita coisa daquele
tempo".
Mesmo depois que o pior já passou, você ainda não estará de volta
ao normal. Isso poderá levar anos.


Susan: "Preciso dizer que continuei me sentindo um lixo durante
três anos. Fiquei casada durante dezenove, de modo que foi duro ir
em frente sozinha. Eu só funcionava numa base mínima".
Sarah: "Uma amiga me disse que a recuperação demora um ano
para cada dois que tivemos de convivência com nosso homem.
Lembro-me de que fiquei horrorizada, porque convivera seis anos
com Peter. Mas o fato é que o cálculo foi bem exato".
Mas não vamos mais ficar nos lamentando, fazendo esse tipo de
cálculo. Com este livro como guia, seu caminho em direção à nova
vida será mais suave e rápido do que você imagina.
O que fazer para superar o primeiro dia, a primeira semana, para
continuar trabalhando, comendo, dormindo, saindo da cama de
manhã?
A seguir, você aprenderá o básico a respeito de como lidar com o
sofrimento do início.

20 Etapas para Atravessar o Período Mais Crítico e Começar a
Sentir-se Melhor

1) Crie um sistema de apoio.

Essa é a primeira coisa a fazer. Procure imediatamente, dentro dos
primeiros três dias, uma pessoa que possa ficar a sua disposição,
que a impedirá de cair no fundo do poço às quatro da madrugada.

Essa amiga (talvez um amigo) deve, naturalmente, preocupar-se
com seu bem-estar, mas, quase tão importante, deve dispor de
tempo para ajudá-la, porque precisará dedicar muitas horas a você,
além de muita energia.

Você poderá telefonar a essa pessoa maravilhosa a qualquer hora (e
telefonará), e ela também ligará para saber como você está, para
convidá-la para almoçar ou ir ao cinema. Pode ser até que consiga


arrastá-la para uma festa, quando você acha impossível enfrentar tal
coisa.

Essa pessoa pode ser alguém do grupo de seus amigos, a quem você
telefona regularmente e que também lhe telefona, e, assim que
correr a notícia de que você foi abandonada, muitos amigos
telefonarão, mas também desafetos e conhecidos curiosos.

A pessoa que lhe dará apoio constante pode ser sua melhor amiga,
sua irmã ou sua mãe, embora, por experiência própria, eu e as
outras mulheres saibamos que mães não são as melhores
incentivadoras. Pode ser qualquer pessoa, talvez até alguém de
quem você menos podia esperar tanta ajuda.

Molly: "Uma das coisas que mais me surpreenderam naquele
período miserável foi que algumas amigas, de quem eu esperava
todo o apoio, não estavam totalmente disponíveis. A mulher que se
tornou meu principal ponto de apoio pareceu surgir do nada. Mark
e eu a conhecíamos, e a seu marido, mas ela e eu não tínhamos
nenhuma intimidade. No entanto, ela percebeu que eu estava mal e
durante semanas foi literalmente minha tábua de salvação. E era
uma das pessoas mais ocupadas que conheci. Ligava-me várias
vezes por dia para saber como eu estava me sentindo, permitia que
eu lhe ligasse no meio da noite, levava-me para almoçar em algum
lugar onde eu pudesse me sentar e chorar. Permaneceu a minha
disposição, e não deve ter sido fácil para ela. Foi Deus quem a
mandou".

Se essa principal fonte de apoio, irmã, amiga, uma conhecida, não
aparecer, vá procurá-la. Pense em todas as pessoas que conhece e
escolha aquelas que provavelmente a ajudarão.


Telefone para a primeira da lista. Não seja orgulhosa. Coloque todas
as cartas na mesa. Não pressione a pessoa, mas conte-lhe o que
aconteceu e explique o que está procurando. Por exemplo, diga:
"Louise, estou realmente mal. Você é minha amiga e uma pessoa
bondosa. Seria muito importante para mim, poder contar com você
como meu principal apoio, ou seja, alguém a quem eu possa
telefonar a qualquer hora da noite, quando penso que vou
enlouquecer, que fique de olho em mim. Você pode fazer isso? Tem
tempo para me dedicar?"

Se isso assustar Louise, ou se ela fizer uma avaliação de suas
ocupações e responsabilidades e disser que lamenta, mas que não
pode ser o que você deseja que ela seja, agradeça, sem
ressentimento, e passe para a pessoa número dois.

Depois, então, você deve encontrar duas ou três pessoas que
formem o sistema secundário de apoio, porque precisará de muita
ajuda nas semanas que virão, um fardo pesado demais para apenas
uma pessoa.

Uma coisa boa no fato de sermos mulheres é que temos muitas
amigas, o que nos possibilita armar sistemas de apoio. Com os
homens não acontece o mesmo, eles não têm muitos amigos.

Mas preste atenção: as pessoas que aparecerem para dar-lhe apoio
não precisam ser necessariamente suas amigas mais antigas e
queridas. Uma ou duas dessas podem até dar desculpas
esfarrapadas, como "Jennie está com sarampo, de modo que estou
muito ocupada". Quando você precisa de sangue, os doadores nem
sempre são os que esperava. Não se preocupe demais com quem diz
"sim" ou "não", apenas concentre-se em formar sua equipe de
socorro.


Algumas abandonadas dizem que a melhor coisa que pode
acontecer nesse período é ligar-se a outra mulher ou mulheres que
estão no mesmo barco. Se você não conhece nenhuma, pergunte a
seus amigos se eles têm uma amiga que foi abandonada. Pegue o
nome, o número de telefone, ligue e apresente-se, pergunte se ela
gostaria de tomar um café com você e comparar experiências. Você
receberá os óbvios benefícios da camaradagem do tipo "a
infelicidade precisa de companhia" e terá oportunidade de aprender
algumas dicas sobre como lidar com a situação. Além disso, daí
pode surgir uma nova e boa amizade, que a continuará sustentando,
mesmo depois que você superar a fase pior.

Uma mulher diz: "Quando meu marido me deixou, eu não conhecia
ninguém que estivesse passando por uma situação igual, nem que
havia passado. Estava aterrorizada. Uma amiga insistia em me
pedir para falar com uma mulher, conhecida dela, que fora
abandonada pelo marido no ano anterior. Levei cerca de três
semanas para me decidir a dar o telefonema, pois estava embaraçada
e um tanto envergonhada. Por fim, telefonei à mulher, ela
conhecia mais duas com o mesmo problema e no fim nós quatro nos
unimos. Todas nós queríamos falar sobre o assunto e fazíamos
nossas sessões em volta de mesas de cozinha e em almoços em
lanchonetes. Todas estávamos nos tratando com psicólogos, pois,
como eu, as outras também achavam que amigos só podem ajudar
até certo ponto. Mas aquelas mulheres e eu entramos numa conexão
tão boa que conseguíamos nos ajudar mutuamente, e ainda
continuamos juntas, levando a vida em frente. Assim, eu diria que é
essencial encontrar alguém que esteja na mesma situação".

2) Fique longe do homem que a abandonou.

Você pensa nele constantemente. Não consegue acreditar que ele
falou sério, quando disse que estava tudo acabado. Tem certeza de
que pode convencê-lo de que vocês dois pertencem um ao outro.


Deseja desesperadamente ouvir a voz dele. Quer saber onde ele
está, agora, neste minuto, às dez horas da noite de terça-feira.

Você não conseguirá parar de pensar nele tão cedo. Mas deve
impedir-se, naqueles primeiros dias, de tomar a iniciativa de falar
com ele, de vê-lo, ou de entrar em contato de outra forma.

Não telefone para ele, tentando iniciar uma conversa.

Não telefone e desligue quando ele atender.

Não telefone quando sabe que será a secretária eletrônica que
atenderá, só para ouvir a voz dele na mensagem gravada.

Não lhe mande um cartão, nem mesmo com dizeres que você,
depois de olhar todos os cartões da loja, decidiu que mostravam
interesse, mas não desespero, que eram neutros, sem serem
distantes, carinhosos, mas não melosos.

Não telefone porque deixou alguma coisa sua na casa dele. Uma
moça deixou um recado na secretária eletrônica do ex-namorado,
dizendo que gostaria de ir à casa dele para pegar seu capacete de
ciclismo, pedindo-lhe que telefonasse para dizer qual seria o melhor
momento. No dia seguinte, um entregador foi levar-lhe o capacete,
na casa dela. A moça ficou mortificada porque, embora quisesse o
capacete de volta, o que ela queria mais que tudo era ver o exnamorado.
E ficou claro que ele não desejava vê-la.

Não trame uma maneira de encontrá-lo "por acaso".
Pare com tudo isso. Quando não conseguir vencer o impulso de
telefonar, ligue para a pessoa que está lhe dando apoio, em vez de
para ele, e diga-lhe como está se sentindo infeliz. Se essa pessoa
souber fazer as coisas, lhe dirá que por enquanto você deve


concentrar-se em sair do estágio em que se encontra, arrastando-se,
gravemente ferida, e que falar com ele seria a última coisa que a
ajudaria a conseguir isso. Ela também a fará ver, leal e amorosa que
é, que, se ele foi embora, se não a ama mais, ou se ainda não foi, mas
disse que deseja ir, você, nesse momento, não o fará mudar de idéia
com nada do que possa dizer. Então, não aumente sua agonia, não
se arrisque a uma possível humilhação, indo atrás dele.

Por enquanto, receba chamadas telefônicas através da secretária
eletrônica, e se ele ligar, não atenda. Não dê retorno. Há uma
pequena possibilidade de ele ter mudado de idéia, caído em si, de
estar querendo voltar, e pequena é a palavra-chave. Quase
certamente, ele está se sentindo culpado, não gosta da sensação e
liga só para perguntar: "Como vão indo as coisas? Como você está?"
E por quê, afinal, você o ajudaria a sentir-se um bom sujeito? Se ele
quiser realmente voltar, você saberá.

No capítulo três, damos alguns conselhos sobre como conduzir
qualquer relacionamento com seu ex, porque, se propriedades,
divórcio ou filhos fizerem parte do quadro geral, você terá de vê-lo
e conversar com ele, às vezes. Mas o ideal é você não ter nenhum
contato com o homem que a abandonou, enquanto ainda estiver
gravemente ferida. Se você o vir, ou falar com ele agora, será tratada
com frieza e indiferença e ficará ainda mais magoada, ou, então, ele
se mostrará agradável e carinhoso, e suas esperanças subirão, o que
não deve acontecer. Tente considerá-lo morto.

3) Consulte um médico, um advogado e um terapeuta.

Primeiro, o médico. Procure um em quem você confie e conte-lhe o
que aconteceu. Ele avaliará sua pressão sanguínea e lhe dará alguns
conselhos sobre nutrição e ingestão de vitaminas. Uma consulta a
um médico pode parecer desnecessária e uma despesa inútil, mas
não é. Considere seu médico um útil aliado.


No entanto, não se agarre à sugestão de que tudo o que precisa é de
um calmante que a ajude a dormir. Se o médico lhe der esse
conselho, procure outro. Calmantes apenas a farão sentir-se como se
estivesse andando sobre esponjas. E, mesmo que você o tome e
durma, terá de acordar, mais cedo ou mais tarde, e encarar a
situação horrível em que se encontra.

O fato é que a traição do homem a quem você ama fere seu corpo,
assim como seu coração e sua alma. Algumas mulheres, como
Janice, ficam realmente doentes. "Tive um completo colapso físico.
Dois ou três dias depois de ter sido abandonada, saí com meus pais
para jantar e depois fomos ao cinema. Durante o filme, comecei a
sentir coceira. Então, no fim da sessão, meus pais foram para a casa
deles, e eu fui para a minha. Tirei as roupas e vi que meu corpo todo
estava coberto de placas avermelhadas. Fui ao pronto-socorro e
encaminharam-me a uma dermatologista, que disse que eu estava
com um leve alergia, e que meu corpo recusava-se a combatê-la. Eu
estava com alergia a minha vida! Precisei tomar um remédio à base
de cortisona, que me nocauteou durante um mês, de modo que meu
corpo pudesse curar-se. Foi um horror. Eu não podia ir trabalhar,
não podia fazer nada. Meus pais tiveram de ficar em minha casa,
cuidando de mim. Agora, acho que foi quase uma felicidade eu ter
ficado tão doente. Comparo o que me aconteceu a ir parar no fundo
do poço, sem outro lugar para ir, a não ser para cima. Melhorei, saí
da cama e voltei ao trabalho."

Val diz: "A dor incrível que uma mulher sente, quando descobre
que foi traída horrivelmente pelo homem a quem ama, é tão grande,
que ela, mesmo que quisesse, não poderia exagerar quando a
descreve. É como se um veneno estivesse saindo de todos os poros.
Ela se sente cheia de ódio, imaginando como ele pôde fazer uma
coisa dessas. Não tem apetite. O coração dispara à toa. O sujeito


envenenou-a, e o corpo está reagindo ao veneno. Ela se sente
terrivelmente doente".

Talvez você não fique doente, mas se sentirá fisicamente fraca e
abatida. Seus hábitos alimentares se tornarão estranhos, isso, se
você comer alguma coisa. Então, consulte seu médico e considere-o
sua terceira fonte de apoio.

Em segundo lugar, se o homem que a abandonou for seu marido,
ou um companheiro com quem compartilhou interesses financeiros,
procure um advogado. Imediatamente. No mesmo dia em que
consultar o médico.

Não vamos entrar em detalhes aqui sobre como negociar um
divórcio. Existem livros sobre isso, bastante completos, para
aconselhá-la, e você deve comprar um assim que houver saído do
período em que se arrastou, gravemente ferida, e tiver forças para ir
a uma livraria.
É recomendável que você aprenda o mais que puder sobre o
assunto, porque não vai querer estar em total ignorância dos
detalhes, quando entregar o caso a seu advogado, por mais
competente que ele seja.

Nos primeiros dias, entretanto, uma conversa preliminar com um
advogado é de suma importância. Enquanto você está se
recuperando do choque emocional, o homem que acabou de
abandoná-la provavelmente já está imaginando se deve pedir o
divórcio antes ou depois da declaração do Imposto de Renda do ano
seguinte, ou, então, pode estar vendendo seus títulos e comprando
carros e casas. Uma abandonada descobriu que seu ex-companheiro
estava muito à frente dela no que dizia respeito a assuntos
financeiros, fazendo transações que o favoreciam e a lesavam. Mes



mo que ele lhe diga que tudo acabará bem, que você não precisa de
um advogado, que pode ficar com tudo, não acredite.

Telefone a sua amiga mais sabida, de preferência alguém que já
passou pelo que você está passando, e peça-lhe que lhe recomende
um bom advogado. Se você não tem nenhuma amiga sabida,
telefone para a associação de advogados de sua cidade.

A primeira consulta será apenas para tratar do básico. Não é
necessário, ainda, traçar um grande plano de batalha, e o advogado
que você procurou não precisa ser aquele que escolherá para
realmente cuidar do processo. Nessa reunião de uma, duas horas,
você revisará algumas de suas opções e fará perguntas a respeito de
seus direitos, por exemplo, se o homem que a abandonou pode
forçá-la a vender a casa.

No mínimo, você será prudente, se tomar algumas precauções
quanto a sua autopreservação, tais como descobrir se as apólices de
seguro estão em dia, pois pode ser que um tijolo caia de uma
construção, na cabeça de seu ex. (Você deve estar pensando que não
poderia haver nada mais justo do que um tijolo cair na cabeça dele,
mas, na verdade, parece que coisas assim nunca acontecem com
sujeitos desse tipo. Eles são à prova de bala, o que desafia a justiça.)
Bárbara: "Um dos melhores amigos de Bob foi a pessoa que me
socorreu. Guy é advogado. No mesmo dia em que soube que Bob
me deixara, entrou em contato comigo. Na verdade, andou a minha
procura e acabou me chamando pelo bipe. Então, disse que eu
precisava contratar um advogado o mais rápido possível, na se-
gunda-feira pela manhã. Eu não estava pronta para isso, achava que
não precisava ser daquele jeito. Mas pensei no caso e presumi que
tudo o que tínhamos seria dividido meio a meio. Guy, porém, foi
categórico. Fiz o que ele sugeriu e, mais tarde, ele e outro advogado
organizaram tudo para mim. Disseram-me para não me apressar,


para não aceitar propostas precipitadamente. Eles me salvaram. Se
não fosse por aqueles dois, hoje eu não teria um centavo".

Mais para a frente, neste livro, você conhecerá as experiências de
outras mulheres e encontrará sugestões sobre o que fazer no que se
refere ao aspecto legal da separação. Por enquanto, apenas lembre-
se de conversar com um advogado, o mais depressa possível, pelo
menos para conhecer seus direitos.

Por fim, o terapeuta. Quase todas as mulheres com quem tenho
conversado dizem que um breve período de terapia (para algumas
tornou-se necessário um mais longo) foi de valor inestimável no
estágio em que se arrastaram, gravemente feridas, e mesmo depois.

Uma mulher admite que não procurar esse tipo de ajuda foi um dos
maiores erros que cometeu. "Nunca pensei em procurar um
psiquiatra. Dizia a mim mesma que era forte, inteligente, instruída,
que tivera uma boa infância e ótima criação, que superaria tudo
sozinha. Superar sem ajuda é difícil, quase impossível. Por que
tentar, quando se pode ter alguém para ajudar?"

Outra mulher viu-se rodeada de amigos preocupados, que
pretendiam alegrá-la, achando que assim a arrancariam do
sofrimento. Ela diz que achou isso maravilhoso, mas que não era do
que precisava. "Foi como se eu tivesse rolado escada abaixo, e as
pessoas corressem para me ajudar a me levantar, quando isso é
exatamente a coisa errada a fazer. Quando você é abandonada, seus
amigos dão-lhe um apoio enorme, mas é ótimo falar com alguém
que foi treinado para ajudá-la a lidar com a situação. Lembro-me de
quando entrei no consultório da psicóloga, dizendo que estava perdendo
o juízo, que ia enlouquecer. Ela, muito calmamente,
perguntou-me por que eu achava isso, o que estava acontecendo.
Tivemos cinco ou seis sessões, e no fim ela me disse que eu não


estava enlouquecendo, que observara meu progresso pelos estágios
completamente normais da dor e que eu estava bem. Era tudo o que
eu precisava ouvir dela, na ocasião. Antes do tratamento, eu achara
que estava acabada, que ninguém passara por aquilo que eu estava
passando, que nunca ia me sentir melhor."

Pode ser que você pense coisas sobre as quais tem acanhamento de
falar, até com a pessoa que é seu apoio principal. Ou, talvez, seus
amorosos amigos a estejam animando, mas não a fazem continuar
movendo-se para a frente, que é o que uma terapia pode fazer por
você, quando seu rumo está fora de foco, tudo é confuso, e suas
emoções encontram-se em louco tumulto. Um terapeuta pode
ajudá-la a acalmar-se, firmar seus sentimentos e organizar seus
pensamentos.

"Procurar esse tipo de ajuda", diz uma mulher, "deve ser o primeiro
passo de uma mulher que acaba de ser abandonada."

Encontrar um bom terapeuta não é difícil. Seu médico poderá
indicar-lhe um, assim como um pastor, um padre ou um rabino.
Pergunte às pessoas ou consulte a lista telefônica em busca de
algum grupo de assistência à família, onde certamente lhe indicarão
um psicólogo que supra suas necessidades e com quem você poderá
fazer terapia sem estourar o orçamento.

4) Evite agir de maneira drástica.

Talvez você ouça isso de seu médico, do advogado, do terapeuta ou
da pessoa que mais lhe dá apoio, e é um bom conselho.

Não vá, por exemplo, decidir levantar acampamento, mudando-se
de repente para Maui e lá amimando emprego num bar.

Não peça o divórcio precipitadamente.


Não venda sua casa, a menos que seja absolutamente necessário.

Você ainda não está em boa forma para poder tomar grandes
decisões racionalmente.

5) Não coma demais, nem de menos.

É provável que você faça uma coisa ou outra, mas nenhuma das
duas é boa. Embora algumas mulheres aliviem o sofrimento
enchendo-se de bolo e pizza, não encontramos muitas dessas.

A história de Cynthia parece seguir o padrão. Ela conta: "Parei de
me alimentar e nem percebi. Saía do trabalho, ia para casa, comia
pipocas e tomava um copo de vinho, então caía na cama. Perdi doze
quilos em três meses, fiquei horrorosa".

A história de Maggie: "Meus amigos depois me disseram que eu
definhei a olhos vistos. Parei de fazer refeições regularmente".

E a de Susan: "Eu só comia bananas".

Se você estava precisando perder uns quilos, emagrecer assim
parece ser um dos poucos benefícios do sofrimento. Mas a dieta das
abandonadas não é recomendável.

Mantenha hábitos alimentares pelo menos decentes, para não ficar
doente e não parecer que sofre de anorexia. Tome complexos
vitamínicos. Quando uma amiga telefonar e perguntar se você
precisa de alguma coisa, peça que ela lhe leve alguma comida, ou
um pedaço de torta, ou que a arranque de casa e vá almoçar com
você, ou a acompanhe num passeio a pé. Fazer exercício é bom.

De vez em quando, coma o que na infância dava-lhe prazer, para
sentir-se mimada. Quando estiver muito deprimida, tente saborear


seus pratos favoritos, mas que você vinha evitando, como purê de
batatas com bastante manteiga, pudim, macarrão com queijo, sorvete.
Não é uma dieta balanceada, claro, mas também não lhe
causará nenhum mal irreparável. Você se sentirá confortada, e é
melhor comer essas coisas do que nada.

6) Não beba sozinha.
É muito fácil, agora, tornar-se alcoólatra. Uma mulher que aprendeu
isso da forma mais difícil disse que a bebida anda de mãos dadas
com a solidão.


Se você acha que está tudo bem, porque só bebe no período entre
seis da tarde e sete e meia da noite, mas ao mesmo tempo percebe
que espera ansiosamente pelas seis horas, e lamenta quando o relógio
marca sete e meia, pode estar arrumando um problema.

Quando sentir que precisa beber após o trabalho, que merece um
drinque por ter atravessado mais um dia, convide uma pessoa
amiga para acompanhá-la. Um simples conhecido serve. Se sempre
gostou de vinho, nunca abra uma garrafa quando estiver sozinha,
nos primeiros dias após ter sido abandonada. Convide alguém para
jantar em sua casa, mesmo que seja uma pessoa que você não esteja
ansiosa por ver, e aí, sim, pode tomar seu vinho.

7) Permita-se chorar.

Isso é importante. Não é hora de apertar os lábios, fingindo
coragem, de negar sua dor. Você está ferida. Sente vontade de
chorar (e chorar produz endorfinas que a fazem sentir-se melhor),
então chore.

Chore e mergulhe em seu sofrimento, mas estabeleça limites.


Suponhamos que teve um dia ruim, péssimo, mesmo. Diga a si
mesma: "Vou passar as primeiras horas da noite pensando em tudo

o que aconteceu e entregar-me completamente à infelicidade. Então
vou parar, quando começar o noticiário das onze horas. Vou assistir
ao noticiário, cair na cama e dormir".
Você é capaz de ter esse autocontrole. Se pegar-se deslizando para o
poço de sofrimento no meio da tarde, quando tem coisas para fazer
e não pode entregar-se, diga: "Pare com isso! Agora, não!" Faça parar
a fita que começou a rodar em sua mente, guarde-a para mais tarde.

Talvez, à medida que o tempo passa, você descubra que nem
precisa de todo o tempo de lamentação que estabeleceu.

Ginny diz: "Faça o que tiver vontade de fazer. Não faz mal, se você
quer ficar de pijama durante dois dias, ou até mesmo duas semanas.
No caso de muitas mulheres, o instinto manda-as fazer o que elas
acham que deviam fazer: mostrar-se corajosas, duras, verdadeiros
soldados. Então, algum tempo depois, quatro meses, seis, um ano,
elas desabam, porque nunca se permitiram dar vazão ao sofrimento.
Vi isso acontecer com duas amigas. Você tem de entregar-se à infelicidade.
Tem de arrastar-se por algum tempo, porque uma coisa
horrível aconteceu. Faça isso. Mas tenha alguém no posto de
observação, para que você não se demore demais nesse estágio, ou
não salte no precipício".

É óbvio que você terá de lidar com alguns aspectos da vida real,
principalmente seu emprego e seus filhos, se os tiver. Uma mulher
conta que durante um ano levantava-se às sete, mandava os filhos
para a escola, ia trabalhar, voltava para casa às seis e jogava-se na
cama. Mandava os filhos, que eram adolescentes, fazer o jantar,
porque ela não conseguia. Mais ou menos duas horas depois
levantava-se, comia alguma coisa, lavava o rosto, escovava os


dentes e voltava para a cama. Havia momentos em que não tinha
energia nem para cumprir as tarefas cotidianas mais básicas.

Se você, por um tempo, precisar manter-se funcionando o mínimo
possível, faça isso. Desde que seus filhos e animais de estimação
estejam alimentados e cuidados, você e eles sobreviverão.

8) Atire-se a uma tarefa desnecessária.

Esse é o lado do avesso de ficar sentada no sofá, imóvel, afundada
em tristeza, e algumas mulheres recentemente abandonadas dizem
que encontraram uma saída saudável, entregando-se a uma
atividade desnecessária.

Tire todos os livros das estantes, encere ou pinte as prateleiras,
examine cada livro, coloque os que não quer mais em uma caixa
para mandá-los para um bazar de caridade, e, assim que as
prateleiras tiverem secado, arrume nelas os restantes, em ordem
alfabética pelos nomes dos autores. Vá a uma loja de utilidades domésticas,
compre caixas plásticas, papel de parede auto-adesivo,
volte para casa, tire tudo de seu armário de roupas, limpe-o, forre as
gavetas e as paredes com o papel, depois arrume os objetos nas
caixas, e as roupas nos cabides e gavetas, organizando-as
meticulosamente por tipo, comprimento e cor.

Nos dias em que se sentir mal demais para aventurar-se a sair de
casa, faça algo que mantenha suas mãos ocupadas mas que não
exija muito trabalho mental, e mate o tempo assim, se tiver vontade
e energia.

9)Evite infligir-se mais sofrimento.

Ouça músicas que não tragam recordações. Canções de amor a
deixarão pior. Nada de country. Tente música clássica. Mesmo que
você associe uma peça ou outra ao tempo em que esteve junto com


seu homem, a música clássica parece não acionar os mesmos botões
que, por exemplo, canções como The Way We Were, cantada por
Barbra Streisand, ou Didn't We Almost Have It All?, por Whitney
Houston.

Pense nas músicas que acionam lembranças. Se o homem que a
abandonou cantou I'll Be Loving You, Always, na festa-surpresa que
ele lhe ofereceu para comemorar seu trigésimo quinto aniversário,
porque foi o que vocês ouviram na noite em que se conheceram,
certamente está aí uma canção que você não deve ouvir.

Talvez você tenha decidido iniciar um diário. Escreva nele todas as
coisas que podem despertar recordações de um tempo que acabou,
determinando que se livrará delas, pelo menos enquanto não se
sentir mais forte.

Nas primeiras semanas após ter sido abandonada, evite ir a
restaurantes, galerias, parques, qualquer lugar a que você
costumava ir com seu parceiro. Você não quer despertar lembranças
e com certeza não quer correr o risco de encontrar-se com ele.

Evite olhar fotografias tiradas nos tempos felizes. Coloque-as,
juntamente com outras recordações, como cartas, qualquer coisa
que se relacione com sua vida com ele, numa caixa de papelão, que
guardará no fundo do maleiro do armário ou no porão, não
embaixo de sua cama, de onde será fácil tirá-la, para olhar tudo
aquilo e chorar. Mais tarde, quando você tiver melhorado, poderá
examinar as coisas que guardou na caixa e decidir o que deseja fazer
com elas.

10) Arrume alguma coisa para abraçar.


Compre um bicho de pelúcia macio ou um travesseiro comprido
para levar para a cama. Você precisa de algo aconchegante a que se
abraçar.

Isso também pode aliviar a pressão de cima da pessoa paciente que
tem sido seu principal apoio, naquelas noites em que você fica
acordada, só conseguindo chorar. Ligue a televisão, abrace seu
bicho de pelúcia e chore.

11) Arrume-se o melhor que puder.

Mantenha a boa aparência. Se você sempre tingiu os cabelos e fez as
unhas, não vá parar agora.

Contudo, não invente de fazer uma plástica para erguer as
pálpebras, pelo menos por enquanto. Você teria de enfrentar a
recuperação da cirurgia, além de todo o resto. Se isso não bastasse,
esse tipo de plástica modifica o modo pelo qual as lágrimas tombam
dos olhos. Em vez de correrem pelas faces, as lágrimas rolam
horizontalmente, como que caindo de minúsculas tábuas de
natação. Isso é embaraçoso, tanto para a mulher como para os
outros, e dificulta o uso de óculos escuros, de modo que você deve
esperar até sair do estágio do choro, antes de pensar em erguer as
pálpebras.

Logo após serem abandonadas, algumas mulheres sentem-se
poderosamente motivadas, até mesmo compelidas a fazer ginástica.
Se você é uma dessas, ótimo. Ele foi embora, mas pelo menos você
pode entrar em forma. Compre uma fita de vídeo que ensine
exercícios aeróbicos, ou, quando sair do trabalho, vá direto ao clube
ou a uma academia para nadar. O que os escandinavos chamam de
"hora triste", aquele período entre o pôr-do-sol e a escuridão da
noite, em que o céu assume um tom de violeta, pode ser realmente
deprimente. Passe-o em uma academia, exercitando-se.


12) Faça listas.

Se você nunca foi de fazer listas, comece agora. Se sempre as fez,
compulsivamente, mantenha o hábito. Ajuda bastante ter diante de
si uma prova visível, palpável, de que há muitas coisas para
acontecer, para você fazer, nos dias e semanas que virão.

Uma mulher diz que, no período em que se arrastou, gravemente
ferida, não era capaz de planejar nada com mais de quinze minutos
de antecedência. Soube que estava melhorando, quando esse tempo
aumentou para horas, depois para dias. As listas a ajudarão a
melhorar, pois acabarão com a bagunça em sua cabeça, aliviando
um pouco a pressão.

Separe suas decisões a curto prazo em categorias e ponha datas
nelas. Se houver itens como "refinanciar a hipoteca", ou "matricularse
em uma escola de comércio", que não tenham nenhuma urgência
em serem resolvidos, marque-os com uma data, digamos, para daí a
três meses, e esqueça-os.

Faça uma lista de amigos e de atividades que deixou de lado —
talvez porque ele não aprovasse — e que gostaria de incluir
novamente em sua vida. Faça outra lista, com cinqüenta coisas que
gostaria de fazer antes de morrer, por exemplo, comprar um
terninho Armani, morar numa casa que tenha uma estufa para
plantas, fazer uma semana de retiro num convento beneditino,
viajar para Bali. Não precisa fazer nada disso por enquanto, mas lhe
fará bem ver em preto-e-branco suas opções e seus sonhos, marcos
em seu caminho para uma vida nova, ativa e gratificante.

13) Comece a escrever um diário.

Muitas mulheres têm se beneficiado com o hábito de registrar
pensamentos e sentimentos. Se você acha que pode ser uma delas


(se não acha, pelo menos tente), compre um caderno e comece já:
"10 de abril de 1998. Estou no fundo do poço".

Tente escrever alguma coisa todos os dias, durante as primeiras
semanas. Não volte para reler o que escreveu, pelo menos até
passarem-se uns três meses. Mais tarde você lerá e ficará
agradavelmente surpresa ao ver como ficou muito mais forte.

Elizabeth conta: "Comprei um caderno e comecei a escrever, mas
esporadicamente, não todos os dias. Isso é tão catártico, quando sua
vida é um nevoeiro de emoções! Não foi um diário, propriamente.
Também não foi um registro de acontecimentos, apenas de pensamentos.
Eu escrevia o que sentia. Às vezes, escrevia em lágrimas, de
outras, muito contente, de modo que tudo ficou um pouco
desnivelado. Achei-o imensamente útil quando, meses mais tarde,
reli o que havia escrito e vi o progresso que fizera, de onde saíra e
aonde chegara. Isso é terapia e também uma maneira maravilhosa
de chorar, se der vontade, sem que haja ninguém em volta para
ouvir".

Escreva uma carta cheia de ódio a seu ex, se quiser extravasar a
raiva, uma carta que gostaria de mandar para ele, mas que, claro,
não mandará. Não se surpreenda, no entanto, se pegar-se
escrevendo uma carta de amor, a última de todas. Enquanto você
ainda se debate em incredulidade e dor, esperando que tudo não
passe de um pesadelo, talvez fique pensando nas boas qualidades
dele, naquela parte que gostaria de ter de volta. Escreva esses
pensamentos. Mais tarde, você será capaz de ver seu ex e seu antigo
relacionamento sob uma luz mais clara, de modo mais realista.

Se nenhum pensamento passar por sua mente, aqui vão algumas
sugestões que a ajudarão a começar seu diário. Complete as
seguintes sentenças:


Não posso acreditar que uma pessoa que um dia me
amou, pudesse ____________
Vou parar de pensar obsessivamente nessas pequenas
coisas que ele fazia: ________________
Na semana passada, fiz o seguinte, para me sentir um pouco
melhor, nem que fosse por alguns minutos de cada
vez: __________________
Planejarei as seguintes atividades para a semana que
vem, para ter alguma coisa pela qual esperar: ______________
Para me manter saudável, comecei a __________
No passado, em momentos de verdadeira depressão, eu
me sentia melhor quando ____________
Aqui estão algumas atividades a que agora posso me
entregar e que beneficiarão outras pessoas, o que talvez
me faça sentir-me melhor: ______________
Mesmo que o dinheiro esteja curto, posso fazer as seguintes
modificações em minha casa para apagar lembranças
dele: ____________

Escrever um diário é ótimo, quando você ainda está acordada às
três da madrugada, e faz bem à alma. Não faça disso uma tortura,
porém. Apenas anote seus pensamentos, de modo a não deixar que
tudo aconteça apenas em sua mente. Também registre suas esperanças,
seus sonhos e planos.

14) Crie uma mantra.

Agora você sabe o que significa morrer de dor. Mas não vai morrer.
Não vai deixar que aquela pessoa faça isso com você. Por mais que o
amasse e tivesse se dedicado a ele, não o deixará destruir sua vida.

Isso é uma mantra. Agora, ponha em palavras algo que tenha
significado para você. Deitada na cama, à noite, recite sua mantra.
Grave-o em fita, acrescentando passagens de livros de que você


gosta, ou uma poesia que lhe dê esperança e motivação. Deixe a fita
tocando, enquanto o sono não chega, e acabará adormecendo. É um
tipo de auto-hipnose, e lhe fará bem.

15) Tente com todas as forças não ficar obcecada.

Alguém lhe conta que seu ex levou a outra mulher ao restaurante
que vocês dois costumavam freqüentar, e você fica virando e
revirando isso na cabeça.

Com o passar do tempo, você aprenderá que para o homem que a
abandonou nada da vida que vocês tiveram juntos é sagrado. Ele
levará a outra mulher ao restaurante que vocês dois preferiam,
escolherá os mesmos pratos que vocês escolhiam e até pedirá ao
pianista para tocar sua música favorita. Esse comportamento não
parece estranho para ele, porque os homens, de modo diferente das
mulheres, têm uma capacidade notável de dividir a vida em
compartimentos. O que pertence ao passado fica lá, o que é presente
fica aqui, e uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Você fica obcecada por essas pequenas traições porque ainda não
consegue lidar com a grande traição. Assim, vira e revira-as em sua
mente.

Tente limitar esse tipo de monólogo mental e, se quiser recitá-lo em
voz alta, recite-o apenas quando a pessoa que é sua principal fonte
de apoio estiver ouvindo.

16) Planeje uma viagem.

Embora você não esteja disposta ou não possa arcar com a despesa
de viajar agora, pelo menos pode pensar em fazê-lo. Leia o caderno
de turismo do jornal de domingo, telefone para uma agência,
pedindo informações sobre a excursão para a Toscana, peça folhetos
e organize-os numa pasta. Acalente a idéia de viajar.


17) Compre alguma coisa para si mesma, todos os dias.

Dar uma volta a pé, sentir o perfume das flores, ficar olhando para o
mar, observando as gaivotas, são coisas que fazem bem. Use essas e
encontre outras maneiras de ser gentil consigo mesma e de apreciar
as belezas da natureza. Mas, além disso, compre alguma coisinha
para si mesma todos os dias, dentro de suas posses. É importante,
neste momento, gastar dinheiro consigo mesma.

Se você está saindo de um casamento que durou muitos anos, a
questão do dinheiro predominará, talvez de modo desagradável,
nas semanas, meses ou anos que estão por vir. Poderá ser fonte de
grande ansiedade e motivo de grande discórdia. Crie um estado
mental que diga: "Tenho direito a esse dinheiro e posso gastá-lo
comigo mesma".

Sara diz: "Um grande amigo, Gary, que até foi padrinho de nosso
casamento, me telefonou, quando soube que Jon me deixara. Não
estava achando nada engraçado o que meu marido fizera e, no fim
da conversa, aconselhou-me a comprar algo para mim mesma,
todos os dias, por mais insignificante que fosse. No dia seguinte, saí
para trabalhar um pouco mais cedo e parei num pequeno e adorável
café do meu bairro. Tomei um cappuccino, enquanto lia o jornal.
Agora, faço isso todos os dias. Embora o cappuccino seja caro, fico
animada cada vez que peço uma xícara".

18) Submeta-se a massagens.

Essa é uma ótima maneira de gastar dinheiro consigo mesma.
Márcia conta: "Antes disso, eu nunca tinha recebido massagens,
tratado dos pés mim salão, nem feito uma limpeza de pele. Uma
amiga convenceu-me a experimentar, fui ao melhor salão da cidade
e mandei que me fizessem tudo isso. No caminho para casa comprei
uma ducha massageadora. Essas coisas ajudaram-me mais do que
eu poderia imaginar. Gastei os tubos e quase tive um ataque do


coração, quando a conta do cartão de crédito chegou, três semanas
mais tarde. Mas valeu a pena".

Se seu orçamento está apertado, tenha apenas uma sessão de
massagens, ou quantas puder pagar. Você sofreu uma perda física

— sexualmente, claro, mas também o conforto de abraçar e tocar
carinhosamente o homem com quem viveu tanto tempo.
É fato científico que as mulheres têm mais terminais nervosos na
superfície da pele do que os homens. Nós precisamos ser tocadas.
Massagens são relaxantes e muito mais seguras do que ter um caso
com um homem inadequado, só porque você se sente sozinha, sem
ninguém que a toque.

19) Durma no lado dele da cama.

Se você estiver no lugar de seu ex, não estará no seu, sentindo a
ausência dele. Ou pode ser que sempre tenha querido aquele lado
para você, mas deixou-o para ele. Agora é sua vez.

Diz Toni: "Na noite em que Fred partiu, eu simplesmente fui me
deitar. Na manhã seguinte, minha filha entrou no quarto e
perguntou o que eu estava fazendo no lado da cama que não era o
meu. Respondi que sempre quisera dormir ali".

20) Esqueça os homens, por enquanto.

No primeiro ano, evite tentar encontrar outra pessoa.

Não invente de telefonar para um antigo namorado, na tentativa de
reacender uma centelha. Se ele for educado, mas mostrar total
desinteresse, você se sentirá uma tola. Se disser que está envolvido
com alguém, ou pior, casado, você se sentirá tola e devastada.


Seja cautelosa no que diz respeito a aceitar sair com alguém. Você
está pisando em terreno tão acidentado, agora, que tanto poderá
exagerar qualquer defeito do homem, como desculpa para fugir
dele, como fazer de conta que não vê defeitos óbvios. Você não verá
esse homem com clareza porque inevitavelmente fará comparações
entre ele e seu ex.

Não saia com alguém na esperança de que seu ex fique sabendo.

Evite fazer sexo.

Se você tem um velho amigo com quem ir ao cinema de vez em
quando, ótimo. Se não tem, esqueça os homens.

2
As Outras Pessoas: Amigos,
Inimigos, Sua Mãe, a Mãe Dele...


O Que Elas Dirão, o Que Você Deverá Dizer

Suponhamos que o fato de você ter sido abandonada, trocada por
outra mulher, seja uma espécie de libertação. Suponhamos que de
repente a vida tenha sentido outra vez, como se você estivesse
saindo de uma densa neblina e pudesse ver, ainda que de modo
indefinido, um novo caminho, mais claro, melhor, abrindo-se a sua
frente. Com duas ou três mulheres com quem conversamos, foi isso

o que aconteceu.
Beth conta: "Quando me telefonaram, contando que ele estava
dormindo com outra mulher, senti-me como se um peso de

quinhentos quilos estivesse sendo tirado de meus ombros. Eu não
era nenhuma ciumenta paranóica, como ele estivera me levando a
acreditar, durante meses. Tinha cérebro. Era normal. Todas as
suspeitas que eu tivera durante muito tempo provaram ser
verdadeiras. Todas as negativas dele haviam sido falsas. Tudo o que
ele dizia, a respeito de eu estar com problemas, servira a seus
próprios propósitos. Acho que nunca mais pensei no passado".
Mas, mesmo que você tenha a confirmação de suas suspeitas e
possa aceitar o fato, ainda assim se sentirá agredida.
Beth continua: "Ele foi embora no dia primeiro de janeiro, e senti-me
como se estivesse nua em praça pública. Ele expusera nossa
pequena e resguardada família aos olhos do mundo. Haveria
mexericos, falatórios, eu teria de contar às pessoas, elas tomariam
partido. É tremendamente embaraçoso contar a todo mundo que
seu marido a deixou".
Vai haver falatórios, e as pessoas tomarão o lado dele ou o seu.
Alguns amigos a abrigarão embaixo de suas asas, de modo
maravilhoso. Outros não se manifestarão, talvez desapareçam de
sua vida. Se o homem que a abandonou for seu marido, pode haver
uma divisão nas duas famílias, alguns membros aliando-se a você,
outros, a ele.
Certas pessoas lhe darão maus conselhos ou dirão tolices. Para
muitas, você, como mulher abandonada, pode tornar-se um
problema, uma ameaça, ou objeto de compaixão ou curiosidade.
Quem criou essa situação difícil foi seu ex, voluntariamente, mas é
você quem fica constrangida.
Isso certamente não é justo, mas é assim que é, de modo que cabe a
você superar a fúria, enfrentar o constrangimento e suportar o que
der e vier com toda a classe que puder mostrar.

A Quem, O Quê e Quando Contar


O ideal é que você já tenha sua equipe de apoio a postos, pessoas
com quem possa falar abertamente. Mas algumas mulheres não
sabem como contar aos outros o que aconteceu. Das abandonadas
com quem falamos, algumas anunciaram o fato aos quatro ventos,
outras, fecharam a boca.
Uma delas diz: "No início, não escondi o fato, porque estava
simplesmente destruída. Só me faltou parar numa esquina e contar
a todos os que passavam que fora abandonada. Mas contei aos
amigos íntimos, aos não tão íntimos, à família, ao meu patrão,
praticamente a qualquer um que quisesse me ouvir e, você sabe,
pudesse entender".
Outra relata: "Não contei nada a ninguém, quando ele foi embora.
Depois de um tempo, minha mãe me pegou numa mentira, de
modo que contei a ela. Mas eu não queria que as pessoas
soubessem, porque minha cabeça estava numa confusão tremenda.
Todo mundo achava Bob um grande sujeito, e as pessoas achariam
inacreditável, se eu dissesse que ele estava tendo um caso e me
deixara. Além disso, eu devia estar achando que tudo se resolveria e
voltaríamos a ficar juntos, sem falar que eu não queria perturbar
meus pais".
Em algum ponto, entre esses dois modos de agir, fica o melhor
caminho a seguir. Não pare numa esquina, anunciando aos quatro
ventos que foi abandonada. Quando o tintureiro ou o homem da
banca de frutas perguntar se está tudo bem, você não precisa
responder que não, que seu namorado ou marido a deixou. E não
permita que a infelicidade e a raiva que sente sejam os únicos
assuntos de suas conversas.
Bev comenta: "É necessário agir como uma pessoa adulta. O grande
erro que muitas mulheres cometem é encher a paciência de todo
mundo com sua versão de toda aquela amarga história. A amargura
não é atraente. Essas mulheres acabam isoladas, porque ninguém
gosta de ouvir sempre a mesma coisa. Noventa e nove por cento das
pessoas que nos perguntam como as coisas vão indo, querem que


você responda que está tudo bem. Compartilhe com os outros as
coisas boas de sua vida. Não aborreça seus amigos com suas
lamentações. Quando eu preciso realmente de alguém com quem
conversar, procuro um psicólogo. Quero falar com uma pessoa a
quem pago para me ouvir".
No entanto, não enterre o que aconteceu dentro de você, enquanto
mostra uma fachada de normalidade. Quanto mais cedo você contar
às pessoas que habitam seu mundo, mais cedo se livrará disso, mais
cedo seu embaraço se desfará, e maior será o controle que você terá
sobre qualquer mexerico que surgir.
Além disso, se não quer contar a ninguém, provavelmente essa seja
uma indicação de que se acha totalmente responsável pela situação,
que foi a errada, ou que pense que seja algo temporário, que tudo
entrará nos eixos.
Diz uma abandonada: "Muitas mulheres não falam sobre o assunto
no início porque acham que seus homens voltarão, de modo que
não interessa contar aos outros que eles as deixaram. Mantive
silêncio durante meses porque ele e eu continuamos a trabalhar
juntos e a comparecer juntos a todas as funções da empresa, uma
situação impossível, vejo agora. Esperei para ver o que ia acontecer.
Foi um grande erro e uma perda de tempo".
Conte às pessoas porque:

• Elas descobrirão, de qualquer forma, e é melhor que saibam por
você.
Merilee conta: "Na época, achei que esconder a verdade seria o
melhor para mim. Mais tarde, meus pais e o resto da família ficaram
magoados e aborrecidos porque não lhes contei. Se eu tivesse de
passar por aquilo novamente, talvez contasse a todos, logo de
início".
• Você receberá apoio, até mesmo de quem não esperaria receber.

Merilee conta que seu patrão e os colegas de trabalho só ficaram
sabendo do divórcio quando ela pediu mudança de nome na lista
telefônica, após o divórcio (ela eliminou o sobrenome do marido e
conservou apenas o seu, de solteira).
"Fiquei surpresa com a reação", ela diz. "Muitas pessoas me
pararam no saguão de entrada, ou telefonaram, para dizer que
sentiam muito pelo que acontecera. Minha supervisora foi muito
bondosa e compreensiva. Todos foram bastante encorajadores."
Então, conte às pessoas, a começar por seus familiares.

Sua Família

Muitas mulheres dizem que os pais e irmãos ficaram a sua
disposição desde o início para dar-lhes apoio moral e ajuda nos
aspectos práticos, quando elas ainda não conseguiam raciocinar
com clareza.
Um desses parentes mais próximos pode ser sua principal fonte de
apoio, ou vários deles, formando uma equipe.
Uma mulher diz: "Meu namorado, Steve, deixou-me por uma moça
chamada Karen, que antes morava com Paul, que desse modo
também foi abandonado. Um dos fatos mais estranhos que
aconteceram naquela época, que só posso descrever como
causadora de minha aberração mental, foi que Paul e eu começamos
a conversar muito, sempre, naturalmente, sobre Steve e Karen.
Então, achei que estava perdidamente apaixonada por Paul!
Durante esse período, de mais ou menos três meses, eu telefonava
para meu irmão todas as tardes, para o escritório dele. Ele ouve
minhas lamentações por meia hora e depois calmamente, com gentileza,
me dissuadia de fazer alguma besteira, como, por exemplo,
entregar meu apartamento alugado e mudar-me para um no prédio
onde Paul morava".


Deirdre conta: "Sempre fui uma pessoa religiosa, mas naquela época
acho que me esqueci de minha religião, de tão devastada que fiquei.
Foram meus parentes, principalmente a esposa de meu irmão, que
me ajudaram a superar. Ela passava muito tempo comigo e ainda
me lembro de que dizia que eu estava sofrendo muito, mas que não
podia fugir daquilo, que era como estar num túnel, que só andando
sempre em frente eu ia ver a luz, anunciando o fim. Fui capaz de me
visualizar fazendo isso, e realmente ajudou".
Muitas abandonadas com quem conversamos descobriram que uma
nova intimidade e compreensão mútua surgiram entre elas e as
pessoas que lhes davam apoio. Você também poderá descobrir isso.
Uma mulher levou a mãe para almoçar num restaurante, para
contar-lhe a respeito da separação. "Para minha surpresa, minha
mãe me contou que tivera uma experiência igual à minha, antes de
conhecer meu pai." Ela conta que as duas conversaram como duas
adultas em pé de igualdade, compartilhando pensamentos e
emoções, e que desde então haviam ficado ainda mais próximas.
Se você tem parentes amorosos, que se compadecerão de você e a
ajudarão a fazer sua cabeça em parafuso parar de rodar, seja grata
por isso e não hesite em usá-los. Se você achar que seus parentes
também vão cair aos pedaços, quando souberem de seu infortúnio,
conte a eles o que aconteceu, mas de uma distância segura. É hora
de fixar-se em sua própria recuperação, não de lidar com as
preocupações, desapontamentos e ataques de nervos de outras
pessoas, por exemplo, sua mãe.
Você conhece sua mãe. Ela será uma rocha, ou desabará? Se achar
que ela vai desabar, dê-lhe a notícia imediatamente e com
simplicidade, evitando, pelo menos no momento, entregar-se às
emoções ou manter uma conversa longa, que apenas aumentará sua
dor.
O mais provável é que ela não tenha desconfiado que as coisas não
andavam bem em sua vida amorosa, porque você nunca lhe disse
nada. Talvez ela visse você e seu ex apenas de vez em quando, em


momentos em que os dois comportavam-se da melhor maneira
possível. Agora, ela ficará surpresa e chocada. Pode ser que tente
induzi-la a não romper o relacionamento, aconselhando-a a tentar
consertar a situação. De conselhos desse tipo você não precisa.
Telefone e diga, por exemplo: "Mamãe, quero que você saiba que
George me deixou por outra mulher. Embora eu saiba que posso
contar com seu amor e seu apoio, estou muito abalada para discutir

o assunto agora. Falaremos mais, uma outra hora. Amo você".
A Família Dele

Susan recebeu o aviso de que ia ser abandonada e, segundo ela diz,
comportando-se como uma esposa de Stepford, foi à casa dos
sogros para comemorar o aniversário do marido, conforme fora
planejado. "Doug, eu e os pais dele nos reunimos, e a conversa entre
eles três fluía normalmente. Eu estava em estado de choque e decidi
que merecia um mar-tíni. Depois tomei mais um. Então, perguntei a
minha sogra se Doug lhe contara que ia sair de nossa casa no dia seguinte.
Meu marido ficou branco. A mãe dele, de modo espantoso,
perguntou-me por que eu resolvera contar tal coisa naquele
momento, arruinando a comemoração do aniversário dele. Então,
repliquei, perguntando por que não arruinaria, se ele acabara de
arruinar minha vida."
Dar a notícia-bomba, detonada por dois martínis, pode não ser a
melhor idéia, mas, se você tem um relacionamento pelo menos um
pouco amigável com os pais dele, é melhor deixá-los saber do fato o
mais rápido possível. Você não vai querer que eles saibam através
de outras pessoas, e seu ex pode estar protelando o momento de
dar-lhes a notícia, o que apenas complica ainda mais a sua vida.
Telefone aos seus sogros e diga: "Imagino que vocês já saibam que
George me deixou. Não preciso dizer que estou devastada, mas
prezo sua amizade e gostaria que continuássemos amigos". Em


outras palavras, porte-se com classe. Não diga a sua sogra: "Você
pôs um verme no mundo!"
Não presuma que esteja perdendo pessoas que foram importantes
para você no correr dos anos. Se você tem um relacionamento sólido
e afetuoso com os pais de seu ex, se eles estão lutando para serem
imparciais, apesar do amor que naturalmente sentem pelo filho, e
sentem-se incrédulos diante das recentes ações dele, são grandes as
chances de que você continuará a merecer o apoio, a admiração e a
amizade deles.
Uma abandonada, cujo marido deixou-a literalmente sem casa e
incapaz de pagar um aluguel, foi mantida pelos pais dele durante
todo o tempo que precisou para poder sustentar-se sozinha e alugar
um apartamento. Outras mulheres contam fatos positivos
semelhantes.
Diz Érica: "O que achei muito interessante foi que as pessoas que
mais me ajudaram, mais até do que meus amigos íntimos, foram os
parentes de Scott. Eles foram maravilhosos, na época, e continuam
sendo. Tive longas conversas emocionadas com meus ex-sogros, a
respeito de como eles estavam tendo dificuldade em aceitar a nova
esposa de Scott, não se permitindo gostar dela demais. Eles
disseram que seria emocionalmente muito doloroso, se o filho
fizesse com a outra mulher o mesmo que fizera comigo. Assim,
estranhamente, peguei-me ouvindo coisas sobre a esposa de Scott,
uma pessoa de quem absolutamente não posso gostar, com quem
não poderia me preocupar menos. Mas gosto de meus sogros, e eles
gostam de mim, de modo que nos ajudamos mutuamente".
Outra mulher mantém contato com a ex-sogra há mais de quinze
anos. "A mãe de Bill, que agora está idosa, me telefonou
regularmente durante todos esses anos, sempre foi maravilhosa
comigo. Pergunta dos netos, quer saber o que estão fazendo, e
sempre diz alguma coisa positiva, afirmando que estou me saindo
muito bem e me pedindo para continuar assim."


Por outro lado, não vá pensar que infalivelmente os parentes de seu
ex a julgarão sem culpa. Se seu relacionamento com eles não foi dos
melhores, ou se eles tiverem o costume de justificar qualquer ação
do "príncipe", por mais desprezível que seja, você será atacada.
Nem tente fazê-los mudar de idéia. Se tiver filhos, procure manter
as relações familiares pelo menos cordiais, mas só. Se ouvir
comentários desabonadores do outro lado, ponha tudo em pratos
limpos, mas sempre conservando a classe.
Veja como Emma lidou com a situação. "A mãe dele andou falando
com amigos comuns e também com meus pais, dizendo que são
necessárias duas pessoas para dançar o tango, que eu estava
envolvida demais com minha carreira para ser uma boa esposa, e
assim por diante. Quando as pessoas me contam isso, costumo dizer
que assumo minha parcela de culpa pelo fracasso do casamento,
mas que não sou responsável pelo fato de Bob me enganar, tendo
um caso, e que sair de casa para resolver qualquer problema que
tivesse foi unicamente escolha dele."
Quando você é casada e seu marido a abandona, especialmente
após vários anos de casamento, e mais especialmente ainda, se
houver filhos, seus ex-parentes com certeza ficarão chocados com o
fim do que eles consideravam, ou preferiam considerar, um
relacionamento feliz. Se você gosta verdadeiramente deles e deseja
manter contato, diga-lhes isso. No entanto, examine seus motivos
com bastante cuidado. Não use esse contato para entrar em longas
conversas que os encorajem a tentar falar com seu ex para fazê-lo
cair em si e voltar para você. Isso não funciona.
Seja o mais honesta que puder, sem emporcalhar o homem que a
deixou. Afinal, aquelas pessoas são a família dele, e você só
conseguirá dar uma má impressão, se ficar desfiando a lista dos
pecados que ele cometeu. Talvez você sempre se deu bem com a
irmã dele e fez uma porção de coisas com ela. Continuará fazendo,
talvez, mas em bases diferentes. Ou talvez não, porque o sangue


fala mais alto, e demorará um pouco até que tudo entre nos eixos
novamente.

O Mundo em Geral

Quando você se cansar de lamber seus ferimentos ou de atiçar as
brasas de sua raiva, quando passar alguns de seus fardos para os
ombros das pessoas que a ajudam e se sentir mais animada, quando
sua principal fonte de apoio estiver insistindo para que você saia
para jantar, ou vá a uma festa, ou volte ao time de voleibol, você
estará pronta para participar de acontecimentos sociais.
É agora que haverá a distinção entre sua vida privada, com seus
bons amigos, suas fontes de apoio, e sua vida mais pública. Pode
entregar-se à tristeza, quando estiver com sua equipe de apoio, mas
erga a cabeça quando estiver em sociedade, mantenha o
autocontrole e o senso de humor. Se achar que realmente não pode
sair de casa e mostrar-se alegre, não saia. Talvez você ainda precise
chorar um pouco mais, abraçada a seu bicho de pelúcia.
Quando você finalmente retorna ao mundo, algumas coisas podem
acontecer.

Você Fica Atônita com as Reações das Pessoas

Essas reações que a surpreendem tanto podem vir de duas
maneiras:

• Amigos, colegas de trabalho ou vizinhos lhe contam que viram
seu ex em vários lugares com outra mulher,
o que não é surpresa nenhuma.

Durante semanas, o homem que era namorado de Tonya havia
quatro anos ficou praticamente desaparecido, ligando apenas muito
raramente, e ela acreditou na explicação dele, de que estava
viajando muito a trabalho. Tonya soube que ele viajara para a
Bélgica para participar de um seminário sobre vendas que duraria
vários dias, porque telefonou para o escritorio dele e disseram-lhe
isso, e porque ele mandou um cartão-postal de Bruges. Mais tarde,
depois de ter sido abandonada, ela ficou sabendo do resto da
história: "Ele estava na Bélgica, sim, e com a nova namorada. A
maioria de nossos amigos sabia disso. Parece que todo mundo
sabia, menos eu".
Algumas abandonadas, saindo de casamentos de longa duração,
começam a ouvir falatórios sobre uma série de infidelidades de seus
ex-maridos. "A última ainda está com ele", diz Carol. "Mas,
aparentemente, houve pelos menos outras três, nos últimos doze
anos. Dois amigos nossos, um casal, sabiam havia muito tempo que
ele era infiel."

• As pessoas dizem que não conseguem acreditar, que achavam vocês
um casal feliz, com um relacionamento sólido.
Uma mulher diz que ela e todo mundo achavam sua família ótima:
"Os amigos de minha filha diziam-lhe que gostariam de ter pais
como os dela, que adoravam nossa casa. Quando Jack me deixou,
algumas pessoas me disseram que fora o mesmo que um raio cair
de um céu sereno. Outras, afirmaram invejar nosso bom casamento.
Até o maître do restaurante a que Jack e eu costumávamos ir disse
que lamentava o fato de não estarmos mais juntos, que sempre fora
um prazer nos ver ali, pois parecíamos ter muita coisa para dizer
um ao outro. Como se me fizesse bem ouvir isso agora!"
As duas observações — eu sabia que isso ia acontecer ou não posso
acreditar que uma coisa dessas aconteceu — deixam você sem saber o


que dizer, porque a fazem imaginar se tudo na vida que viveu até
recentemente foi uma mentira, um engano.
É preciso dizer alguma coisa, mas o quê?
Será útil para sua recuperação e bom para seu papel social no
mundo, se você conseguir dizer algo simples, neutro, talvez até um
pouco altivo.


• Quando alguém lhe diz que sabia da outra mulher, ou que "ele a
enganou durante anos", provavelmente esteja achando que você se
sentirá melhor, se souber que rato nojento era seu ex. Na verdade,
essa pessoa está certa, embora seja difícil para você ouvir o que ela
tem a dizer.
Se você ainda vê a sua frente um quadro bonito, dos tempos em que
estava com seu ex, culpando-se pelo fim de tudo e esperando que,
talvez, possa recuperar o que perdeu, isso retardará sua
recuperação. Livre-se do belo quadro e de tais sentimentos. Você
deve pintar um quadro novo, que mostre seu relacionamento com
realismo, incluindo as significativas desilusões.
Além disso, se estiver se encaminhando para o divórcio, pode ser
útil saber das infidelidades de seu ex. Portanto, ouça as informações
que lhe causam sofrimento e suporte com coragem o embaraço de
descobrir que verdadeiros estranhos conheciam detalhes de seu
relacionamento que você mesma desconhecia. Depois, vá para casa
e escreva tudo em seu diário, chame a pessoa que lhe dá mais apoio
e desabafe com ela, falando de sua raiva e de sua mágoa.
Para a pessoa que lhe conta essas coisas, diga simplesmente: "Bem,
acho que posso entender por que escondeu isso de mim até agora.
Vivendo e aprendendo, não?"

• Quando alguém lhe diz que quase desmaiou quando soube,
porque você e ele formavam um par tão bom, tente não romper em
lágrimas nem dizer que também ainda não acredita no que

aconteceu, que nunca haverá outro homem em sua vida, que tem
vontade de matar o traidor e matar-se também. A pessoa a achará
patética, e mais tarde você achará a mesma coisa.

Em vez disso, morda a língua e diga: "Bem, o fim de um
relacionamento é sempre triste, mas agora estou olhando para a
frente, para o futuro".

Você Entra numa Sala Cheia de Gente, e a Conversa Pára no
Mesmo Instante


Se durante algum tempo você e seu ex foram um casal sólido e
pertenceram a um grupo de amigos ou de colegas de trabalho, isso
acontecerá. Nessas ocasiões, não hesite em usar a palavra
"abandonada". É isso o que todas as pessoas que pararam de falar e
ficaram encarando-a estão pensando a seu respeito, e é melhor que
seja você a dizer, com todas as letras.
Por exemplo, se alguém pergunta "Como vai?", responda: "Vou
bem. Claro que não é agradável ser abandonada, mas estou
tentando recordar os bons momentos que tive com George".
As pessoas ficarão surpresas ao ouvi-la dizer isso. Tais palavras
demonstram que você está aceitando o que aconteceu, e as pessoas a
admirarão ao perceber que não fará nenhuma cena. Além disso, dar
um nome a sua condição ajuda a acelerar a recuperação.
Uma mulher conta: "As pessoas me diziam certas coisas, como, por
exemplo, que lamentavam saber que Philip e eu estávamos tendo
problemas, e eu respondia que não era que estávamos tendo
problemas, mas que na verdade eu fora abandonada. Tudo se
tornava mais fácil. Acho que as mulheres que não conseguem
encarar essa palavra e que dizem que seu relacionamento está
atravessando um período difícil ou coisa desse tipo, são aquelas que
mais correm o risco de continuar desse jeito durante anos. Talvez


tenham a esperança de que, de uma maneira ou outra, seus homens
voltarão para elas. Disfarçam a realidade, pois esperam que tudo
acabe bem. Simplesmente estão fugindo da verdade".

De Repente, sem Mais nem Menos,
Você Sente que Está Perdendo o Autocontrole


É difícil reaparecer sozinha em sua velha turma. Você vai indo
muito bem; então, de repente, acha que não suportará aquilo por
nem mais um minuto.
Não corra para a porta, querendo fugir. Fique firme e se sentirá
fortalecida por sua própria demonstração de coragem e também
com mais confiança no futuro. Pratique técnicas de sobrevivência,
como estas:

• Se sentir os olhos cheios de lágrimas, reprima-as, erguendo o
olhar para o teto.
• Não beba demais. Sóbria, você até pode chorar e falar de seu
sofrimento, ou dar algum tipo de espetáculo, que as pessoas a
perdoarão. Mas se estiver embriagada, ninguém esquecerá, e você
não será convidada para mais nada.
Jane diz: "Meus dois primeiros copos são de água tônica com uma
fatia de limão. No segundo, permito-me colocar um pouco de
vodca. O resto das pessoas já está dois ou três drinques alcoólicos a
minha frente, o que é bom".

As Pessoas a Encorajarão a Falar Mal do Homem que a Deixou

Talvez elas estejam querendo ser gentis, quando sugerem que você
deixe escapar um pouco do vapor de sua raiva, achando que isso a


ajudará a sentir-se melhor. Outras, no entanto, não tão gentis,
podem estar desejando desenterrar um pouco de sujeira.
Amigos que uma abandonada e seu ex têm em comum podem ficar
realmente furiosos com o comportamento do homem e dizer isso a
ele. Depois, então, contam a ela que o fizeram.
Diz uma mulher: "Tim perdeu muito do respeito dos outros. Uma
de nossas amigas levou-o para tomar um café e passou-lhe um
sermão daqueles. Disse-lhe que não queria nem saber o que se
passava dentro da cabeça dele e de suas calças, mas queria que ele
soubesse que deixara uma porção de mortos atrás de si. Depois,
contou-me essa conversa".
Margot conta: "Imaginei que nossos amigos tomariam o partido de
Edward, pois todo mundo o via como um homem forte, inteligente
e decidido, e a mim, como uma mulher submissa e mole. Fiquei
abismada quando todos, ao saberem que ele me abandonara,
disseram que consideravam o comportamento dele abominável e
tornaram-se como meus irmãos mais velhos. E fiquei sabendo que
os amigos com quem Edward jogava pôquer não o convidam mais
para jogar".
Tudo isso pode dar-lhe alguma satisfação. No entanto, tente com
todas as forças não falar mal de seu ex em público. Se outras
pessoas fizerem isso, deixe-as continuar por algum tempo, então
graciosamente encerre o assunto. Classe e dignidade a ajudarão a
ficar acima de tudo e a caminhar para sua nova vida, que incluirá
alguns dos velhos amigos que agora estão criticando seu ex.
Uma abandonada descobriu que em seu círculo de amigos estava
correndo um bocado de conversa a respeito de seu casamento
destruído e do comportamento de seu ex-marido. "Logo depois que
saí da fase de total depressão, fui jantar no Alfredo's com três casais,
velhos amigos meus e de Mitch. Outro amigo parou em nossa mesa
para nos cumprimentar e começou a falar mal de Mitch. Eu, então,
disse a ele que não desejava aquele tipo de conversa, que gostava de
me lembrar dos bons momentos que tivera com meu marido, não de


comentar os erros dele. Esse amigo, Peter, ficou tão espantado que
contou à cidade toda o que eu dissera."
Esse tipo de observação realmente deixa os homens perplexos,
especialmente os amigos e conhecidos, que passam a considerá-la
uma mulher de muita classe. As pessoas desejarão sua companhia,
muito mais do que se você falar com amargura, dizendo que
homem horrível George é. Deixe os outros chegarem à conclusão de
que ele não vale nada.
Resumindo, você pode, em público, mostrar que está magoada, mas
não se torne maldosa. Lembre-se de que está construindo uma nova
vida e de que precisa tomar cuidado para não afastar as pessoas de
você.

As Pessoas lhe Darão Informações Úteis

Conhecidos e amigos comuns, que desaprovam o comportamento
de seu ex, podem saber o que está acontecendo na vida dele e,
assim, contar a você coisas que podem ser úteis.
Um abandonada, cujo ex alardeava que ficara na pobreza, soube,
através de um conhecido dos dois, que o sujeito comprara uma
propriedade para alugar. Outra ouviu de um amigo que seu ex ia
fazer um cruzeiro com a nova namorada e os dois filhos dela.
Assim como não gostaria de não ter sabido das traições dele, você
provavelmente também não quer ouvir essas novidades que a
enfurecem ou magoam. Mas podem ser informações úteis se, por
exemplo, você e seu ex estão envolvidos num processo judicial de
partilha de bens. Mesmo preservando sua dignidade e não
deixando que a maledicência corra solta, você será prudente se
mantiver as antenas ligadas, prestando atenção a esses detalhes.
Quando alguém Lhe der uma informação que poderá ser útil,
agradeça.


As Pessoas lhe Dirão Tolices

Muitas desejam ajudar e dar conforto. Mas às vezes não conseguem.
Diz uma mulher: "A verdade é que as pessoas não sabiam o que me
dizer. Anos atrás, tive um aborto e me lembro de que fiquei
surpresa com a reação dos outros. Algumas pessoas foram ótimas e
conseguiram dizer as coisas certas. Outras, no entanto, nem sequer
tocaram no assunto, como colegas de trabalho e vizinhos, que
tinham conhecimento do que acontecera, ou, então, portaram-se de
modo desajeitado, até mesmo insensível. Houve aquelas que
fizeram um interrogatório, querendo saber de quantos meses eu
estava, se perdera o bebê em casa ou no hospital. Acho que estavam
tentando mostrar interesse, mas só conseguiram me deixar pior.
Outras ainda diziam que eu ia ter outro bebê, algo que eu também
não queria ouvir no momento. Agora, no que se refere ao fato de eu
ter sido abandonada, a coisa toda está se repetindo. Algumas
pessoas são fantásticas, sabem dar consolo, e outras, que talvez
nunca sofreram traumas na vida, não sabem o que dizer".
Quando as pessoas lhe dizem tolices, você se sente pressionada. Ou
responde agressivamente, dizendo que não é nada daquilo, assim
despertando o antagonismo da outra pessoa e ficando desgostosa
consigo mesma por ter sido hostil, ou sorri e murmura um
agradecimento, mesmo fumegando por dentro.
Você não deve aceitar tolices com um sorriso, nem reprimir uma
resposta apenas para não desapontar quem disse uma suposta
gentileza. O certo é esclarecer as coisas sem ser agressiva. Você se
sentirá melhor e também estará prestando um pequeno serviço
público para as futuras abandonadas do mundo. A pessoa a quem
você educar dessa maneira pensará duas vezes antes de fazer uma
observação insensível ou contundente a uma mulher ferida. O que
você poderá ouvir? Como responder?


Sete Comentários Tolos e Como Responder a Eles

1) "Oh, querida, como vai?"

Um certo tom de condescendência na voz da pessoa sugere que ela
não está nem um pouco preocupada com seu bem-estar, mas que
deseja ter o prazer perverso de ver você debulhar-se em lágrimas.
Nesse caso, minta: "Estou ótima, obrigada por perguntar".

2) "O que não mata, deixa mais forte."

Conta uma mulher: "Lembro-me de que por muito tempo, depois do
que aconteceu, eu ainda dizia a mim mesma que ia dar um soco na
próxima pessoa que dissesse que aquela experiência ia me deixar
mais forte".

A isso, responda: "Você tem razão, mas eu preferia aprender de
outra maneira a suportar golpes duros".

3) "Encontrei-me com George, outro dia. Ele está com
ótima aparência (ele está com péssima aparência)."

Nas primeiras semanas, depois de finalmente voltar ao mundo,
você não precisa dessas informações sobre seu ex. (Claro, você está
morrendo de vontade de saber dele, mas deve sufocar esse desejo.)

A pessoa que lhe diz que seu ex está ótimo revela uma ponta de
maldade. A que lhe diz que ele está um trapo, acha que essa notícia
a deixará feliz (e talvez deixe). Em qualquer um dos casos, não se
deixe envolver. Assuma uma atitude que diga: "O que acontece com
George não me interessa mais". Isso a ajudará, pois não permitirá
que se agravem sentimentos que você está tentando superar.
Diga: "Acho que todos nós nos encontraremos com George, durante
muitos anos".


4) "Eu sei como você está sofrendo, querida. Também passei por
isso."

Viúvas costumam dizer isso a mulheres casadas que foram
abandonadas por seus maridos, mas na realidade não conhecem
esse sofrimento, não passaram por isso. Perderam seus homens, mas
eles gostariam, presume-se, de continuar vivendo para ficar com
elas, enquanto que o homem que você perdeu está vivo e preferiu
ficar com outra mulher, com a qual deve estar se divertindo muito.

Uma viúva naturalmente também sofre, mas não tem de suportar,
além da dor da perda, a humilhação e o insulto, nem corre o risco
de se encontrar com o ex-marido e seu novo amor.

Diga à viúva que lhe diz isso: "Sei como você sente a falta de Harry,
como é grande o vazio que a morte dele deixou. Mas é claro que ele
adoraria ficar com você. George, por outro lado, está vivo e não quer
ficar comigo".

Essa, sem dúvida, é uma resposta que fará uma viúva sentir-se
melhor. E você, pelo menos, não aceitará, por mera gentileza,
deixar-se levar por um caminho enganoso.

5) "Você está indo muito bem."

Diz Toni: "Os comentários que mais me irritavam eram aqueles
banais, que faziam para me animar, do tipo você está indo muito bem,
você encontrará uma outra pessoa, ou veja como já progrediu. As pessoas
os faziam com a melhor das intenções, mas ninguém levava em
conta que naquele momento, diabos, eu não achava, de jeito
nenhum, que estava indo bem. Faziam esses comentários, mas
ninguém me convidava para jantar fora".

Os você-está-indo-muito-bem, tudo-vai-acabar-bem, e por aí afora,
vêm de pessoas que julgam que para você não será tão difícil assim


voltar à vida normal. Pensam dessa maneira porque, não tendo
passado pelo que você está passando, não fazem idéia do que seja.
Diga: "Na verdade, passo alguns dias muito bem, e outros, muito
mal. Acho que vai demorar um pouco para tudo voltar ao normal".

6) "Avise, se precisar de alguma coisa."

Essa é uma oferta de ajuda tão vaga, que é bem possível que não
seja sincera.

Uma abandonada, no período entre o dia em que o marido saiu de
casa e a época em que foi feita a partilha de bens, passou por
grandes dificuldades, tendo até de economizar na comida. Duas de
suas amigas fizeram essa oferta várias vezes, e ainda lhe
perguntavam se ela estava precisando de dinheiro. Um dia, vendo-
se sem um centavo, ela pediu a uma delas um empréstimo de
duzentos dólares. A amiga respondeu que no momento também
estava apertada e não podia ajudá-la, deixando-a muito
constrangida.

Quando uma amiga disser "Avise, se precisar de alguma coisa",
responda que agradece a oferta, que no momento não está
precisando de nada, mas que talvez possa vir a precisar de alguém
que tome conta das crianças por algumas horas, que lhe empreste
algum dinheiro ou o carro, e que é bom saber que pode contar com
ela.

7) Graças a Deus, você não tem filhos, de modo que não precisa
entrar em contato com aquele sem-vergonha.

Certo, você não terá de enfrentar o processo estressante de marcar
dias de visita, entregar seus filhos à mulher de seu ex nos fins de
semana, nem ouvi-los elogiar a torta de maçã que ela faz. Mas essa
observação a respeito da falta de filhos pode provocar reflexões
infelizes, que é o que você está tentando evitar.


Laura conta: "Muitas pessoas me disseram isso, e eu lhes dava razão
porque, de fato, não queria mais aquele homem entrando em minha
vida. Por outro lado, quando nós dois ainda estávamos juntos,
costumávamos falar em ter filhos. Era parte dos planos que eu fazia
para nossa vida em comum. E ainda espero ter um filho, um dia.
Contei isso a uma amiga, recentemente, e ela disse que sim, que eu
terei. Então pensei que talvez isso não aconteça, por causa de minha
idade, como minha avó gosta de salientar. Ela me pergunta por que
não fico grávida e depois me caso, ou então simplesmente fico
grávida, sem me casar".

A essa observação de "felizmente você não tem filhos" responda: "É
verdade, sei que tudo seria mais difícil, se houvesse filhos
envolvidos. Mas lamento não ter nenhum, de modo que a esse
respeito minhas emoções estão confusas".

Algumas Pessoas, Antigamente Amigáveis, Mantêm-se em
Silêncio


Se há pessoas que fazem observações tolas, há também aquelas que
simplesmente não dizem nada. Muitas abandonadas contam que,
depois da separação, as pessoas dividiram-se em dois grupos:
amigos delas (normalmente mulheres, mas também alguns homens)
e amigos do casal. Quando você não faz mais parte de um casal,
seus amigos e de seu ex normalmente desaparecem.
Mais adiante falaremos de sua vida social partida e de como
reconstruí-la. Por enquanto basta que saiba que seu nome não mais
constará de muitas listas de convidados ou que, se você e seu ex
faziam parte de um grupo de casados, talvez eles a excluam de
reuniões, encontros de fins de semana, ou outras atividades de que
vocês dois participavam.


Para voltar ao mundo como recém-abandonada é preciso ter
coragem e energia. Mas agora o pior já passou

3
Seu Ex
Fora de Sua Cama, mas Ainda em Sua Vida


Depois que passa o choque causado pela traição dele, quando uma
fina camada de tecido começa a se formar sobre o ferimento em sua
alma, você pensa no tipo de ligação que deseja ter com seu ex, ou
decide que não quer nenhuma. Mas suponha que queira. Essa
ligação tem muito a ver com as circunstâncias de seu caso em
particular.

• Antes do fim do relacionamento vocês dois se viam com
freqüência, mas ele morava na casa dele, e você, na sua. Ele tinha
seu emprego, sua mobília, seu carro, e você tinha os seus.
Como vocês eram independentes nos aspectos financeiro e prático,
embora não emocionalmente, o rompimento pode ser limpo e
rápido. Você nunca mais precisará ver seu ex. Mas, talvez, isso seja
necessário por qualquer uma das razões sobre as quais falaremos
mais tarde. Você precisa entrar em contato com ele? Como fazê-lo?

• Apesar de vocês não planejarem casar-se, ainda, moravam juntos
e, de certa maneira, era como se fossem casados. Compraram um
aparelho de som, por exemplo, cada um pagando a metade do
preço. Você sente a ausência dele de modo quase físico. Precisa tirar

de seu espaço e de sua mente tanto o próprio homem como todas as
coisas dele.

• Você foi abandonada por seu marido. Vocês têm filhos. Talvez
dinheiro e a questão das visitas às crianças não sejam problemas
grandes demais, ou talvez sejam — os filhos estão confusos, você
fica sem dinheiro, existe a ameaça de um exaustivo processo
judicial. Muitos assuntos e certos detalhes exigirão a atenção de
vocês dois, e sua ligação com seu ex será complexa e aparentemente
interminável.
Seja qual for seu caso, você deve agir do modo mais sábio para
proteger sua sanidade, sua segurança futura, sua felicidade. Até o
menor contato com o homem que a deixou pode ser estressante e
doloroso. E você enfrenta muitas dificuldades:

Precisa vencer qualquer desejo de ataque. Principalmente se vocês
têm bens em comum e/ou filhos pequenos, uma grande dose de
educação e boa orientação jurídica a ajudarão a conseguir o que
quer e o que as crianças precisam.

Deve combater incessantemente o impulso de tentar descobrir o que
está acontecendo com ele e a mulher que a substituiu.

Tem de tirar de sua casa as coisas dele, além de precisar suportar
súbitos ataques de agonia por estar morando sozinha num espaço
que dividiu com ele.

Quando, ou se, você fala com o homem que a abandonou a respeito
de qualquer uma dessas coisas, ele pode fazer comentários
surpreendentes, contundentes ou que despertam sua fúria.


Veremos aqui algumas regras que você precisa seguir para não
cometer erros custosos e humilhantes enquanto atravessa esses
tempos difíceis.

Regras Referentes a Conversas Telefônicas:
Oito Dicas Sensatas


Se você está seguindo os conselhos deste livro, não tentou entrar em
contato com seu ex durante o período em que se arrastou,
gravemente ferida, a menos que fosse absolutamente inevitável, por
motivos de ordem prática. Quando achava que não conseguiria
impedir-se de telefonar para ele, vencia a tentação e, então, ligava
para um membro de sua equipe de apoio.
Agora, no entanto, você precisa falar com ele de tempos em tempos,
provavelmente para tratar de assuntos concernentes à demolição de
sua vida conjunta. Ou, talvez, porque se sinta mais forte, tenha
vontade de conversar com ele, para obter algumas respostas ou para
dizer-lhe o que pensa sobre o que aconteceu.
Tenha cuidado. Você não está tão fortalecida quanto julga, e ouvir a
voz dele poderá reavivar sua dor e tirá-la dos trilhos. E quando você
sai dos trilhos, corre o risco de dizer coisas de que se arrependerá
depois e dá vários passos para trás no caminho que a levará à cura.
Para manter contato telefônico cordial e seguro com seu ex, siga
estas regras:

1) Não ligue para ele, levada por um impulso repentino.

Planeje o telefonema com antecedência. Você não pode confiar em si
mesma para ter uma conversa natural, nem que pretenda apenas
perguntar-lhe como ele está.

2) Não ligue para ele num momento de raiva.


Uma mulher ligou para o celular de seu ex, furiosa, pois acabara de
saber que, sem consultá-la, ele baixara o preço do apartamento
deles, que fora posto à venda. Pelo tom hostil da voz dele e seu
modo hesitante de falar, ela compreendeu que ele estava com a
namorada.

Telefonar quando está no auge da fúria é uma má idéia. Você não
alcançará o objetivo que pretendia, apenas tornará as águas ainda
mais turbulentas.

3) Não ligue para ele por volta de meia-noite ou depois.

Várias semanas após ter sido abandonada, uma mulher telefonou
para o apartamento de seu ex, no meio da noite, e disse que não
estava conseguindo dormir, que achava que ele também ainda não
dormira, e perguntou se podiam conversar. Ele respondeu que não
queria conversar, e ela desligou, enraivecida e magoada.

Não é uma boa idéia telefonar tarde da noite. Se você está acordada,
andando pela casa, às três da madrugada, e acha que precisa
conversar com o homem que a abandonou, é porque continua em
estado lastimável. A última coisa de que você precisa é ouvir a voz
dele, provavelmente com a outra mulher por testemunha.

Se ele lhe telefona regularmente por volta de meia-noite, para
discutir qualquer assunto que precise ser acertado, recuse-se a
conversar. Pode ser que seu ex esteja querendo pegá-la quando você
está cansada e com a mente confusa. Diga: "Não posso conversar
agora, George, mas você pode me ligar amanhã de manhã. Estarei
em casa entre dez e onze horas. Boa noite".

4) Não ligue para a casa em que ele está morando com a outra.

Só faça isso se um de seus filhos ficar doente. Do contrário, quando
for necessário entrar em contato, ligue para o local de trabalho dele.


5) Se ele tem um assistente, no trabalho, mantenha ou estabeleça
boas relações com essa pessoa.

Diga: "Jenny, sei que isso é desagradável para nós duas e não quero
colocá-la numa situação difícil. No entanto, às vezes, precisarei falar
com George". Seja educada. Essa pessoa poderá ser útil no futuro.

6) Quando precisar falar com ele para tratar de assuntos
práticos, marque uma hora para isso.

Não ligue, por exemplo, às nove da manhã, dizendo à assistente
dele, ou deixando recado na secretária eletrônica, explicando que
precisa falar com George antes das nove e meia. Diga: "Preciso ter
uma conversa de dez minutos para tratar de três assuntos. Estarei
livre para isso na terça-feira de manhã ou na quarta à tarde, entre as
três e as cinco horas".

7) Faça anotações antes e durante a conversa telefônica.

Se ele e você estão negociando a partilha de bens ou estabelecendo
como serão as visitas às crianças, anote o que deseja falar ou
perguntar. E surpreenda-o, não ultrapassando o limite do tempo
que marcou para a conversa. Diga: "George, só tratamos de dois dos
três assuntos que precisávamos esclarecer, mas os dez minutos
esgotaram-se. Quer continuar agora, ou prefere deixar o resto para
amanhã?"

Uma atitude assim formal é o ideal. É de seu maior interesse, a
longo prazo, que ele perceba que um telefonema seu não acabará
em briga ou choradeira de sua parte. Se sentir vontade, xingue e
chore à vontade, mas só depois que desligar.

Anote o que ele diz, pois isso poderá ser útil numa conversa
posterior.


8) Se pensar em telefonar para sugerir que se encontrem para
almoçar ou tomar um drinque, sem ressentimentos, sem
acusações, apenas para conversar como amigos, pare e reflita.

Pode ser benéfico ver novamente o homem que a abandonou,
embora não seja necessário, se for para você assegurar-se de que o
está esquecendo, para saber como ele está, para ganhar um pouco
mais de auto-respeito se, quando ele a deixou, você chorou, gritou,
fez coisas embaraçosas na tentativa de fazê-lo ficar, ou para deixar a
raiva para trás, de uma vez por todas, para criar confiança, para
restabelecer uma amizade que lhe é preciosa.

Mas, antes de fazer algo assim, você deve ter saído completamente
do período de fraqueza. Na última seção deste capítulo "A Poeira
Baixou. Vocês Dois Podem Ser Amigos?", você encontrará algumas
perguntas que deverá fazer a si mesma para determinar se
suportará vê-lo de novo, e algumas sugestões sobre como ter um
encontro bem-sucedido.

Conversando com Ele:
13 Coisas Espantosas que seu Ex Pode lhe Dizer
e Como Responder a Elas


Em conversas por telefone ou encontros, quando seu ex talvez ainda
esteja no auge do romance com a nova mulher de sua vida, ele pode
lhe dizer coisas de explodir o cérebro. Você ficará surpresa com a
frieza dele, assombrada, mesmo, porque agiria de forma totalmente
diversa, se as posições fossem invertidas, digamos, se você tivesse
fugido com Mel Gibson. Você sentiria um pouco de compaixão,
para não mencionar que teria educação, e nunca o humilharia.


Às vezes, poderá impedi-lo de continuar ou até tentar corrigir os
erros de interpretação dele. Em todo caso, é bom você saber o que
pode ouvir do homem que a abandonou.
As mulheres a quem entrevistei relatam algumas das coisas que
ouviram:

1) "Barbie e eu estamos pensando em passar alguns dias no
Havaí."

Ele não vê nada de errado em lhe falar de sua nova mulher, nem
dos planos que os dois estão fazendo. A menos que essas
informações sejam importantes para sua vida, você não precisa
ouvi-las. Se ele começar a falar da outra mulher, interrompa-o. Diga:
"George, prefiro não conversar sobre Barbie". Então, volte ao
assunto de que estavam tratando. Não interessa se Barbie foi
assaltada ou se ganhou na loteria. Não aceite conversar sobre ela,
em nenhuma circunstância.

2) "Eu realmente amo aquela mulher."

Enquanto ainda estiver todo apaixonado pela outra mulher, ele
poderá de fato dizer isso, sem se importar com a possibilidade de
estar Lhe desferindo um golpe doloroso.

Diz Sheila: "Nós nos encontramos algumas semanas antes da
assinatura do divórcio, para tentar um entendimento sobre a
partilha de bens, e no fim da conversa ele me disse que estava muito
feliz, que tomara a decisão certa, que amava Martha demais.
Acrescentou que sabia que eu não desejava ouvir aquilo, mas que
ele precisava dizer que a amava e que aprendera muito sobre
relacionamentos e comunicação entre duas pessoas. Fiquei calada,
pensando que ele era um miserável, cruel e insensível. Como tinha
coragem de, sentado à mesa comigo, que tecnicamente ainda era
sua esposa, dizer-me quanto amava outra mulher? Furiosa e magoada,
repliquei que era bom para ele ter aprendido sobre


relacionamentos, mas que, para ser franca, aprendera à minha custa.
Disse que não desejava que ele ficasse doente ou coisa assim, mas
que desejava, com todas as forças, que um dia Martha, ou outra
qualquer, o ferisse tão profundamente quanto ele me ferira".

Mais tarde, Sheila arrependeu-se dessa explosão, pois a réplica
soara imatura e amarga, mesmo a seus próprios ouvidos.
Se seu ex começar a falar do novo amor de sua vida, lute contra a
tentação de lembrá-lo da dor que lhe causou. Mesmo que o faça
sentir-se culpado, nada mudará. Você só estará atiçando as brasas
de sua própria fúria.

Mas não o deixe falar da outra. Diga com simplicidade e calma:
"George, não adianta. Não vou conversar sobre Barbie".

3) "Nunca amei você de verdade."

Isso é muito pior do que "Eu realmente amo aquela mulher". É como
se ele estivesse cravando um punhal em seu coração.

Ou agora ele a vê como uma inimiga a quem deseja ferir ainda mais,
ou dá essa explicação para justificar seu mau comportamento.
"Sabe, foi um grande erro, não era para termos nos casado, de
maneira que eu tinha de ir embora."

Diga em tom amigável: "Acho difícil acreditar nisso. Parece que
você está reconstruindo a história para atender a suas necessidades
e sentir-se melhor. De qualquer modo, não quero ouvir isso agora,
nem entrar numa discussão a respeito de seus sentimentos".

4) "Eu não queria magoar você."

Isso é frase de novela de televisão. Faz alguma diferença, se ele quis,
ou não, magoá-la? Nenhuma.


Não tenha uma explosão de raiva, mas também não o deixe sair
impune com essa tentativa melodramática de justificar-se.

Diga: "Mas me magoou. E muito. Esse é um fato com o qual você
terá de conviver".

5) "Você nunca gostou de meus amigos."

Em outras palavras, foi tudo culpa sua.

Se agora ele está sugerindo que as coisas teriam sido diferentes, se
você ao menos se esforçasse para gostar dos amigos, dos irmãos, ou
da mãe dele, se apreciasse, como ele, filmes estrangeiros, se não
estivesse tão envolvida com sua própria profissão, dá para perceber
aí uma péssima tentativa de pôr a culpa do rompimento em você.

Mais uma vez, não o deixe sair impune. É possível reconhecer que
houve um ponto de conflito, se isso existiu, sem aceitar a culpa.

Diga: "Estou certa de que você seria mais feliz, se eu não tivesse de
passar tantas horas trabalhando, mas você nunca deu nenhuma
indicação de que meu trabalho representava um enorme problema
entre nós. De qualquer modo, isso não justifica a maneira como você
terminou o relacionamento. Mas não vamos falar sobre esse
assunto".

6) "Você sempre foi fria."

Essa é outra das observações dolorosas que significam "foi tudo
culpa sua". É possível que suas relações sexuais tenham diminuído
e até cessado, um pouco antes de ele abandoná-la. E agora, ele a
acusa de frieza.

Uma mulher conta: "Eu era o obstáculo, e ele de fato passou a me
odiar. Assim, agora, ele precisa dizer qualquer coisa que o faça


sentir que não foi o vilão da história, e alega que nossa vida sexual
era uma porcaria".

Não aceite esse tipo de acusação. Diga: "Não pretendo discutir a
respeito de qual de nós não tinha um bom desempenho sexual".

7) "Barbie e eu ainda não fizemos sexo."

O homem que ainda não possuiu realmente a nova mulher que
encontrou, acha que você se sentirá melhor, se ele lhe contar isso.
Não compreende que saber se os dois já dormiram juntos, ou não, é
uma de suas menores preocupações.

Uma abandonada comenta: "Não é tanto a infidelidade física que
aborrece, mas a traição emocional, a traição a seu relacionamento, a
sua intimidade. O homem começa uma vida com outra pessoa,
quando sua mulher ainda pensa que é tudo para ele. Pouco importa,
se os dois dormiram juntos, ou não".

Você pode tentar explicar isso a seu ex, se quiser, mas ele não
entenderá. É melhor dizer: "George, eu já disse que não quero
conversar com você a respeito de Barbie".

8) "Eu estive envolvido com outra mulher, antes de Barbie."

E normal o homem que a abandonou querer purificar-se,
confessando coisas que terão o poder de machucá-la mais uma vez.
Ele dirá que, nos dez anos em que vocês estiveram juntos, ele foi fiel
durante cinco.

Se seu ex começar a lhe contar outros casos que teve, corte o
assunto, a menos que ache que essas informações possam ser úteis
no processo de divórcio.


Diga: "George, isso agora não importa". Ou peça-lhe para fazer um
teste de HIV e outros que detectem doenças transmissíveis
sexualmente (veja a página 97).

9) "Não há outra mulher."

É quase certo que ele esteja mentindo, porque, ou é covarde demais
para confessar, ou acha que a está ajudando a suportar o desastre,
bondosamente. De fato, essa declaração deixa você completamente
arrasada, como se ele dissesse: "Não há outra mulher em minha
vida, mas eu quero me livrar de você, sua bruxa".

Um homem, ao avisar a esposa que ia sair de casa, explicou: "Não
quero continuar casado, só isso. Casei-me muito jovem, e foi um
grande erro. Preciso viver sozinho". Ela descobriu, bem depois, que,
quando a deixou, ele estava tendo um caso que já durava dois anos.
Antes de saber disso, ela tentara fazê-lo mudar de idéia, dizendo:
"Estamos casados há catorze anos, temos dois filhos, não pode estar
tudo acabado. Vamos procurar um conselheiro matrimonial, sair de
férias. Ou você está envolvido com outra mulher?" Ele respondeu
que não havia ninguém, e ela acabou por achar que ele era gay.

Você não ganha nada, discutindo, quando ele diz que não existe
outra mulher. Diga simplesmente: "Está certo, ótimo".

10) "Eu sabia que você superaria tudo."

Ele acha que está lhe fazendo um elogio.
Diga: "Oh, não comece novamente a me subestimar, George. Fiz
muito mais do que superar". Ele ficará imaginando o que você quis
dizer com isso.


11) "Eu sempre cuidarei de você."


Isso é ótimo, mas não acredite. Essa intenção generosa pode
significar apenas que no momento ele está se sentindo culpado, e é
bom que esteja mesmo.
Diga: "Está certo, George, falaremos sobre isso mais detalhadamente
daqui a alguns meses".

12) "Nós tivemos bons momentos, não tivemos?"

Nos últimos tempos de seu relacionamento ele se mostrava hostil e
distante, e agora pega você desprevenida, bancando o gentil, o
carinhoso, ansioso por fazer um passeio pela alameda das
lembranças. Não tem mais motivação para comportar-se mal
porque já alcançou seu objetivo, que era livrar-se de você. Não tome
essas referências a alegres momentos do passado como um sinal de
que ele está querendo consertar as coisas e reatar o relacionamento.

Se você estiver emocionalmente preparada para fazer esse passeio
pela alameda das lembranças, divirta-se recordando, mas, se não
estiver, diga: "Tivemos bons momentos, sim, mas, para ser franca,
acho doloroso falar sobre isso agora".

13) "Foi bom você ter sugerido que almoçássemos juntos,
gostei de conversar com você, mas acho melhor não
fazermos mais isso."

Ai! Você propôs um encontro amigável, que correu bem, estava se
sentindo ótima, porque percebera que podia ver seu ex e falar com
ele sem que ressurgissem antigos sentimentos e tentações. Agora,
com ele informando de maneira inequívoca que não está
interessado em manter uma ligação de amizade com você, a
satisfação do momento desaparece. Mas você superará isso também.
E alcançou o objetivo que desejava alcançar.


Espere um instante, para recuperar o equilíbrio que perdeu
momentaneamente, então diga com um sorriso: "Também gostei do
encontro. Foi bom ver você".

Por trás de todas essas observações frias que ele faz, esconde-se
uma espantosa falta de consideração por você e por seus
sentimentos. Já disseram que o oposto do amor não é o ódio, mas a
indiferença. Quando conversar com seu ex nos primeiros meses
após ter sido abandonada, você ficará atônita ao notar como a
infidelidade e a traição pesam pouco na consciência dele. O homem
que a abandonou agirá como se tudo tivesse simplesmente acontecido,
sem sua participação. Esteja mentalmente preparada.

Você, Seu Ex e a
Nova Mulher Dele


Embora esteja lutando bravamente contra todas as tentativas que ele
faz para lhe falar das coisas boas que estão acontecendo em sua vida
amorosa, no fundo você gostaria de saber coisas a respeito da outra
mulher. Na verdade, isso se torna uma obsessão. Como ela é? Por
que ele preferiu ficar com ela, em vez de com você? Pare com isso.

1) Não os espione.

Uma abandonada descobriu que ver os dois juntos teve efeito
benéfico, como se finalmente fosse colocado um ponto final em todo
aquele episódio horrível.

Brenda conta: "Eu soube que Stan ia levar a nova namorada à
abertura de uma exposição no museu e fui lá especificamente para
vê-los. Vi-os, eles não me viram. Observei-os por algum tempo,
então fui embora. Acho que antes disso não acreditava de fato de
que tudo terminara entre mim e Stan. Foi uma tortura, mas serviu


para que eu encarasse a realidade, desistisse dele e desse
prosseguimento a minha vida".

Para a maioria das mulheres, porém, tentar descobrir coisas a
respeito da outra mulher é o mesmo que arrancar a casca de uma
ferida. Isso atrasa a recuperação e gera sentimentos nada saudáveis.

Por exemplo, a raiva de Susannah contra o homem que a
abandonou era virulenta. "Nos fins de semana, eu passava de carro
pelo estacionamento onde ele guardava o carro, para ver se o
veículo estava lá, ou não. Quando eu sabia que ele saía da cidade
em viagens de negócios, telefonava para o escritório da namorada
dele e desligava quando ela atendia. Por que eu fazia isso? Por que
me importava com eles? Estava me humilhando, mas não podia
parar."

Se você também se vê compelida a vigiar os passos de seu ex, deve
dar um fim nessa fixação, abrindo-se com a pessoa que é sua
principal fonte de apoio ou com um psicólogo. Quando pensar em
pôr um chapéu e óculos escuros, tomar um carro emprestado e ficar
perto do prédio onde ele mora, observando suas idas e vindas,
convide a pessoa que mais lhe dá apoio para acompanhá-la numa
corrida por uma pista de atletismo.

2) Não telefone à nova mulher de seu ex para xingá-la, nem lhe
mande fotos em que você aparece com ele, recordações de tempos
felizes.

Um grande erro. Você fará papel ridículo. Além disso, a verdade é
que, mesmo que seu ex a tenha deixado pela outra mulher, ela não
foi a causadora disso. A outra mulher pode ter abalado seu
relacionamento, mas não o fez terminar. Ele fez. Lembrar isso ajuda
muito.


3) Procure evitar de comparar-se com ela.

Isso é difícil. O que a nova mulher de seu ex é faz parte do quadro e
influencia o modo como você organizará tudo em sua mente.
Mesmo que você não a tenha visto, conversado com ela, é provável
que saiba alguma coisa a seu respeito. Então, faz a comparação, e
isso pode levá-la a tirar uma de duas conclusões:

• Comparada com você, ela é um ser superior.
Uma abandonada soube que a namorada de seu ex, psicóloga
infantil, tivera sua tese de doutorado publicada e era, além disso,
uma excelente cozinheira que fizera curso na Cordon Bleu, na
França. E era linda.
Você receberá informações desse tipo e ficará remoen-do-as em seu
coração. Embora, talvez, reflita que a dor em sua alma seria a
mesma, não importando por quem ele a tivesse trocado, o golpe em
sua auto-estima não será menos grave, se ela for vinte anos mais
jovem, advogada criminalista e fique linda de jeans.

• Comparada a você, ela é um ser inferior.
Amélia sabia muita coisa a respeito da outra mulher, e isso apenas a
fez sentir-se ainda mais rejeitada. Ela conta: "Ele não está com
nenhuma cientista espacial. Ela é uma mulher que fala errado e
gosta de brincadeiras de mau gosto, como atirar pessoas na piscina
sem que elas esperem. E o duro é que meu ex disse que não me
queria mais, que queria aquela mulher. Então, penso o que pode
haver de tão errado comigo, se ele me trocou por aquilo?'
O marido de Alex, depois de dez anos de casamento, abandonou-a
para ficar com Polly, que se tornou sua nova esposa (a terceira). Diz
Alex: "Nós conhecíamos Polly superficialmente, porque o filho dela
e o nosso estavam na mesma classe, na escola. Ela não é uma pessoa
atraente, e sua linguagem é grosseira. Além disso, é de
conhecimento geral que ela ia para a cama com qualquer um. Que

ele tenha me trocado por ela foi duro de engolir. Se me deixasse
para ficar com Michelle Pfeiffer, eu até entenderia. Mas ele me
trocou por Polly. O que sou, então?"

Se seu caso é semelhante ao de Alex, você deve lutar contra a
sensação de rebaixamento, causada pela escolha dele. Supere esse
sentimento, esqueça as comparações, que apenas minarão sua
energia emocional e retardará seu progresso. Não servem para nada
de bom.

4) Diga a seu ex de que modo deseja que ele se comporte com
você, no que diz respeito à outra mulher.

Como é melhor saber, ouvir, falar de Barbie o menos possível, você
deve pedir a seu ex que siga certas regras no que se refere a ela. Não

o deixe contar-lhe coisas que a farão sentir-se mais emocionalmente
traída do que já se sente. Talvez ele a atenda, talvez não, mas pelo
menos você disse o que tinha de dizer e expôs seus sentimentos.
Uma mulher e seu namorado dividiam uma casinha de temporada
no campo, onde passaram muitas horas felizes. Ela conta: "Quando
rompemos, eu disse a Paul que precisávamos decidir o que fazer
com a casa e sugeri que quem ficasse com a propriedade poderia
fazer o que quisesse com ela, mas que até que isso acontecesse eu
não levaria outro homem lá e não queria que ele levasse Connie,
porque ainda era nossa casa e devíamos respeitar esse fato. Eu quase
suportava melhor imaginá-lo fazendo sexo com a outra mulher, do
que levando-a àquela casa. Era terrivelmente doloroso visualizá-la
na cozinha ou no jardim. Ele concordou com meus termos. Mas não
os respeitou. Descobri, através de uma vizinha que tínhamos no
campo, que ele esteve lá, fazendo uma festa com Connie e a família
dela".


Lembre-se do que dissemos: quando um homem a deixa, nada da
vida que vocês tiveram juntos é sagrado para ele. Diga-lhe como
espera que ele se comporte em relação à nova mulher e ao o que
ainda é de vocês dois e espere que ele tenha a gentileza de respeitar
qualquer acordo que seja feito.

Você também tem o direito de pedir informações sobre algo que
possa ter conseqüência sobre sua saúde física. Kate disse a Rory:
"Seu caso com essa mulher começou quando você ainda fazia sexo
comigo. Como você mesmo contou, ela teve um relacionamento
com um homem casado. Houve muitos jogadores nesse jogo, de
modo que você colocou minha saúde em risco. Quero que faça
alguns exames que atestem que não contraiu nenhuma doença".

Rory teve um ataque de raiva. Disse que aquela sugestão era
ridícula, que ele estava bem de saúde e não tinha nenhuma intenção
de passar por exames, porque perdera o direito ao plano de saúde, e
assim por diante. Kate insistiu. Deu alguns telefonemas, descobriu
que ele ainda tinha direito ao plano familiar de saúde e mandou-lhe
por fax uma relação de clínicas e seus horários de atendimento.
Outra abandonada conta: "Na semana em que meu marido foi
embora, escrevi-lhe uma carta, na qual lhe pedia para fazer um teste
de HIV e que me avisasse, se houvesse contraído o vírus. Ele me
telefonou e gritou comigo, alegando que minha carta fora nojenta.
Eu lhe respondi que talvez fosse, pois, afinal, tudo o que estava
acontecendo era nojento".

Havia bons motivos para essas duas mulheres estarem
preocupadas, e elas insistiram e fizeram valer seu direito de saber se
não haviam sido contaminadas. Se houver razões para preocupação,
você mesma deve submeter-se a exames.


No futuro, embora agora pareça inacreditável, você pode pelo
menos deixar de sentir raiva da outra mulher. Pode ser que vocês
duas, um dia, acabem conversando para falar mal do homem que
compartilharam. Isso tem acontecido.
Diz uma mulher, cujos dois filhos tinham seis e quatro anos,
quando o marido abandonou-a: "Fazia tempo que eu conhecia Ellie,
com quem ele foi morar, e com quem mais tarde casou-se. Todos
nós havíamos trabalhado na mesma empresa, e eu sempre gostei
dela. Com o passar dos anos — faz quinze que tudo aconteceu —
descobri que era mais fácil me comunicar com ela do que com meu
ex-marido. Ellie era boa para os meus filhos, algo que eu achava
muito importante. E, ultimamente, quando conversamos, ela se
queixa dele!"
Você pode acabar achando ótimo não estar no lugar da outra
mulher. Conforme a mágoa vai desaparecendo, você talvez comece
a ver seu ex como alguém por quem não valeu a pena sofrer tanto.
Ou, se ele a deixou por uma mulher vinte e cinco anos mais jovem,
ela poderá acabar sendo uma enfermeira para ele, poupando-a
desse trabalho, o que não deixa de ser um pensamento agradável.
Fred, agora com oitenta e quatro anos, deixou a esposa, Joan, que
está com setenta e oito, duas décadas atrás. Fred ainda gosta de ir à
adorável casa de Joan, rodeada por canteiros de flores que exalam
delicioso perfume, todos os sábados à tarde, para conversar, tomar
um Bloody Mary e depois um prato de sopa em sua companhia. No
fim da visita, Joan adora ajudá-lo a vestir o paletó, pois ele agora
sofre do mal de Alzheimer, e leva-o até a rua, virando-o na direção
de sua própria casa.
Ela diz: "Eu ficaria triste, se Fred me deixasse e não tivesse ninguém
para cuidar dele, e fico muito feliz pelo fato de a outra mulher ter
assumido essa responsabilidade. Seria muito pior, se ele houvesse
me abandonado por uma ca-beça-de-vento. Fred sempre foi um
homem bom, apenas bobo no que diz respeito a mulheres".


As Coisas Dele, Suas Coisas,
a Mecânica da Separação

A maioria das abandonadas não fala muito a respeito das disputas
para ver quem fica com quais objetos da casa. A menos que sejam
itens de interesse pessoal ou que esteja em jogo algo de grande
valor, é pouco provável que seu ex deseje tirar de você coisas que
pertenciam à casa que era dos dois.
Os homens, em geral, são como aves que se mudam para outro
ninho com facilidade, por isso quase nunca exigem ficar com objetos
da antiga casa. Além disso, por mais tênue que seja, a culpa que ele
sente por estar abandonando a mulher o impedirá, por exemplo, de
pensar em levar o soía, embora possa pedi-lo mais tarde. E há
também o fato de todas aquelas coisas representarem a vida da qual
ele deseja sair.
Lidar com a divisão dos objetos é sempre mais difícil para as
mulheres, porque elas investem, emocionalmente falando, na
arrumação de seus lares. Aqui vão cinco sugestões que tornarão
essa divisão mais fácil.

1) Marque um horário para seu ex ir buscar as coisas dele
e não esteja em casa, quando isso acontecer.

No caso de vocês não serem casados, mas morarem juntos, ele terá
de ir a sua casa para pegar as roupas e objetos pessoais. Será melhor
para você não ficar lá, observando-o pôr as roupas nas malas, juntar
os apetrechos esportivos, a coleção da revista Mad, algo que terá o
efeito de uma punhalada no peito ou a enfurecerá, como uma
bandeira vermelha agitada diante de um touro.
Melhor ainda, em vez de deixá-lo empacotar suas coisas, faça isso
você mesma, colocando-as em caixas de papelão e deixando tudo
arrumado para ele levar no dia e hora marcados. Você fará isso de
modo mais eficiente do que ele, não se esquecerá de nada, de modo
que não correrá o risco de vê-lo aparecer, semanas mais tarde, em


busca de um velho suéter que deixou pendurado atrás da porta, o
que lhe causará mais sofrimento.

2)Enquanto ele estiver retirando as coisas que lhe pertencem, vá
ver um filme leve com a pessoa que lhe tem dado mais apoio.
Depois, peça a essa pessoa que volte com você para casa e faça-lhe
companhia durante o jantar. Pode ser muito doloroso entrar no
lugar onde você viveu com seu ex e ver que todos os vestígios da
presença dele desapareceram.

O marido de uma mulher com quem falamos tinha uma grande
coleção de antigos relógios de parede, que ele retirou do
apartamento durante uma tarde em que ela estava no trabalho,
conforme fora combinado. Quando entrou em casa, à noitinha, e viu
as paredes nuas, ela se sentiu como se levasse um soco no estômago.
"Nós havíamos pendurado os relógios nas paredes do vestíbulo, e
aquele era o lugar mais interessante do apartamento, um grande
assunto de conversas. Eu gostava da coleção, a qual vira ali durante
anos. Entrar e não ver mais os relógios foi um choque. Senti-me
como se houvesse sido roubada."

Mesmo que as coisas que seu ex removeu ocupassem apenas duas
gavetas de uma cômoda e uma prateleira do armário do banheiro,
você pode ficar muito triste ao ver aqueles espaços vazios pela
primeira vez. É importante, nesse momento, ter uma pessoa amiga
por perto.

3) Se seu ex demorar para ir retirar as roupas e objetos que lhe
pertencem, mande-os para ele.

Se ele se recusar a retirar sua tralha, ou está adiando o momento de
fazê-lo, você mesma terá de cuidar disso. Uma das coisas boas de
ser abandonada é que se ganha espaço nos armários, e você não
precisa retardar esse prazer por causa da negligência de seu ex.
Além disso, poderá ficar tentada a acreditar que, se as coisas da



quele homem continuam em sua casa é porque ele não saiu
realmente de sua vida, uma linha de pensamento contraproducente
que prejudicará seu progresso.

4) Dê ou jogue fora os pertences dele.

Mandar para seu ex as coisas que ele deixou para trás não é nenhum
problema, se tudo couber em dois ou três sacos de lixo ou caixas de
papelão conseguidos no supermercado, que poderão ser
desapachados para o lugar onde ele está morando. Mas será um
problema, se tratar-se de coisas grandes e pesadas. Não se arrebente
toda, nem gaste muito dinheiro para livrar sua casa da tralha dele.
Avise-o para ir buscar suas coisas e estipule um prazo. Se ele não
fizer isso, mande tudo para um bazar de caridade.

5) Tente dividir tudo o que vocês compraram juntos, de
maneira justa e com rapidez.

Como dissemos, a esta altura seu ex provavelmente não exigirá
levar objetos que pertencem à casa. Diz uma mulher: "Pedi-lhe para
ir a nossa casa e fazer uma lista das coisas que ele desejava levar. Ele
respondeu que não se importava com isso, que nem sabia direito o
que tínhamos. Por fim, resolveu aparecer e fui passar a tarde fora,
deixando-o sozinho na casa. Quando voltei, ele não estava mais lá e
nem deixara uma lista. Telefonei-lhe, e ele disse que apenas brincara
um pouco com o gato e fora embora".

Parece tudo muito bom, mas certamente você não quer que, meses
ou até mesmo anos depois, quando estiver se sentindo menos
culpado ou montando um apartamento, ele apareça pedindo o
tapete da sala ou a mesa da sala de jantar. Você não quer isso
porque seria uma nova ruptura em sua vida que a deixaria com
raiva e provocaria facilmente uma briga.
Assim, faça sua própria lista, anotando tudo o que vocês
compraram juntos, e insista em que seja feita vima divisão sensata


dos objetos, móveis, ou seja o que for. Tente ser justa. Não entre em
disputas desnecessárias por causa de coisas que você pode
substituir ou viver sem.

Há outra possibilidade. Talvez você seja obrigada a tirar seu ex de
dentro de sua casa. Não acontece com freqüência, mas algumas
mulheres com quem falamos contaram que, depois de dizer que não
as queriam mais, seus homens recusaram-se a deixar a casa. Em
dois desses casos o motivo foi o dinheiro: havia muito, ou faltava.
O marido de Renée disse a ela que estava envolvido com outra
mulher, que o casamento deles acabara e que seria boa idéia ela sair,
dentro de duas semanas, do elegante apartamento em que viviam.
Conta Renée: "É verdade que foi o dinheiro da mãe de Wally que
financiou a compra do apartamento, anos atrás. Mas foi ele quem
decidiu que devíamos nos separar. Portanto, era ele que tinha de
sair".
Ela e seu futuro-ex-marido viveram sob o mesmo teto durante
meses, até que foram parar diante do juiz. Como o apartamento
tinha catorze cômodos, divididos em duas alas, Renée conseguira
sustentar a situação incômoda, pois não era obrigada a encontrar-se
com ele a todo momento.
O namorado de Eilen envolveu-se com uma aeromoça que morava
em Miami, no outro lado do país. Logo ficou claro para Eilen que
ele não planejava mudar-se tão cedo, principalmente porque o
dinheiro que tinha era quase nada. Ela diz: "Eu não conseguia tirá-lo
de meu apartamento! Ele se recusava a sair e ficou ocupando um
dos quartos com seu cachorro".
Você precisa colocá-lo para fora, o mais rápido possível! Quando
houver uma combinação de dinheiro, propriedade conjunta —
comprada ou alugada — e divórcio, fale com seu advogado. Ou,
então, troque as fechaduras.


Sozinha em Sua Antiga Casa

Assim que ele e sua tralha forem embora, você olhará em volta e
verá sua nova antiga casa. É e não é a mesma.
Algumas abandonadas sentem o impulso de fugir, de mudar-se
para outro lugar que simbolize o início de uma nova vida. Uma que
fez isso conta: "Se você está segura de que deseja realmente mudar-
se, como eu estava, se não tem filhos, e dinheiro não é o maior
problema, recomendo que se mude. Ir para outro apartamento deu-
me tremenda força emocional, algo que se refletiu em todas as áreas
de minha vida".
A maioria fica onde está, tanto porque vender o imóvel e mudar-se
não é viável ou sensato, ou porque as crianças precisam da
segurança de um lugar a que estão habituadas, durante o
tumultuado período da separação, ou, ainda, porque a mulher
encontrara conforto ali. Uma abandonada diz que sair do escritório
e ir para o apartamento familiar, no horário de almoço, todos os
dias, foi o que a sustentou nos primeiros tempos, porque lá ela se
sentia segura.
Se seu ex já se mudou para outro lugar, e você está atravessando a
pior fase, ainda arrastando-se, gravemente ferida, continuando a
morar onde morou com ele, espere atravessar momentos de
melancolia. Há muita coisa fazendo-a recordar o passado, voltar aos
bons tempos — aquela toalha de mesa, aquele CD que você gostava
de tocar nas manhãs de domingo, o frasco enorme de mostarda que
ele usava para fazer o molho de salada que inventara. Você abre
uma gaveta ou um armário e vê alguma coisa que a faz lembrar
uma noite divertida ou uma visita de amigos de vocês dois. E ficará
triste.
Esses pensamentos melancólicos, porém, não permanecerão para
sempre, mesmo que você continue a morar em sua antiga casa. Mas,
até lá, tente transformar seu lar, tornando-o cada vez mais "seu" e
cada vez menos "nosso", tanto quanto o orçamento permita. Pode


ser que você nem precise de dinheiro. A mulher que se mudou para

o lado "dele" da cama de casal, descobriu, duas ou três semanas
depois, que nunca gostara da cama encostada na parede. Puxou-a
para o meio do quarto, continuou dormindo do lado de seu ex, e diz
que adora ir para a cama dela, à noite.
Dê para alguém aquele CD das manhãs de domingo e compre
outro, bem diferente.
Jogue fora a mostarda dele e invente um novo molho de salada.
Mude a decoração, o máximo que puder mudar sem gastar. As
vezes, basta trocar os móveis de lugar para que a sala adquira uma
nova aparência.
Invista algum dinheiro, o máximo que puder, na transformação das
duas áreas mais íntimas, o quarto e o banheiro. Nem espere por
uma liquidação. Compre novos lençóis e toalhas de banho. Se tinha
tudo branco, antes, porque era assim que ele preferia, compre peças
em tons pastel, ou em cores fortes, se gostar, estampadas ou bordadas.
Durma entre lençóis novos e enxugue-se com toalhas que
ninguém mais usou, que são apenas suas.
A casa, agora, é sua. Tome posse.
Seu Advogado, Seu Porta-Voz

Como eu já disse, este não é um livro sobre divórcio, mas sobre
mulheres abandonadas. Isso dito, acrescento: o divórcio, claro, é
geralmente a última etapa que as abandonadas casadas enfrentam.
E o divórcio é apenas um acordo de negócios.
O contato que você terá com seu ex, nas semanas, meses e até anos
depois que ele a deixou, será quase que exclusivamente para tratar
desse acordo, para ver quem fica com o quê. De vez em quando, um
homem apaixona-se repentinamente por uma outra mulher, sente-
se compelido a seguir as ordens do coração e vai embora com ela,
praticamente apenas com a roupa do corpo. Ele deseja tudo de bom


à mulher a quem abandonou e dá tudo a ela, propriedades,
dinheiro, tudo. Mas esses são raros.
A situação típica, deprimente, é esta: Quando o marido diz à esposa
que vai sair de casa, já faz tempo que vem pensando nisso. Não
apenas pensando, nas planejando. Já tem em mente outra mulher e
uma nova vida. Talvez já tenha até tomado certas providências,
como transformar em dinheiro bens imóveis, ações e títulos, de
modo a deixar a esposa com o mínimo possível.
Quando ela ainda está paralisada de choque diante de sua traição,
ele já tem tudo planejado, tudo acertado. Enquanto ela ainda precisa
obrigar-se a tirar o pijama, de manhã, imaginando como vai dar a
notícia à mãe, ele está dando os últimos retoques no "pacote da
partilha de bens" que pretende apresentar. Ela está emocionalmente
destruída, e ele, pronto para fazer negócios.
Como você já leu neste livro, o homem tem uma capacidade
espantosa para dividir a vida em compartimentos. Por mais culpado
e aborrecido que se sinta por ter magoado a mulher, isso não o
impedirá de ir todo lépido para o trabalho, seja qual for sua
atividade. A mulher, por outro lado, é como uma peneira que
precisa usar toda sua energia para separar a raiva, a infelicidade e o
nervosismo causados pela rejeição, não deixando que contaminem
cada uma de suas atividades, cada momento de seu dia.
Ele já engrenou a marcha para ir em frente, ela ainda está tentando
saber o que foi que a atropelou. Por esses fatos, a mulher
inevitavelmente age de acordo com o que o homem estipulou, no
tempo que ele marcou. Ela fica vulnerável e tende a ceder à pressão
que ele faz para que tome decisões rápidas, de modo a "acabarem
logo com isso", num momento em que nem ao menos consegue
raciocinar com lógica. É aí que entra um bom advogado.
Logo de início, após uma ou duas consultas para um esclarecimento
geral, a mulher já pode ter uma idéia a respeito do advogado e
saber se ele serve ou não para fazer o trabalho que precisa ser feito.
Esse trabalho depende, em alto grau, do que ela sabe sobre seu ex.


Diz Christine: "Meu marido avisou que tiraria tudo de meu alcance,
se eu jogasse um advogado intransigente em cima dele. Eu sabia
que, se fizesse isso, se contratasse um advogado durão, Frank
cumpriria a ameaça, puxando o tapete de baixo de meus pés".
Isso não é nada incomum entre homens ricos e poderosos.
Perguntaram a um multimilionário bastante conhecido se ele
pretendia dar mais do que fora estipulado no contrato de casamento
à segunda esposa, recentemente abandonada, que estava
alardeando seu descontentamento, apoiada por seu advogado, e ele
respondeu que, se ela continuasse a desafiá-lo, a resposta seria
"não", e se ela parasse com aquilo, a resposta seria "talvez".
Dessa forma, vim advogado que está pronto para disparar seus
canhões depois de falar com uma mulher abandonada por uma
hora, pode não ser a pessoa certa para tratar do assunto.
Uma mulher conta: "O primeiro advogado que consultei disse que
íamos estraçalhar meu marido, e eu disse que não ia fazer aquilo,
que não achava certo, que era muito cedo para planejar um ataque.
Além disso, refleti que o maior bem que meu marido possuía era
sua habilidade para ganhar dinheiro, e que eu poderia indispô-lo
contra mim rapidamente, se fizesse os movimentos errados".
No entanto, às vezes é necessário que o advogado seja durão.
Diz Jane: "Meu advogado era um osso duro de roer, e o de Brad,
meu marido, não ficava atrás. Os dois usavam a mesma linguagem,
e acho que foi por isso que Brad percebeu que eu não estava para
brincadeiras".
Analise o modo de ser de seu marido e, de acordo com isso, procure
um advogado que sirva para representá-la. Se suspeitar que
escolheu mal, procure outros, até encontrar o certo. Pesquise como
louca. Pergunte a seus amigos, e peça-lhes para perguntar a outras
pessoas, e logo estará de posse de uma lista de nomes e endereços
de advogados.
Ao mesmo tempo, instrua-se a respeito do assunto. Compre um
livro que explique todo o processo de um divórcio, consiga uma


cópia do código de leis. Consiga o maior número de informações
que puder sobre os bens de seu marido.
Uma abandonada conta: "Tenho um conselho a dar às outras
mulheres. Assim que receberem o aviso de que vão ser
abandonadas, comecem a cuidar de si mesmas e a agir como os
homens agem, isto é, cubram a bunda".
Então, comece a pôr em prática o que aprendeu, juntamente com o
advogado que escolheu, que a ajudará a decidir se é melhor
prolongar as negociações da partilha de bens ou fazer tudo
rapidamente. Como algumas abandonadas descobriram, um exmarido
pode estar mais disposto a fazer concessões logo após o
rompimento, do que mais tarde, quando a outra mulher assume
maior importância na vida dele. O advogado também a instruirá
sobre como lidar com qualquer ameaça que seu ex esteja fazendo
com referência à guarda dos filhos, sobre como proceder se ele está
dizendo que a obrigará a dar-lhe pensão alimentícia, além de fazer
uma previsão de quanto você receberá na partilha.
Prepare-se para as reuniões com seu advogado. Uma mulher
aconselha: "Vá munida de uma lista de perguntas específicas. Não o
confunda com um psicólogo. Embora o advogado possa
gentilmente lhe oferecer lenços de papel, enquanto você chora,
dizendo que se casou com um miserável, lembre-se de que até esses
lencinhos lhe custarão caro. Guarde suas lágrimas para derramá-las
quando estiver com sua equipe de apoio".
No mínimo, um bom advogado a fará encarar a realidade de que
você está conduzindo uma negociação, e essa é uma realidade que
muitas mulheres não compreendem.
Você pode estar furiosa como o diabo e determinada a conseguir
tudo o que merece, mas, ainda assim, não ter coragem de lutar por
isso ou sentir-se mal diante de tal idéia. É aí que um bom advogado
pode sustentar sua determinação e manter seus olhos voltados para
seu objetivo.


Dana resistiu à sugestão de uma ação judicial contra o marido
porque não queria envergonhá-lo. Ela diz: "Eu o estava protegendo.
Além disso, pensava que tudo aquilo se tornaria público e, de
alguma forma, pareceria ter sido culpa minha. Assim, durante
meses, fiquei dizendo a mim mesma que ia ver como Peter se
portava, e que, se ele fosse decente, entraríamos num acordo. Então,
fiquei sabendo que ele estava contando sua versão da história aos
colegas de trabalho e ao nosso círculo de amigos, isto é, mentiras, e
meu advogado me disse que já bastava, que estava na hora de
acordar para a realidade. Concordei em entrar com uma ação".
Vanessa e o ex-namorado, Zack, acabaram no tribunal para decidir

o destino de algumas propriedades que possuíam em conjunto.
"Meu advogado me deu excelentes conselhos. Disse que eu só tinha
uma chance, de modo que não devia pensar nos sentimentos de
Zack. Comentou também que a mulher tem esse problema, fica
pensando nos sentimentos do homem durante anos. Está
acostumada a preocupar-se com o sujeito, a levar em conta o que é
melhor para ele. Então, quando se trata de lutar por si mesma, tem
medo de magoá-lo, de parecer uma bruxa. Está errado, meu
advogado declarou, e me mandou que eu mudasse meu modo de
pensar. Foi um conselho muito bom. O que ele disse é verdade,
porque a mulher, mesmo depois de ter sido traída, ainda se
comporta de modo maternal. O advogado disse que eu devia ir à
luta como um cão pit bull e pegar tudo o que merecia. Fomos para a
frente do juiz, e eu estava preparada, com tudo organizado,
sentindo-me poderosa! Depois, Zack me disse que me admirara
pelo modo como eu me conduzira".
No entanto, de acordo com muitas mulheres, é mais possível que
essa atitude firme, de quem está no controle, provoque a ira do exmarido.
Diz uma abandonada: "Contratei um advogado que me
ensinou a conseguir informações. Então, descobri que meu futuro-
ex-marido tinha mais dinheiro do que eu imaginava, ele ficou

furioso e agora está espalhando aos quatro ventos que só estou
atrasando o processo para tirar mais dinheiro dele".
Pode ser que seu ex tente convencê-la de que contratar advogados
será uma despesa desnecessária, que você e ele conseguirão cuidar
de tudo sozinhos. O fato é que ele cuidará de tudo. Um homem
disse à esposa a quem abandonara: "Queremos continuar amigos,
não queremos? Além disso, para que gastar dinheiro, contratando
advogados? Serei totalmente justo".
Não acredite nisso.
Embora possa doer, você precisa entender que agora seu ex-marido
a vê simplesmente como alguém com quem está fazendo um
negócio.
O ex-marido de Marjorie foi levar a filha deles de volta, após um
fim de semana em que a menina ficara com ele e sua nova mulher.
Marjorie acompanhou-o até o elevador, que ficava ao lado da
escadaria. Os dois trocaram algumas palavras desagradáveis ao
combinar os horários em que ele pegaria e devolveria a filha.
Marjorie conta: "Ele ficou esperando o elevador com uma expressão
de arrogância no rosto, e tive o desejo súbito de empurrá-lo,
fazendo-o rolar pela escada. Teria sido fácil fazer isso, e realmente
não sei como consegui me controlar".
Quando seu ex faz comentários contundentes ou a olha com total
indiferença, você pode experimentar o impulso quase incontrolável
de atacá-lo e feri-lo. Isso não é nada incomum, e não são poucas as
mulheres abandonadas que se vingam, às vezes de maneira terrível.
Na Califórnia, uma mulher invadiu a casa onde o ex-marido
morava com seu novo amor, encontrou-os na cama e matou os dois
a tiros. Em Vancouver, uma abandonada, mãe de seis filhos, cortou

o pênis do marido, jogou-o no vaso sanitário e deu a descarga,
presumivelmente para eli -minar qualquer possibilidade de um
implante.
Há outros tipos de vingança, como a da jovem que, abandonada
pelo namorado com quem morava, enfiou camarões nos varões ocos

que sustentavam as cortinas, antes de mudar-se do apartamento, ou
da mulher que cortou fora os fundilhos das melhores calças do
marido.
Com certeza você não deseja ir tão longe quanto matar ou mutilar, e
nem mesmo fazer travessuras perversas com uma tesoura ou com
coisas que apodrecem, cheirando muito mal. No entanto, também
não está disposta a oferecer a outra face, pensando que o que
passou, passou. Então, como vingar-se para conseguir um pouco de
satisfação?
Todo mundo já ouviu dizer que viver bem é a melhor vingança, o
que certamente é uma verdade. E você viverá bem, agindo com
determinação e tendo um pouco de sorte. Quando estiver
acalentando pensamentos vingativos, lembre-se de que há a
vingança boa e a vingança má, ou vingança inteligente e vingança
tola.

Uma vingança pode ser rotulada de tola quando:

1)Degrada você, ou a envergonha, ou a transforma numa mulher
amarga, perturbada.

Dizer coisas mesquinhas ou espalhar boatos de mau gosto a respeito
da nova mulher de seu ex, por exemplo, faz você parecer uma
megera. Tudo bem, se seus amigos fizerem isso, mas você deve
abster-se.

2) Torna-se algo contra a lei, o que pode causar uma visita da
polícia a sua casa.

Se você pegar uma chave e riscar o adorado BMW de seu ex,
danificando a pintura, pode acabar sendo processada pelo crime de
vandalismo. Se cortar as mangas de todos os paletós dele, poderá
ser indiciada por danos a propriedade alheia. É pouco provável que
ele tente colocá-la na cadeia, mas é bom não arriscar.


3) Torna-se obsessiva ou subconsciente.

Se você só consegue pensar em vingar-se dele, incapaz de desviar
suas energias para outros objetivos, nunca se moverá em direção a
sua nova vida. Se continuar vingando-se através de pequenas ações
passivo-agressivas, como nunca deixar as crianças prontas para ir
com seu ex, quando ele as vai buscar para o fim de semana, além de
não estar caminhando para a frente, estará magoando pessoas a
quem ama.

Vingar-se com inteligência é praticar um ato apropriado, que a faça
sentir-se bem. Você pode:

1) Ter sua vingança no tribunal.

Se você é uma abandonada casada e rejeitou a proposta de um
divórcio amigável, porque acha que a culpa de seu ex deve ser
exposta, peça o divórcio alegando adultério. Diz uma mulher:
"Pensei que, já que tinha de passar por tudo aquilo, pelo menos teria
a satisfação de chamar meu marido de adúltero, o que, naturalmente,
ele foi e é".

2) Faça-o gastar muito dinheiro.

Uma mulher diz que é uma grande satisfação ver o marido pagar
fortunas a advogados. "Não ganhei muito, em termos financeiros,
mas fiquei sabendo que os gastos dele com advogados foram
astronômicos."
Outra abandonada, irritada pelo fato de as roupas de seu ex ainda
estarem ocupando espaço em seu apartamento, vingou-se
mandando tudo para o tintureiro. "Paguei a um garoto de meu
prédio para que ele juntasse todas as roupas de meu ex e as levasse
ao tintureiro. Foi tudo: paletós, agasalhos esportivos, calças,
camisas, gravatas, roupas de baixo, lenços, e mandei que
entregassem no novo endereço dele, juntamente com a conta, é
claro."


3) Obtenha satisfação, vendo as pessoas virando as costas para seu
ex.

Embora isso nem sempre aconteça, alguns homens que
abandonaram suas mulheres tornaram-se alvos de desprezo e raiva
de pessoas que haviam sido suas amigas. Uma mulher conta:
"Tínhamos muitos amigos, pessoas de quem ambos gostávamos.
Minha amizade com todos continuou, depois que fui abandonada,
mas a maioria daquelas pessoas deixou meu marido de lado, não
querendo mais nada com ele, por causa de seu comportamento
repreensível".

4) Espete alfinetes numa fotografia dele.

Os filhos de Délia, jovens adultos, deram-lhe de presente de Natal
um alvo de dardos, tendo no centro a foto do marido dela, pai deles.
O alvo foi posto num lugar onde todos pudessem vê-lo e era muito
usado nos domingos e feriados.

Linda aceitou fazer um econômico mas fantástico cruzeiro de duas
semanas pelo sul do Pacífico, com uma amiga cuja mãe, que seria
sua companheira de viagem, desistiu na última hora. Persuadida
por seu patrão a ir e gastar bastante dinheiro, ela se sentiu loucamente
extravagante e maravilhosamente livre. Levou junto um
gordo envelope, cheio de fotos de si mesma e de seu ex-namorado,
tiradas em festas e férias. "Uma noite, na metade do cruzeiro, fui
sozinha para o convés, levando todas as fotos, e joguei-as no mar.
Não senti nenhum remorso, pois fotografias são biodegradáveis."

5) Saiba que ele pode morrer antes do tempo.

De acordo com várias pesquisas científicas, maridos que
abandonam suas esposas estão criando uma estrada acidentada
para si mesmos. Homens que se divorciam estão mais sujeitos a
acabar em hospitais psiquiátricos e a morrer prematuramente, de
moléstias cardíacas, pneumonia, ou por suicídio, do que os que não


se divorciam. Isso pode oferecer algum conforto, mas isso
geralmente acontece apenas aos ex-maridos das outras mulheres.

6) Saiba que não vai demorar muito para seu ex enjoar-se de sua
nova mulher.

Para alguns homens, trocar de mulher é o mesmo que trocar de
parceira para dançar. Não vêem muita diferença na substituta da
anterior, a não ser que se trata de um rosto novo, talvez o primeiro
de uma série. Ele é feliz, assim? Talvez seja, talvez não.

Diz Allegra: "Ainda falo com Phil de vez em quando, e pelo que ele
conta, não tenho dúvida de que a paixão entre ele e a outra mulher
acabou. Uma vez ele me disse que se sente feliz com qualquer
mulher com quem sai, que o que o atrai é a novidade. A "novidade"
representada por Debra desapareceu. A relação de Phil com ela
provavelmente é igual a que ele tinha comigo, no fim".

Ter algum prazer em contemplar essa possibilidade não faz de você
uma pessoa má. A outra mulher pode muito bem ter a mesma
experiência que você teve com ele, sofrer o que você sofreu,
principalmente se o sujeito é do tipo volúvel. Se ele teve problemas
para relacionar-se com você e não desejava ou não conseguia
abordá-los, é provável que os veja ressurgirem no novo relacionamento.
A nova mulher é apenas outro aspecto da contínua
dificuldade que ele tem para dividir a vida com alguém, ou para ser
honesto, ou em assumir compromissos. Ele sempre repetirá velhos
padrões.

No calor amoroso do início, ele mandou a você quarenta dúzias de
rosas amarelas, e é provável que a outra mulher também as tenha
recebido. Se, passado o fogo da paixão, ele anunciou, na véspera de
Ano-Novo, que ia abandonar você, é possível que a outra receba o


mesmo aviso, também numa véspera de Ano-Novo. Esses homens
não sabem fazer outra coisa a não ser seguir antigos hábitos.

Eleanor conta: "Ele teve uma série de mulheres bem mais jovens. De
modo estranho, tudo o que sinto por ele, agora, é pena. Meu ex não
parece muito feliz, enquanto eu me sinto muito contente".

O que vai, volta. Nem sempre, mas às vezes. Shakespeare escreveu
que "os giros do tempo trazem a vingança". Seja como for, seu
objetivo agora é levar sua própria vida em frente, não importa o que
a vida reserve para seu ex.

A Poeira Baixou. Vocês Dois
Podem Ser Amigos?


Quase todas as abandonadas com quem conversamos não acham
atraente a idéia de um relacionamento amigável com os homens que
as abandonaram. Quando eles sugerem tal coisa, elas acham a
sugestão muito estranha.
Diz uma mulher: "Durante o primeiro ano após a separação, ele
tentou, com bastante empenho, criar um elo de amizade entre nós.
Achava que eu encontraria outra pessoa, como ele encontrara, e que
nós quatro poderíamos ser amigos, sair juntos. Isso, para mim, é
coisa de Hollywood! Por fim, tive de dizer a ele que não achava
aquilo normal e que não podia me imaginar mantendo amizade
com uma pessoa que me fizera o que ele fez".
Um ex, que se mudou para outro Estado, sempre telefona à mulher
a quem abandonou, quando vem à cidade a negócios, e deixa
recados na secretária eletrônica, sugerindo que se encontrem para
um drinque ou para assistir a um concerto. Ela diz: "Ele acha que
devemos ser amigos, enquanto que eu acho isso apavorante. Por
que haveria de querer uma pessoa tão odiosa em minha vida?"


Uma ou outra abandonada, porém, vê a possibilidade de manter
amizade com seu ex. Diz uma delas: "Fique com Barry durante
muito tempo. Não entendo por que uma mulher não pode aceitar o
homem que a abandonou como amigo, se um dia amou-o o bastante
para morar e dormir com ele. Eu gostaria de ter amizade com Barry,
mas a mulher pela qual ele me deixou, e que agora é sua esposa,
não permite, acha a idéia desagradável. Conversei com ele sobre
isso na semana passada, disse que nunca tentei roubá-lo de sua
nova mulher e perguntei por que ela achava a idéia desagradável.
Na verdade, Barry e eu mantemos um relacionamento amigável e
secreto, por telefone. Conversamos durante o dia, na maior parte
das vezes a respeito de trabalho. A esposa dele não sabe. Mas Barry
quer minha amizade, e eu gosto realmente dele".
Para outra mulher abandonada, que enfrentou um divórcio
particularmente doloroso, o fato de estabelecer uma relação cordial
com o ex-marido, muito tempo depois, foi fator importante no
processo de sua cura. "Decidi que minha raiva implacável não
estava fazendo bem a ninguém, nem às crianças, nem a ele, que se
sentia cada vez pior, e muito menos a mim, pois esse sentimento me
diminuía. Tomei a decisão de esquecer a raiva, e isso me ajudou
muito a pôr a mente em ordem. Obriguei-me a parar de sentir raiva
e marquei um encontro com meu ex-marido. Agora consigo estar
com ele. Almoçamos juntos, de vez em quando, e conversamos
sobre coisas sem importância. Acredito que estou finalmente,
embora de modo lento, me desligando dele, deixando-o para trás."
Talvez você esteja se perguntando se existe um momento certo para
manter contato novamente com o homem que a abandonou. Pode
ser que não existam assuntos de ordem prática ou familiar sobre os
quais vocês devam conversar, de modo que não tiveram contato
desde que ele foi embora, mas você — por qualquer uma das razões
expostas no início deste capítulo — está pensando em telefonar a
seu ex e sugerir um encontro. Antes de ir em frente com isso, faça as
seguintes perguntas a si mesma:


• Faz menos de seis meses que ele me deixou?
• Ainda estou tendo recaídas e volto a me arrastar, gravemente
ferida, achando que naquele dia não conseguirei cumprir minhas
obrigações?
• Tenho dificuldade em me alimentar de modo adequado?
• Ainda fantasio, imaginando como seria, se voltássemos a ficar
juntos?
• Converso mentalmente com ele?
• Quando vou a uma festa, ou saio com amigos, descubro que não
consigo me divertir?
•Tenho vontade de perguntar a meu ex qual a verdadeira razão de
ele ter ido embora?
• Quando imagino que era ele, o homem que vi atravessando a rua,
meu coração dispara?
• É nele que penso, sempre que o telefone toca?
• Depois que decidi telefonar a ele, fiquei desesperada para vê-lo?
Se respondeu "sim" a qualquer uma dessas perguntas, esqueça a
idéia de encontrá-lo, pelo menos por enquanto. Você não suportará.
A ferida tornará a abrir-se, e você poderá comportar-se de maneira
humilhante.
Obedeça ao impulso de entrar em contato com ele somente quando já
houver superado a fase pior de sofrimento (e não se esqueça de que
isso pode levar meses, às vezes anos), depois que estiver bem
encaminhada em sua nova vida e, de preferência, quando tiver
encontrado outra pessoa de quem goste e com quem divida bons
momentos.
Mesmo que esteja nessa situação satisfatória, aja com cautela:

1) Planeje o que vai dizer, antes de telefonar, decidindo o lugar do
encontro, que não deve ser seu apartamento, nem um restaurante
que vocês freqüentavam no tempo em que formavam um casal.


Encontrar-se com ele para um café da manhã ou almoço é bom,
mas para tomar um drinque após o trabalho não é.

Mostre-se animada e não dê a impressão, seja com palavras ou tom
de voz, que deseja falar do velho assunto. Embora talvez seja isso
que ele pensará, não deve ser o que você pretende ou quer. Não faça
nenhuma referência do tipo "em nome dos velhos tempos". Depois
de cumprimentá-lo, diga: "Gostaria de ver você novamente, e
poderíamos almoçar juntos qualquer dia desta semana ou da outra".

Se ele disser que não, que não acha que seria bom, diga: "Tudo bem.
Ainda moro no mesmo lugar. Me telefone, se mudar de idéia".
Se ele não telefonar, não insista.


2) Se ele concordar em vê-la, marque um encontro e encerre a
conversa telefônica imediatamente.

3) Vá bonita para o encontro, mas não se dê a impressão que
deseja deslumbrá-lo com sua beleza.

Se você passar mais de quinze minutos tentando decidir o que vestir
para o encontro, a idéia toda pode ter sido um grande erro. Você
não está preparada para vê-lo. Mas agora é tarde, de modo que
ponha a cabeça no lugar, vista-se de modo atraente, mas não use a
roupa de que seu ex mais gostava, nem nada do que ele lhe tenha
dado de presente. Talvez você espere fazê-lo refletir que foi um
idiota em deixá-la, mas não se entregue a tal esperança por tempo
demasiado longo.

4) Antes de sair para o encontro, imagine o que poderá ouvir de
seu ex.

Releia "Conversando com Ele: 13 Coisas Espantosas que seu Ex
Pode lhe Dizer e Como Responder a Elas", neste mesmo capítulo.
Vá preparada.


5) Mantenha uma conversa neutra. Fale a respeito de trabalho, da
família dele e da sua, de amigos.
6)Que o encontro seja breve. O café da manhã ou almoço deve
durar uma hora, uma e meia, no máximo. Depois disso, diga que
precisa ir trabalhar ou fazer qualquer outra coisa e peça a conta,
que você pagará.


7)Diga: "Eu gostaria que mantivéssemos contato", se realmente é
isso que deseja. Dê um jeito de vocês dois saírem do local
separadamente.


Ser ou não ser amiga de seu ex é uma decisão estritamente pessoal.
Tente ser, se achar que é o que de fato deseja e se, após um rigoroso
auto-exame, decidir que está pronta.

Tirar de sua vida o homem que a abandonou devia ser fácil, porque,
afinal, ele foi embora. No entanto, é bom saber que isso quase
sempre exige determinação, esforço e um alto grau de
autovalorização.

4
O Que Fiz de Errado?
Como Pude Ser Tão Cega?
(Poderei Tê-lo de Volta?)


Planejando a Restauração da Auto-Estima


Pode ser que o fato de ter sido abandonada não afetou sua auto-
estima. Talvez você não tenha ficado pensando que ele a deixou
porque algo não o agradava em seu rosto ou corpo, em sua
inteligência, sexualidade e senso de humor, ou por sua falta de
habilidade como dona de casa. Embora seja possível, é bem pouco
provável que você tenha toda essa autoconfiança!
O mais certo é que você, de modo semelhante à vasta maioria das
abandonadas, esteja passando grande parte de seu tempo tentando
descobrir onde errou. No período em que seu ex esteve planejando
ir embora, talvez tenha plantado, deliberadamente ou de modo
inconsciente, sementes de dúvida sobre seu valor como namorada
ou esposa. Se você deixou que as sementes germinassem, passou a
vê-lo como um parceiro desapontado, e a si mesma como uma
companheira insatisfatória.
Agora, que você está saindo do período em que se arrastou,
gravemente ferida, chegou a hora de analisar tudo com o máximo
de frieza que puder reunir. Tem de esquecer que ele é o mesmo
homem que um dia achou-a adorável, uma pessoa sem defeitos.
Hoje, ele a considera uma barreira a sua felicidade com outra
mulher.
Diz uma abandonada: "Não importa o modo como você vê a
situação, não importa se tem a profunda certeza de que é uma
grande mulher. A única coisa que importa é que ele a deixou. É essa
a base de sua dor, uma lâmina afiada cravada em sua auto-estima.
Então, você começa a pensar que, afinal, não é tão maravilhosa
como pensava".
Refletir sobre sua contribuição para a morte do relacionamento não
é apenas um comportamento típico, mas também catártico, um
passo saudável no caminho que deixa o passado para trás e estende-
se em direção ao futuro. É melhor encarar as dúvidas sobre si
mesma corajosamente do que continuar a sentir-se vagamente na
defensiva ou, pior, julgar-se a causadora do desastre.


Examine a situação e deixe-a para trás. Você não vai querer passar
anos perguntando-se: "Se eu tivesse feito isso, ou aquilo, as coisas
seriam diferentes?" Esse, aparentemente, é o caso da primeira
esposa de um conhecido político, abandonada há mais de vinte
anos, que disse numa entrevista, pouco antes da última eleição:
"Continuo sem saber por que aquilo aconteceu. Talvez eu fosse tão
culpada quanto ele. Nunca deixei de me perguntar no que foi que
errei".
Pergunte-se isso agora, faça uma análise imparcial da situação, tire
suas conclusões, depois pare de ficar tecendo conjeturas sobre sua
antiga vida. Uma mulher chama isso de "ler a lista de deficiências".
O que foi que não fiz o bastante? O que foi que fiz demais? O que
fui? O que deixei de ser?
De acordo com as abandonadas que entrevistamos, são dez as
perguntas mais comuns nesse tipo de análise. Além dessas,
acrescentei outras, novas e melhores, para você fazer a si mesma.

1) "Dei bastante atenção a ele?"

Alice, compradora de acessórios do ateliê de um estilista, diz que
nunca teve nenhum interesse por esportes. Seu ex-namorado, Jake,
analista do mercado de ações, gostava de velejar e de atividades ao
ar livre. No início, Alice acompanhou-o em muitos passeios de
barco, e como achava isso um aborrecimento, acabou parando, de
modo que Jake velejava com amigos. Ela fala de uma vez em que foi
ao Japão e à China fazer compras para o ateliê, e que passou o Dia
de Ação de Graças longe de Jake, que considerava esse feriado
muito importante. Ele a deixou por uma mulher que adorava barcos
e fazer longas caminhadas a pé. Agora, Alice pergunta-se se não
deixou Jake muito "abandonado".

Lucy conta que, no correr dos anos, ela e o marido passaram a
"viver em universos paralelos", e acha que devia ter se esforçado


para viver mais no universo dele, ou pelo menos dado mais atenção
ao que acontecia lá.

Ela diz: "Ele trabalhava muito. Durante todos aqueles anos, eu me
diverti com as crianças, envolvi-me em suas atividades escolares,
tive muitas amigas e fiz bastante trabalho voluntário. Meu marido
tinha as coisas dele, e eu tinha as minhas. A empresa dele comprava
ingressos para que os empregados assistissem aos jogos dos
campeonatos e promovia muitas outras atividades sociais. Para
mim era um problema participar desses eventos, porque tinha de
contratar uma baby-sitter e coisas assim. Então, desistia, e ele ia com

o pessoal do escritório. Descobri depois que quem o acompanhava,
na maioria das vezes, era sua secretária. Mas não sou do tipo
repressor e não me importava que ele tivesse uma vida social. Foi
assim que deixei meu casamento sair dos trilhos".
•Uma pergunta nova e melhor: "Ele me deu atenção?"
Se você acha que devia ter pensado mais nas necessidades e desejos
dele, pergunte-se se seu ex pensava nos seus.
Alice parou de achar que havia "abandonado" Jake. Reconheceu
que, embora não tivesse os mesmos interesses que ele, fora uma
companheira amorosa. Ela observa: "Jake sabia que meu emprego
era tão importante para mim quanto o dele para ele. Às vezes, eu
tinha de sair da cidade, a trabalho. Jake devia entender isso, e eu não
devo me culpar".
O ex-marido de Lucy, especialmente nos meses que precederam a
separação, saía de casa às seis e meia da manhã e voltava à meia-
noite, dia após dia. Ela conta: "Eu costumava brincar, dizendo que
nem precisava tirar o roupão, porque era a única coisa que ele me
via usando". Apesar do "ele tinha as coisas dele, e eu tinha as
minhas", fazia tempo que ela não se sentia feliz. "Tínhamos um
barco, uma cabana de esqui nas montanhas, todo o conforto e luxo,


mas essa não era minha idéia de sucesso. Meus filhos nunca viam o
pai, eu nunca via meu marido. Esse foi nosso casamento. Não
começou assim, mas ficou e acabou assim. Chegamos a ponto de ele
não saber quase nada a respeito do que eu fazia."

Ela também se lembra de que tentou mudar a situação. Falou com o
marido, explicando que tinha necessidade de que ele a ajudasse
mais, que estivesse mais presente, que, com quatro filhos, era difícil
fazer tudo sozinha.
Vários anos após ter sido abandonada, Lucy soube que seu exmarido
estava repetindo os mesmos velhos padrões no convívio
com a nova esposa: tinha pouco tempo para os filhos, trabalhava
dezesseis horas por dia, deixava a mulher entregue a si mesma. Ela
conta: "Meus filhos voltavam da casa dele e me diziam que o pai
não mudara nada, que continuava como sempre fora. Foi muito
importante para mim, saber que o fato de ele ser daquele jeito não
era culpa minha".

Reflita sobre como eram as coisas, quando vocês estavam juntos,
pense no que dava a ele e no que recebia em troca. Talvez, como
muitas abandonadas, você verá claramente que seu ex dedicou-se
muito pouco a você.

2)"Eu não era boa na cama?"

Um jeito que seu ex pode achar para atingi-la é fazer referências
veladas, e às vezes explícitas, a sua frieza, a sua falta de imaginação
na cama. Isso, naturalmente, é um item avassalador na lista de
deficiências de qualquer mulher, porque é um golpe em sua
feminilidade. E implica que agora, finalmente, ele encontrou uma
mulher "de verdade".

Diz Marjorie: "Através de alguns comentários que ele fez nos
últimos meses em que estivemos juntos, e outros que fez depois de


ter ido embora, fiquei com a impressão de que eu devia ser uma
Demi Moore fazendo strip-tease, ou uma Elizabeth Berkley
executando o número do poste. Ou, quem sabe, talvez eu devesse
virar cambalhotas na cama, ou convidá-lo para fazer sexo num
trampolim".

• Uma pergunta nova e melhor: "Como fazer sexo podia ser bom,
quando ele estava se preparando para me abandonar?"
O sexo entre vocês provavelmente só foi insatisfatório no fim. Diz
Marjorie: "O sexo era bom, no começo, e foi ruim e escasso,
chegando a nada, no último ano. E verdade que eu não estava com
disposição para reavivar a chama, mas, claro, ele também não
estava. Ele se fechara tanto, emocionalmente, que fazer sexo era algo
quase fora de cogitação. Mas eu não fui procurar outro homem".

Você provavelmente também não foi. Se chegou a sentir-se
insatisfeita com o sexo entre vocês dois, talvez tenha tentando
melhorar a situação, sugerindo que fizessem terapia juntos, ou indo
sozinha procurar um terapeuta, ou lendo uma revista que prometia
ensinar dez maneiras de tornar sua vida sexual mais excitante. Você
não foi procurar outro homem.

Diz uma mulher: "Nada é unilateral, e certamente tive minha dose
de culpa no rompimento de nossa vida sexual. Mas fui fiel. A
maioria das mulheres é. Homens, no entanto... Você acha que eles
passam sem sexo, quando precisam ficar fora de casa durante dez
dias?"
Não se considere uma amante deficiente. Para fazer bom sexo, uma
mulher precisa de uma boa atmosfera, feita de amor, carinho e
confiança, e isso você não teve.

3) Usei minhas energias mais para ser mãe do que esposa?


Helen acha sua história bastante comum: "Casei-me aos vinte anos,
saindo da faculdade. Em minha terra, as moças vão para a
faculdade para arrumar marido. Fiquei casada trinta e cinco anos,
tive três filhos, e acho que muitas mulheres de minha geração
deixaram-se consumir pelos filhos. O homem ficava fora de casa o
dia todo, cabia à mulher cuidar das crianças e da casa. Tenho
certeza de que agora meu marido diria que fui uma mãe
maravilhosa, mas não grande coisa como esposa".

•Uma pergunta nova e melhor: "Ele foi uma grande coisa, como
pai?"
Se você acha que se deixou consumir pelos filhos, não teria sido
porque ele foi um pai que deixou a desejar?

Janice conta que ela, o filho e a filha formaram "um mundo à parte".
Diz: "Eu sei qual é o papel que um pai deve representar, porque foi

o que meu pai representou para mim e minha irmã. Ele trabalhava
muito, mas era extremamente apegado a nós, e sentíamos isso. Por
outro lado, meu marido teve dificuldade em ser pai. Quando não
estava no trabalho, achava mais agradável jogar golfe do que estar
com nossos filhos. Eu sei que me dediquei a eles demais, para
compensá-los pelo que não recebiam do pai".
Outra abandonada conta: "Meu marido, como a maioria dos
homens de hoje, esperava que eu fosse uma supermulher. Eu
sempre trabalhei fora, ganhando bem. Tive meus filhos, criei-os,
levava-os às aulas de natação, a festas de aniversário, comparecia às
reuniões de pais e mestres. Meu marido, enquanto isso, era um
cavaleiro andante, que entrava em casa, jantava, jogava um
joguinho com as crianças, então ia ler o jornal e assistir à televisão.
A mãe serve para tudo, mas o pai só faz coisas especiais e apenas
quando tem vontade".


Um dos dois pais tem de se dedicar mais aos filhos. É provável que
essa tarefa tenha ficado para você.

4) "Fui muito submissa, muito dependente?"

Adrienne diz: "Nosso relacionamento nunca foi perfeito, de maneira
alguma, mas, por uma questão de justiça, devo dizer que meu
marido era batalhador, bem-sucedido, amava a vida e tinha muita
energia. Tinha personalidade forte e foi responsável pelas grandes
coisas que aconteceram em nossa vida. Eu, por meus próprios
méritos, não conseguiria nada, ele fazia tudo melhor. Teve várias
mulheres, ao longo do tempo, e perdi o auto-respeito, de tal forma
que ele, quando me deixou, disse que eu me transformara num
capacho. Mas, com um casamento daqueles, não tive oportunidade
de me tornar independente".

• Uma pergunta nova e melhor: "Quais eram meus pontos fortes?"
Se, como Adrienne, você viveu com um homem dominador e
superdinâmico, talvez também tenha se sentido inferior. Agora, que
saiu da sombra dele, está na hora de examinar-se à plena luz do dia.
Faça uma lista de suas boas qualidades para acompanhar a de suas
deficiências. Passe uma hora escrevendo em seu diário, anotando
tudo o que fez como amante, esposa e mãe, de maneira certa,
adequada, até mesmo esplêndida. Pare de pensar em termos de
tudo ou nada. Você teve suas deficiências, mas isso não a
transforma num capacho.
5) "Salientei os defeitos dele, deixando de ver as virtudes?"

Pode ser que seu ex tenha excelentes qualidades — é carinhoso com
pessoas idosas, crianças e animais, leal com os amigos, uma pessoa
divertida. Em sua opinião, tirando o mal que ele lhe fez,
abandonando-a, ele é um homem decente. Outras pessoas pensam o
mesmo a respeito dele e dizem isso a você, levando-a a perguntar-se


se não foi crítica demais, obrigando-o a procurar fora de casa o
reconhecimento de suas virtudes.

Diz Margot: "Algo difícil com o qual tive de lidar, principalmente
depois que Jimmy partiu, foi o fato de ele ser encantador. É
realmente fantástico em muitos aspectos e tem o poder de atrair
pessoas. Alguns amigos nossos comentaram que Jimmy tem alguns
defeitos, mas que todos nós temos, que ele só precisa amadurecer
mais, que é divertido e prestativo. Um outro contou que ele passara
a tarde toda ajudando-o a consertar o freio do carro. Então, comecei
a me perguntar o que fiz de errado para perder um sujeito tão
encantador".

•Uma pergunta nova e melhor: "Quem pode me ajudar a ver os
defeitos e as qualidades dele com mais clareza?"
Se você está pensando que seu ex é uma boa pessoa e que portanto

o fim do relacionamento foi culpa sua, procure amigos que possam
lhe dar uma visão correta desse homem, amigos com quem vocês
conviviam, com quem se reuniam em aniversários, dias de festa,
churrascos de fim de semana. Peça-lhes que a ajudem a ver as coisas
como elas realmente são.
Conta uma mulher: "Devemos assumir apenas a responsabilidade
que é nossa e, no meu caso, falar com duas amigas ajudou-me a
fazer isso. Elas fizeram observações bastante objetivas, não disseram
que eu era uma pessoa maravilhosa, e ele, um lixo. Eu não acreditaria,
se dissessem, porque sei que não é verdade. Elas me
conheciam bem, assim como a ele, e afirmam que não fiz nada de
errado, o que é um grande conforto".

Margot encontrou um amigo que foi ótimo na tarefa de ajudá-la a
ver as coisas com realismo. "Os homens pensam e agem de modo
diferente das mulheres. Para mim, foi excelente falar com Alex, um


amigo que passava muito tempo comigo e Jimmy, quando nós dois
estávamos juntos. Ele não tomou partido, mas disse que conhecia
Jimmy bastante bem, que os dois haviam se encontrado
recentemente e conversado sobre o rompimento. Falou que percebia
fraquezas em Jimmy, mas também qualidades. Isso me ajudou a pôr
minha mente em ordem, e pude assumir minha parcela de culpa,
assim como ver que Jimmy também fora culpado."

6) "Por que fui tão confiante?"

Se percebeu que seu homem estava se afastando, se fez perguntas e
recebeu respostas evasivas, nas quais acreditou, você agora pode
estar se sentindo uma idiota e se perguntando por que não confiou
em seu cérebro e seus instintos, porque não insistiu para que tudo
fosse posto em pratos limpos.

Diz Maria: "Ninguém deseja fugir de um bom casamento. Eu sabia,
desde muito tempo, que o meu não estava sendo um dos melhores.
Várias vezes pedi explicações a meu marido, perguntando-lhe por
que ele quase não parava em casa, chegando a indagar se ele
arrumara outra mulher, ao que ele respondia, olhando nos meus
olhos, que não havia ninguém. E eu acreditava. Vivi vinte anos com
esse homem, pai de meus filhos, e confiava nele. Agora, quando
olho para trás, pergunto-me como pude ser tão idiota. Quando a
gente descobre a primeira mentira, fica imaginando se algum dia
ouviu uma verdade. Começa a lembrar das vezes em que ele se
ausentou, alegando precisar viajar a trabalho, e imagina se, em vez
disso, ele não estava transando com outra mulher no Holiday Inn,
ali mesmo, em nossa cidade".

•Uma pergunta nova e melhor: "Confiar é um erro?"
Claro que não é, e ser confiante não significa ser idiota!
Há certas características que definem uma vida saudável e ativa.
Por exemplo, não é possível viver num estado de medo

generalizado, pois, se fosse assim, nem mesmo dirigiríamos um
carro, porque poderíamos nos envolver num acidente fatal. A
principal característica que define um relacionamento saudável e
ativo é a confiança. Uma mulher não pode viver desconfiando do
homem a quem ama. Se age assim, é porque a base do
relacionamento é fraca. Como diz uma mulher, "se você não confia
nele, quem confiará?"

Se, como Maria, você se pega revirando o entulho do passado,
imaginando quais histórias que ele lhe contou eram verdadeiras e
quais não eram, diga a si mesma que não ganhará nada andando
para trás e decida parar de fazer isso.

7) "Por que eu não o abandonei?"

Talvez você não confiasse nele tanto assim, não estivesse muito
disposta a levar o relacionamento em frente e tivesse quase certeza
de que ele iria embora, mais cedo ou mais tarde. No entanto, não o
deixou.

Para muitas mulheres casadas, deixar o marido não é uma opção.
Para fazer isso é necessário ter coragem, nervos de aço, alguma
segurança econômica e a convicção de que os filhos não sofrerão
terrivelmente com a ruptura do único lar que conhecem. Seja como
for, algumas mulheres acham-se fracas por não terem tomado essa
iniciativa e sentem-se iradas e envergonhadas por terem sido
abandonadas, em vez de abandonar.

"Eu reconheci certos sintomas", conta uma mulher. "Previ que ia ser
abandonada e poderia ter deixado meu marido, antes de ele me
deixar, mas preferi esperar porque não queria ser a vilã da história."
Outra foi abandonada após vários anos de casamento infeliz.
Quando amigos perguntavam como suportara tanto tempo, Marina
respondia que o marido ganhava bem e que não deixava que lhe


faltasse nada, que podia não ser bom pai, pois nunca estava
presente, mas que ela se sentia contente por cuidar dos filhos
sozinha, e que tinha seu próprio círculo de amigos.
No entanto, a decisão de esperar não a fez sentir-se bem consigo
mesma: "Fiquei realmente aliviada, quando ele foi embora, não
tanto por mim, mas por meus filhos. Mickey, meu marido, tornara-
se péssimo exemplo, bebia, fumava e maltratava os outros
psicologicamente. Quando penso que poderia ter me livrado dele
anos antes, tenho vontade de me dar um tiro. Sou uma pessoa forte,
mas nesse caso não fui. Não fui capaz de ir embora".

• Uma pergunta nova e melhor: "Eu poderia tê-lo deixado?"
Se você está se censurando por não ter tido a coragem de sair de um
casamento infeliz ou de deixar um homem infiel, pergunte-se se
essa era uma opção viável. Muitos fatores válidos concorrem para
manter uma mulher num relacionamento: finanças e filhos,
naturalmente, mas também, talvez, um profundo senso de compromisso
com a promessa de manter o relacionamento.
Abby diz que permaneceria casada para sempre. "Fizemos nossos
votos na igreja, e isso, para mim, era sagrado. Eu sei que nunca teria
deixado meu marido, não importa o que acontecesse."

8) "Por que não vi o que estava bem diante de meus olhos?"
Algumas mulheres, olhando para o passado, vêem que enterraram a
cabeça na areia.

Diz Bárbara: "Ele era advogado, estava sempre ocupado, ficava
tempo demais fora de casa, ganhava muito dinheiro. Eu era
professora de segundo grau, lecionava artes. Houve muitos sinais
de que as coisas não iam bem entre nós, mas nunca juntei as peças.
Ignorei os sintomas".


Ann dirigia uma fazenda de gado com o marido, Ted, que durante
dois anos, antes de abandoná-la, manteve um caso com uma moça
que trabalhava para eles. Ann diz que nunca percebeu nada, até que
encontrou uma calcinha no caminhão em que o marido e a
empregada transportavam animais.

Talvez você também imagine como nunca percebeu nada,
perguntando-se: "Como pude ser tão cega?"

• Uma pergunta nova e melhor: "Por que preferi não saber?"
Em determinado momento você provavelmente percebeu o que
estava acontecendo, mas desenvolveu um caso de cegueira por
opção.
Diz Bárbara: "Eu sabia, mas não sabia. Tenho de admitir que talvez
tenha ignorado tudo em parte porque gostava da vida boa que
levava com ele, dos momentos que passávamos juntos. Voávamos
para Paris, no Concorde, íamos a Wimbledon, passávamos fins de
semana em Nassau. Eu devia ter me confrontado com ele, mas
pensava, talvez não de modo consciente, que não queria perder
tudo aquilo".

Ann diz: "Se minha mente aceitasse o que estava acontecendo, e eu
falasse com ele a respeito, seria o mesmo que estar terminando
nosso relacionamento, e eu teria de partir, então, preferi não pensar
racionalmente. Olhando para trás, vejo que essa é a única razão de
eu ter optado por ignorar tanta coisa".

Você, talvez, não viu nem ouviu nada porque, em nível
inconsciente, estivesse se agarrando à única vida que conhecia. É
bom reconhecer isso agora e perdoar-se pela cegueira que, afinal, foi
gerada por um compreensível instinto de autopreservação. Além
disso, é quase certo que você tenha percebido sinais confusos,


conflitantes e intermitentes, que só ficaram claros quando você os
analisou em retrospecto.

9) "Para começar, o que foi que me uniu a ele?"

Pode ser que agora você olhe para seu ex e pergunte-se onde estava
com a cabeça quando concordou em compartilhar a vida com ele.
Talvez tenha tido a forte sensação de que seu relacionamento não
estava destinado a correr suavemente, mas ignorou-a, ou, então,
suas razões tinham pouco ou nada a ver com amor.

Karen conta: "Meu único marido, que me deixou há dez anos,
encontrava-se fora da cidade com outra mulher, na noite em que eu
estava no hospital, tendo nosso único filho, catorze anos atrás. Para
mim, o aspecto mais difícil da traição dele e do fato de ele me abandonar
não foi enfrentar a vergonha, nem mesmo suportar a raiva e o
sofrimento, mas o desapontamento comigo mesma, pela má escolha
que fizera. Acho que eu sabia, desde o início, que ele não era uma
boa pessoa. Escolhi alguém de quem não gostava de modo especial,
a quem não respeitava. Mas ele era médico, eu tinha trinta e seis
anos, queria casar, queria ter um filho. Passei por cima de todas as
minhas reservas. Não fui fiel a mim mesma".

Diz outra mulher: "Agora vejo que eu não o conhecia tão bem assim.
Ele nunca falou muito de si mesmo. Houve sinais, mesmo antes de
havermos decidido viver juntos, do tipo de pessoa que ele era,
sinais que eu teria captado, se não fosse tão jovem, se tivesse mais
experiência. Por exemplo, Adam tinha uma tendência para a
mentira, nem sempre era honesto comigo ou com seus amigos".

Uma pergunta nova e melhor: "Ele não era, na verdade, o homem
certo para mim?"


Às vezes, isso acontece. Diz uma mulher: "Eu não esperava que ele
me abandonasse, não queria isso, mas, depois do rompimento, vi
claramente como éramos diferentes. Pode ser que agora meu ex
esteja com uma pessoa mais adequada para ele. É algo assim como
não misturar maçãs com anchovas. Ele era uma maçã, e eu, uma
anchova".

Não perca tempo censurando-se por ter escolhido o homem errado.
Mesmo que tenha suspeitado que escolheu mal, o mais provável é
que você tenha se esforçado para fazer o relacionamento dar certo.
Não deu.

10) "Esperei demais de meu ex?"

"Não sei", responde Zoe. "Às vezes acho que exigi demais, que
queria um amante sensacional, um amigo maravilhoso, um ouvinte
atento e paciente. Além disso, esperava que ele ganhasse bem, que
fosse um atleta, que me ajudasse com a lavagem da roupa e pusesse

o lixo para fora todos os dias. Mas nunca se tem tudo o que se
deseja".
Agora é fácil para você pensar que oprimiu seu ex e que finalmente
afastou-o de você com sua expectativa de que ele estivesse de
acordo com um padrão impossível.

•Uma pergunta nova e melhor: "Qual era o trato entre nós, e o que
fiz para cumprir minha parte?"
Pense nisso. Se você esperava certas coisas dele, ele também
esperava certas coisas de você. Muitos relacionamentos
desenvolvem-se baseados em expectativas implícitas. Analise as
mais básicas em seu relacionamento. Talvez uma delas fosse que
cada um de vocês contribuísse igualmente no que se referia às
finanças, que ele fizesse os consertos necessários na casa, e você
fizesse o papel de relações-públicas junto aos parentes, que ele


cozinhasse, e você limpasse a cozinha, que ele respeitasse seu
espaço, e você respeitasse o dele, que vocês dois se mantivessem em
forma, saudáveis e bonitos.
Fossem quais fossem, você, de modo geral, cumpriu sua parte no
trato? Ele cumpriu? Se ele não cumpriu de modo satisfatório, você
deixou o barco correr?

Talvez você descubra, como Zoe descobriu, que suas expectativas
eram na realidade poucas e básicas. Ela diz: "Acredito honestamente
que fiz tudo o que era esperado de mim. Quanto a ele, foi um bom
amigo e amante, pelo menos no início, um ouvinte razoável e um
preguiçoso no que se refere a trabalhos domésticos. Mas o que eu
realmente esperava dele é que ficasse a meu lado, que fosse honesto
e trabalhasse comigo na construção de nossa vida. Ele preferiu fazer
tudo diferente".

Refletindo sobre tudo isso, uma mulher chegou à seguinte
conclusão: "Claro, toda história tem dois lados. Não fui uma mulher
perfeita, que seria, talvez, uma combinação de Júlia Roberts, Sandra
Day O'Connor e a mãe dele. O que acho é que ele me traiu porque
surgiu a oportunidade, porque a outra era mais jovem e mais
bonita, uma tentação grande demais".
Tire suas próprias conclusões e diga a si mesma que, a despeito do
que você fez, contribuindo para o fim do relacionamento, a culpa não
foi toda sua. Se acreditar que foi a única culpada, correrá o risco de
acreditar que pode melhorar e consertar as coisas. Fazendo isso, não
estará entrando em sua nova vida.
Enquanto você está tentando descobrir o que deu errado, vamos
considerar o que pode ter passado pela mente e pela alma do
homem que a abandonou.


Homens Que Abandonam Suas Mulheres:
Por Que Agem Assim?


•Ele foi tentado por uma mulher mais jovem e mais bonita.
Se seu ex estava atingindo a meia-idade, é possível que tenha
começado a sentir-se descontente com a própria vida. Alcançou
todos os objetivos que estabeleceu (ou alguns deles), mas isso não
lhe deu a satisfação esperada. Ele estava preocupado com o
emprego, ou rumando para a aposentadoria. Olhava-se no espelho e
achava que estava vendo o pai. E — esta é a maior razão — sua
potência sexual estava diminuindo. Quando a oportunidade surgiu,
ele estava pronto para mergulhar na aventura.
"Um homem, quando chega à idade de quarenta e cinco anos, mais
ou menos, nota que seu pênis já não fica tão duro quanto antes e
assusta-se", diz uma mulher cujo namorado abandonou-a após nove
anos de relacionamento. "Ele sente que sua vida está caindo, assim
como seu pênis, e fica desesperado para ir embora atrás de uma
vida mais excitante e de sexo mais sexy. Não consegue isso com a
antiga companheira, então vai procurar um corpo novo."
• Ele foi atraído por um grande romance.
Sexo mais sexy combina com romance, e ele está fascinado pelo
romantismo da situação e totalmente envolvido pela excitação de
ter uma nova mulher. Um dos cenários típicos do período que
precede o abandono — ele é casado e precisa encontrar-se
furtivamente com a amante — conduz ao romance e à paixão, que é
inflamada pela impossibilidade de os dois estarem sempre juntos. A
paixão não nasce da rotina de sair para passear com o cachorro, ou
de levar o lixo para fora todas as noites.
• Você o faz lembrar de coisas que ele preferia esquecer.
Ouvimos isso de muitas abandonadas com quem falamos. Você é a
mulher que ele associa a tempos difíceis, quando os dois

preocupavam-se porque o dinheiro era pouco e lutavam juntos para
solucionar os problemas daí decorrentes, esperando que tudo
melhorasse um dia. Você é uma recordação desse tempo de luta, e
ele prefere estar com alguém que não traga lembranças
desagradáveis. Atravessar dificuldades juntos, ao contrário do que
seria de esperar, causa danos terríveis a um casamento.
Conta uma mulher: "Ele teve uma série de prejuízos financeiros, no
correr dos anos. Em certa época chegamos a perder todos os nossos
bens e tivemos de recomeçar do nada. Acredito que foi então que
ele tomou a decisão consciente de começar uma nova vida, porque
não podia mais olhar para mim. Queria estar com uma pessoa com
quem não tivesse uma história".
Outra diz: "Hal encontrou uma mulher que o levou a acreditar que
apreciava seus esforços muito mais do que eu. Nós dois
atravessamos um tempo difícil, tratando de um de nossos filhos, o
que significou muitos gastos com médicos, psiquiatras infantis,
exames e tudo o mais. Embora agora nosso filho esteja bem, Hal
nunca aceitou a situação e ainda não aceita. Conheceu uma mulher
jovem, meiga, cheia de vivacidade e sem problemas com crianças".

• Ele não está em seu juízo perfeito.
Talvez por causa do grande romance em que se envolveu, ele não
esteja em condições de tomar decisões racionais ou moralmente
decentes a respeito da própria vida. Alguns homens que
abandonam suas mulheres, tenho notado, passam por uma
exacerbação de sentimentos, no estilo Sturm und Drang, no que diz
respeito a sua traição e atos de infidelidade. Em tal estado, eles se
tornam vulneráveis e propensos a seguir o programa estabelecido
pelo surgimento de uma nova mulher, o que envolve livrar-se do
velho e aceitar o novo.
O ex-marido de uma mulher sofreu visivelmente de culpa e
indecisão durante meses, enquanto pensava que rumo tomar. "Não
estou tentando desculpá-lo, mas realmente acho que Sam estava

desequilibrado, quando decidiu me deixar", ela comenta. "Sei que,
se estivesse aqui, ele diria que foi a experiência mais traumática pela
qual passou, um período difícil, doloroso para ele, uma grande crise
em sua vida."
Diz Annie: "Quando um homem se sente esmagado pelo estresse,
com freqüência toma decisões que não tomaria dois meses mais
tarde. Mark me disse que não podia mais conviver com a mentira, e
sei que emocionalmente ele estava desequilibrado. Ficou arrasado
por tanto tempo quanto eu. Nem sei como conseguia trabalhar".
Se seu ex for um desses, você pode se consolar com o pensamento
de que ele não sabia o que estava fazendo e encontrava-se num
estado de impotência que não lhe permitiu alterar o curso dos
acontecimentos. No entanto, não se deixe perturbar por esse
pensamento.

• Ele mudou.
Se você está se censurando por ter sido capaz de amar um homem
que se revelou um verme, de confiar nele, desculpe-se, porque o mais
provável é que um dia ele foi digno de amor e de confiança e
mereceu sua paixão. Você não errou. Ele mudou.
"Tenho recordado os vinte e tantos anos que vivi com Michael e
posso dizer que durante os primeiros dez ele foi um homem
maravilhoso", conta uma abandonada. "Nos cinco seguintes já não
foi tão bom, assim, e nos últimos tornou-se asqueroso. Acho que é
bom analisar as pessoas em diferentes etapas da vida. O homem
que conheci e a quem amei loucamente era outro, totalmente
diferente desse que ele é hoje."
Marianne diz: "Acredito que Kent seja feliz com sua nova
namorada. Só que ele é feliz de um jeito que não quero ser. Ele
mudou no que diz respeito às coisas que deseja da vida. Agora ele
diz que não quer filhos, não quer comprar uma casa, não pretende
deixar-se consumir pelo trabalho. Diz que quer se divertir. Acho
que está sendo sincero, mas esse não é o homem que conheci".

• Ele foi geneticamente e/ou emocionalmente programado para
ser infiel.
Apresento tal possibilidade porque um grande número de
abandonadas acredita nisso. Uma delas comenta filosoficamente:
"Talvez um homem não seja capaz de ficar com a mesma mulher
dos vinte e cinco até os sessenta e cinco anos. Pode ficar com ela
durante dez anos, e esse será o tempo que durará o relacionamento.
Acredito que a maioria dos homens abandona a companheira após
um período de mais ou menos sete anos, se conseguem ficar tanto
tempo. Agora aceito essa idéia. Meu ex e eu poderíamos ter continuado
amigos, se no início de tudo isso ele me dissesse que achava
que eu não era a mulher certa para ele, que ele não era o homem
certo para mim, e que por isso ia embora".
Mesmo que você concorde que os homens não conseguem manter-
se fiéis por longo tempo, isso justifica o fato de seu ex ter mentido,
tê-la traído, brincado com seus sentimentos? Não, não justifica.

• Ele abandona porque pode.
Quando, por qualquer uma dessas razões, um homem decide ir
embora, não há muita coisa que se possa fazer para impedi-lo. A
facilidade com que um homem abandona uma mulher e encontra
outra rapidamente tem muito a ver com estatística e costumes de
grandes grupos sociais.
Algumas pesquisas dizem que quinze por cento dos homens
casados não enganam as esposas, ou seja, oitenta e cinco por cento
enganam. Outras, falam em trinta e setenta por cento,
respectivamente. Seja qual for a verdade, podemos dizer que a
maioria dos homens casados procura companhia feminina fora do
casamento.
Alguns cientistas localizaram a raiz dessa infidelidade num passado
remoto, quando os homens das cavernas tinham de procriar com
muitas mulheres para assegurar a sobrevivência da espécie. Em

nosso tempo, os homens infiéis — ao contrário das mulheres infiéis

— não são muito censurados por suas aventuras. Ao contrário, esse
espírito aventureiro quase sempre é considerado uma característica
do macho ambicioso, bem-sucedido, dinâmico.
O homem geralmente pode escolher. As mulheres que hoje estão
entre os trinta e cinco e cinquenta e cinco anos estão à mercê dos
números e das convenções estabelecidas: mulheres, em geral,
casam-se com homens mais velhos, assim como homens casam-se
com mulheres mais jovens. Devido ao vasto número de homens e
mulheres nascidos durante a explosão demográfica, entre 1945 e
1960, quanto mais velhos os homens ficam, mais têm para escolher,
enquanto que as mulheres, ao contrário, têm menos.
Mas existe outra explicação para essa epidemia de abandono. Nos
velhos tempos, maridos infiéis não deixavam as esposas. É a
síndrome de Joseph Kennedy, patriarca da família Kennedy. Um
importante financista de Nova York, como seus amigos sabiam, era
um grande usuário da ferrovia Long Island: todos os sábados,
alegava ter de comparecer a reuniões de negócios e, logo após o
almoço, beijava a esposa, despedia-se dos filhos e tomava o trem em
Easthampton, descia em Southampton, passava o resto do fim de
semana com a amante, e na segunda-feira de manhã tomava o trem
para Manhattan.
Mas não é mais assim que os homens agem. Agora, sem sofrer
censura pública ou discriminação por abandonarem suas esposas,
hoje eles se divorciam e casam-se pela segunda vez, ou mesmo pela
terceira, com relativa facilidade. Talvez sintam o peso dos gastos
com pensões alimentícias, mas não têm nenhuma preocupação com
a reação da sociedade.
Agora, que já avaliou o que fez de certo e errado, você está
convencida de que não errou em tudo. Pensou em outras razões que


seu homem poderia ter para abandoná-la e concluiu que ele foi
embora por motivos próprios. No entanto, ainda pode estar
esperando, talvez subconscientemente, que as coisas voltem a ser o
que eram.

Posso tê-lo de volta?

Conta uma mulher: "Durante semanas, depois que meu namorado
me deixou, eu me deitava, à noite, e tentava ler, então achava que
ouvia a chave girando na fechadura da porta da frente. Pulava da
cama, alvoroçada, e corria para a sala, mas, claro, ninguém abrira a
porta. Eu chorava um pouco, mergulhada em tristeza, então voltava
a ler. Um dia, ocorreu-me que meu comportamento era lastimável,
pois não suportava nem a idéia de vê-lo, mas apesar disso ficava
toda feliz, imaginando que ele voltara para mim".
Outra diz: "Toda vez que ouvia uma porta de carro bater, lá fora na
rua, pensava que ele voltara para casa, mas isso nunca aconteceu".
Não se preocupe demais com essas coisas. Ouvir uma chave
fantasma é o mesmo que sentir dor num membro fantasma. O
membro se foi, mas algumas sensações persistem. Isso acabará, se
você tiver uma conversa firme consigo mesma. Seu ex não voltará,
se realmente abandonou-a, se deu tudo por terminado. Não se trata
de sobreviver a um caso passageiro que seu homem teve com outra
mulher, nem de tentar salvar um casamento em perigo.
Diz uma abandonada: "Meu primeiro conselho a uma mulher
recém-abandonada é que ela encare o fato de que tudo acabou, que
está na hora de despertar para a realidade e continuar vivendo.
Mulheres que ficam esperando que seus homens voltem, acabam
atoladas".
Despertar para a realidade é mais difícil quando o homem fica
indeciso, hesitando em tomar a decisão de ir embora, mas ele faz
isso apenas por sentir remorso pela dor que está causando. O fato


de estar tendo um caso pode deixá-lo ansioso, pois, afinal, viver
uma mentira tem seu preço, e ele acaba confessando que existe
outra pessoa. Ou, talvez, quando finalmente chega o momento em
que tem de tomar uma decisão, ele se enche de dúvidas.
Se ex pode ser um desses, se lhe diz que nunca planejou terminar o
relacionamento com você, que está tentando desligar-se da outra
mulher, que quer que vocês dois fiquem juntos, ou que acha que
quer, e assim por diante. Ele sai de sua casa, mas não vai morar com
a outra. Aluga uma moradia por três meses, ou vai para o
apartamento de um amigo. Diz que está tentando pôr a cabeça em
ordem.
O ex de Larkin encaixou-se nessa categoria. "Ele sempre teve muita
dificuldade em tomar decisões, quase precisava atirar uma moeda
para cima para decidir que prato pedir, num restaurante. Ficou
nove meses entre mim e a outra mulher. Queria Larkin, ou queria
Suzanne? E se fizesse a escolha errada? E se me deixasse, e seu
relacionamento com Suzanne não desse certo? Ele não agiu como
adulto, de maneira nenhuma."
Um homem que abandonou a esposa, depois de dizer a ela que
estava apaixonado por outra mulher, ainda ficou quase dez meses
em casa, antes de ir embora. Durante esse tempo, que a esposa diz
que foi tremendamente infeliz para ela, e provavelmente para ele
também, o marido sempre dizia que ainda a amava, mas que estava
apaixonado pela outra.
"Foi o pior período de minha vida", ela afirma. "Eu me sentia uma
marionete movimentada por cordões, simplesmente seguindo uma
rotina, mantendo um casamento de aparência. Agora vejo que
deveria ter agido de modo diferente, que deveria tê-lo chutado para
fora de casa no primeiro dia. Mas eu o amava, não conseguia
acreditar que nosso casamento estava realmente acabado, não podia
crer no que ele me dissera, e deixei-o fazer tudo aquilo comigo. Por
fim, despertei para a realidade e disse-lhe que ele precisava tomar
uma decisão. Hoje ele está casado com a outra".


Você deve esperar ou acabar logo com tudo, quando seu homem
fica em cima do muro, lutando contra suas paixões e tentando
decidir o que fazer? Se ainda o ama, se consegue perdoá-lo por sua
traição, ou tem outras razões para tentar de novo, será sensato dar-
lhe um pouco de tempo e de espaço, mas ao mesmo tempo tendo
em mente que é mais provável que no fim ele vá embora.
Procurar a ajuda de um terapeuta pode dar bons resultados. Ou
talvez não.
Mesmo que um homem alegue estar indeciso sobre o que deseja,
talvez concorde em fazer terapia por várias razões, conscientes ou
inconscientes, nenhuma relacionada a vocês dois voltarem a ficar
juntos. Muitas abandonadas dizem que o homem aceita fazer
terapia a fim de:

1. Tornar a decepção mais fácil para a mulher, dando-lhe tempo
para que ela se acostume com a idéia de que o relacionamento
acabou.
2. Passar por bom diante dos próprios olhos ou dos olhos das outras
pessoas.
3. Apressar o processo da partida, pois ele, para dizer à mulher que
não está mais ligado emocionalmente a ela, pode achar melhor fazer
a "confissão" de seus sentimentos e ações no consultório do
terapeuta.
4. Conseguir "prova" de um profissional, de que o relacionamento
está tão danificado que não pode ser restaurado.
Diz uma mulher: "Nós fomos juntos a várias sessões com um
terapeuta, e achei que estávamos tentando refazer o casamento. Era

o meu desejo, e parecia que era o de meu marido também, pois na
primeira sessão ele admitiu que tivera um caso, que ainda se
encontrava com a outra mulher de vez em quando, mas que
gostaria de compreender o que acontecera conosco e de reconstruir
nosso relacionamento. Recordando tudo aquilo, agora vejo que ele

aceitou fazer terapia para declarar que nosso casamento terminara e
para poder dizer a si mesmo que pelo menos tentara salvá-lo".
Se você achar que procurar um terapeuta é uma boa idéia, vá em
frente, mas saiba que o homem que não a quer mais já conhece uma
outra vida lá fora e que, se travou alguma luta mental a respeito de
tentar fazer seu relacionamento funcionar, fez isso muito tempo
atrás. Se você não estiver enganando a si mesma, acabará por
perceber que nada irá melhorar e colocará um ponto final na
história.
Foi isso o que aconteceu com Larkin. "O modo que encontrei de
lidar com o sofrimento foi estabelecer um prazo em minha mente,
além do qual não continuaria numa situação indefinida. Fui passar
férias no México e antes de viajar disse àquele homem indeciso que
tomasse uma decisão até eu voltar: ou ele continuava a morar
comigo, fazendo o relacionamento funcionar e livrando-se de
Suzanne, ou pegava tudo o que era seu e ia embora de uma vez por
todas. Viajei, voltei para casa, e ele disse que queria ficar comigo.
Perguntei-lhe se de fato romperia com Suzanne, e ele respondeu
que ia tentar. Aquilo não me bastava, e tudo terminou. Foi quase
como se ele precisasse que eu tomasse a decisão em seu lugar."

• Talvez você pense: "Ninguém no mundo foi tão idiota quanto eu".
Isso não é verdade. Saiba que muitas mulheres inteligentes,
competentes e atraentes foram ainda mais tolas. Se precisar de
provas, leia o capítulo 7 agora mesmo e se sentirá melhor.

5
Se Você Tem Filho
Nove Regras para Promover a Paz e a Segurança


O fato de você ser mãe agora tem seus prós e contras, especialmente
se seus filhos forem pequenos. Os prós:
Eles estão aí, precisam ser alimentados, banhados, postos na cama
para dormir, mandados para a escola na hora certa. Com isso, dão
uma estrutura a seu dia e obrigam-na a agir e fazer coisas que têm
um poder restaurador, como preparar o jantar diariamente. Eles a
amam, você os ama, e é tão bom tê-los por perto, quando você sente
a necessidade de abraçar alguém.
Os contras:
Aquela noite em que você não tem vontade de fazer nada, a não ser
chorar, é justamente quando precisa comparecer à reunião da
Associação de Pais e Mestres. Cuidar das crianças mina suas
energias, elas exigem sua atenção contínua, mesmo quando você
está atravessando um período de tumulto emocional. E, mais tarde,
quando você começar a pensar em arrumar novos amigos, ter uma
vida social, os filhos tolherão seus movimentos. Seu ex
provavelmente desejará ter bastante contato com as crianças, então
fará parte de sua vida, mais do que talvez fosse desejável. Vocês
dois terão de conversar para combinar visitas de fim de semana e
discutir muitas outras coisas. Você, que adoraria saber que ele se
mudara para a Mongólia, será obrigada a vê-lo, quando ele for
buscar ou levar as crianças.
Mas, sejam quais forem os prós e os contras do fato de ser mãe e
uma mulher recém-abandonada, nos primeiros meses os filhos têm
de enfrentar sua própria luta para adaptar-se à nova vida. Eles
vêem a mãe triste, zangada ou distante. O pai está morando em
outro lugar, e é provável que esteja em companhia de uma mulher
estranha, quando passa algum tempo com eles. Os avós estão


tristes, perturbados. A velha rotina rompeu-se. Todo mundo está
agindo de modo um pouco louco.
Seus filhos podem desejar ardentemente que você e o pai deles
voltem a ficar juntos. Talvez se culpem pela separação. Crianças
pequenas são espantosamente egoístas, o que é natural, mas têm
muita facilidade para sentirem-se responsáveis pela desintegração
do único lar que conhecem.
Diz uma abandonada: "Logo depois que meu marido saiu de casa, o
dinheiro tornou-se o problema mais óbvio e premente, e não pude
evitar que as crianças percebessem. Minha filha, durante muito
tempo, achou que o que acontecera a nossa família fora sua culpa,
porque havíamos gasto dinheiro comprando-lhe um cavalo e
pagando por suas aulas de equitação. Meu filho pensava que a
culpa fora dele, porque estudava mima escola particular. Minha
maior preocupação é essa, que meus filhos continuem se culpando".
De acordo com muitas mulheres, os adolescentes encontram grande
dificuldade em compreender e aceitar a situação. Tanto podem
manter-se cautelosamente neutros, como tomar partido, ficando do
lado do pai ou da mãe, causando sofrimento à parte desfavorecida.
A mãe de uma menina que estava com quinze anos, na época da
separação, lembra que se tornou subitamente o alvo da hostilidade
da filha. "Ela sempre foi a filhinha do papai. Sentindo-se ferida,
virou-se contra mim. Costumava comentar que o pai não iria
embora, se eu fosse de fato a pessoa maravilhosa que achava que
era. Perguntava por que ele não fora feliz comigo, por que precisara
de outra mulher. Não conversava com ele, mas desabafava tudo em
cima de mim."
Muito já foi escrito sobre filhos de pais divorciados, há muitos
conselhos sobre como contar a eles a respeito da separação, como
estabelecer a guarda, as visitas, a pensão alimentícia e tratar de
outros assuntos referentes à dissolução de um lar. Com certeza seus
filhos estão trilhando um caminho muito áspero. Mostram-se
anormalmente quietos, bonzinhos demais, ou, então, malcriados e


desobedientes, começam a ir mal na escola, têm problemas para
dormir ou comer, sentem medo e preocupam-se. Você precisa
aprender o que fazer para ajudá-los, talvez deva pensar em terapia,
só para eles, só para você ou para todos.
Este capítulo trata da ligação entre a abandonada e o homem que a
abandonou. Um divórcio é sempre penoso, mas o fato de você ter
sido abandonada dificulta sua tarefa de ajudar seus filhos a superar
essa fase ruim.
As abandonadas com quem falamos, muitas das quais disseram que
aprenderam com seus próprios erros, afirmam que as nove regras
listadas abaixo são muito importantes na luta para assegurar que os
filhos tenham o máximo possível de paz e segurança.

1) Não fale mal de seu ex a seus filhos.

Diz uma mãe: "Ninguém quer pôr os filhos contra o pai e estragar o
relacionamento deles. Mas é normal que uma mãe abandonada,
ferida e furiosa, que às vezes não tem com quem falar, procure o
apoio dos filhos, que também estão perturbados, mas se mostram
solidários. E difícil deixar de dizer coisas de que depois se
arrependa, mas ela deve manter a dignidade, nem que para isso
tenha de morder a língua".

Quando estiver conversando com seus filhos e sentir o desejo quase
irrefreável de dizer horrores contra o pai deles, reprima-o, corra
para o telefone, ligue para a pessoa que é seu maior apoio e despeje
tudo, xingando seu ex à vontade. Se você atacar "papai", só estará
prejudicando a si mesma. Cada vez que impedir-se de falar mal
dele, estará ganhando.

Os filhos de Érica tinham oito e quatro anos, quando o pai deles foi
embora, e durante aquele período horrível ela desenvolveu uma
técnica que a ajudou bastante. "Faça de conta que está numa peça de
Noel Co-ward. Seja civilizada. Nunca trave uma batalha com seu ex


na frente dos filhos. As crianças amam você, mas amam também o
pai, a menos que ele seja um ser abominável. E você não quer que
elas deixem de amá-lo. Você fez os filhos com ele, de modo que
difamá-lo, agora, não tem cabimento. Você e ele estragaram o casamento.
Agora sua responsabilidade é não estragar as crianças."

Se seus filhos têm de formar uma opinião a respeito do pai, serão
capazes de fazer isso sozinhos. À medida que o tempo passa, talvez
desejem falar mais sobre o assunto. Converse com seus filhos, mas
nunca fale mal do pai deles, pelo menos para não despertar
ressentimentos.

2) Seja o mais honesta que puder, mas respeitando a capacidade
de compreensão da criança.

Você não deve dizer a seus filhos que o pai deles é um miserável,
mas isso não significa que deva fingir que está tudo bem. É óbvio
que não está. Os pais normalmente acham que precisam demonstrar
apenas alegria diante das crianças, porque elas ficam perturbadas
quando vêem o pai ou a mãe tristes. Claro que elas ficam
perturbadas, que preferem ver os pais alegres, mas acabarão por
sentir-se ainda pior, se a mãe ou o pai tentarem convencê-las de que
não está acontecendo nada do que elas pensam que está.

Diz uma mulher: "É preciso dizer a verdade. Embora seja um
caminho difícil de seguir, não se pode dizer aos filhos que está tudo
bem e depois deixá-los perceber que estamos sofrendo. As crianças
não são burras".

No entanto, lembre-se de que seus filhos não precisam saber o que
você realmente pensa do pai deles.

Uma abandonada conta: "Tenho uma amiga que agora está
passando por isso, e ouvi-a dizer aos filhos que o pai deles é um


traidor, um mentiroso e por aí adiante. Ela diz que não está
tentando se vingar, apenas sendo honesta com os filhos, deixando-
os saber o que pensa e sente, mas acho que está causando um
grande dano. As crianças, quando a ouvem atacar o pai, calam-se e
desviam o olhar, constrangidas".

Seus filhos já estão enfrentando muitos problemas. Dê-lhes uma
versão simples da história, abordando os pontos principais: "Papai
não vai mais morar aqui. Espero que vocês o vejam sempre. Se
tiverem perguntas, ou quiserem conversar sobre o assunto, podem
falar comigo. De vez em quando vou ficar de mau humor, ou triste,
ou zangada, mas não será por causa de vocês. Não se esqueçam
disso".

3) Explique, por alto, por que o papai está com outra mulher.

Se seus filhos são muito pequenos e estarão em contato com o pai
regularmente, conforme o acordo que você e seu ex fizeram, eles
devem ser preparados com simplicidade para a nova situação. Diga
algo como: "Papai está morando com outra mulher a quem ama, e
quando vocês forem visitá-lo, amanhã, ela estará com ele. Tenho
certeza de que ela será boazinha e achará que vocês são crianças
muito educadas. Espero que se divirtam. E, no caso de estarem
preocupados, pensando que a amiga do papai vai ser sua mãe,
fiquem tranqüilos, porque a mamãe de vocês sempre serei eu".

Limite-se a explicar às crianças que há uma outra pessoa em cena e
tente responder às perguntas delas com a maior simplicidade
possível. Talvez elas nem façam perguntas.

Muitas abandonadas dizem que seus ex-maridos não contaram aos
filhos que haviam encontrado outra mulher, preferindo dizer que
"mamãe e papai não estão se dando muito bem", ou explicando que
precisavam passar um tempo sozinhos para pôr a cabeça em ordem.


As crianças, então, ficaram magoadas e confusas quando viram uma
mulher estranha, ou até mesmo uma que já conheciam, ocupando o
lugar da mãe ao lado do pai.

Uma mulher, mãe de uma menina de doze anos e de um menino de
dez, conta: "Minha filha sabia que as coisas não andavam bem entre
mim e o pai dela, mas quando ele foi embora, tudo o que disse aos
filhos foi que desejava morar em seu próprio apartamento por uns
tempos e que eles iriam visitá-lo, quando tudo estivesse arrumado.
Então, no primeiro dia em que as crianças foram ficar com ele, bam!
Lá estava Sophie, a assistente dele, que todos nós conhecíamos,
morando no apartamento! Mais tarde, minha filha me contou que
achava que o pai tivera um caso com a assistente durante bastante
tempo, antes de sair de casa. Ficou devastada".

Não devia ser responsabilidade da mulher abandonada falar com os
filhos a respeito dos casos do pai deles, mas muitas vezes isso é
necessário. Por isso, é melhor prepará-los com antecedência, dandolhes
algumas informações, do que deixá-los totalmente no escuro.

4) Tente não interrogar seus filhos a respeito do pai deles.

Muitas mulheres dizem que quanto mais interrogavam os filhos a
respeito do pai, mais eles se recusavam a falar. Embora eles possam
conversar com você, apenas quando e sobre o que desejam,
detestam ser obrigados a contar tudo o que vêem e ouvem. Se você
tiver motivos para descobrir como é a vida atual de seu ex, pergunte
a ele.

Conta uma mulher: "Quando as crianças voltavam, depois de
visitarem o pai, eu costumava perguntar como ele estava, se
comentara alguma coisa sobre seu trabalho, coisas assim. Então,
percebi que isso era constrangedor e doloroso para elas". Ela fez um
esforço e restabeleceu contato com o ex-marido, e agora os dois


encontram-se de vez em quando para almoçar ou tomar café. "Hoje
posso vê-lo sem me sentir mal e perguntar pessoalmente o que
desejo saber. O fato de eu tratá-lo com educação deixa-o
predisposto a falar, a me dar as informações que desejo, e o melhor
é que deixo meus filhos fora disso. Eles não querem se envolver."

5) Não interrogue seus filhos a respeito da outra mulher.

Como seus filhos e a nova mulher se relacionam é algo que só ficará
claro com o passar do tempo. Pelo bem de todos os envolvidos, você
deve desejar que se dêem bem e que ela seja uma pessoa bondosa,
que se preocupe em saber o que é melhor para as crianças.

Descubra maneiras de incentivar um bom convívio, agora mesmo, e
esteja alerta para não tropeçar, prejudicando seu objetivo. Por
exemplo, nos primeiros dias após ter sido abandonada,
especialmente se você não sabe muita coisa sobre a nova mulher, a
tentação de perguntar a seus filhos como ela é pode ser grande
demais. Cair nessa tentação é um erro. Você estará mexendo na
ferida que deseja ver perfeitamente cicatrizada. Além disso, estará
deixando as crianças constrangidas.

Se você andou interrogando seus filhos, e eles têm idade suficiente
para entender seu comportamento, será bom que os chame para
uma conversa — num momento tranqüilo — e peça desculpas por
tê-los submetido a interrogatórios, prometendo que nunca mais fará
isso.

6) Ajude seus filhos a manter contato com o pai.

Muitas abandonadas que entrevistamos afirmam que desejam que
os filhos continuem relacionando-se com o pai. Se tudo estiver
correndo suavemente, eles se encontram regularmente e com
alegria. Os arranjos para as visitas são feitos sem brigas, num clima


relativamente livre de tensão. Se essa for sua situação, dê graças a
Deus.

Nem sempre as coisas transcorrem tão bem. Alguns homens que
abandonam suas mulheres, principalmente os viciados em trabalho,
que nunca participaram da vida diária dos filhos, acham difícil
manter contato com eles, de modo que raramente telefonam ou
fazem visitas. Se seu ex for um desses, e seus filhos se ressentirem
de seu descaso, talvez você possa promover um envolvimento
maior.

Diz uma mulher: "Meus filhos viam o pai muito pouco. Eu estava
cheia de amargura, mas não desejava isso para eles, não queria que
se afastassem do pai. Nos primeiros anos, esforcei-me muito para
mantê-los em contato, sugerindo que as crianças ligassem para ele,
quando fazia tempo que não o viam nem tinham notícias, e
incentivando-os a contar-lhe seus sucessos escolares. Eu sabia que
meu ex não se sentia ligado aos filhos, mas pensava que seria
melhor para as crianças, se não perdessem contato com ele.
Acredito que valeu a pena agir como agi. Agora meus filhos estão
mais velhos e sentem afeto pelo pai".

Se seu ex realmente não quiser manter contato com os filhos, não há
muito que você possa fazer. Não tente convencer as crianças de que

o pai pensa neles, apesar de estar desaparecido. Elas não
acreditarão, nem apreciarão seus esforços.
Uma mulher diz: "Eu sempre dizia a meus filhos que o pai deles os
amava muito, e por fim eles começaram a responder que ele só os
amava quanto tinha tempo e achava conveniente, de modo que eu
podia parar de querer enganá-los. Aprendi a lição. Cabe a ele
mostrar que ama os filhos".


Esses pais ausentes às vezes aparecem sem aviso, em ocasiões
especiais. Um homem deixou a esposa e dois filhos que estavam
para iniciar o curso colegial, não entrou em contato com eles
durante anos, então apareceu de repente para a formatura da filha,
que terminara a faculdade. A moça achou maravilhoso, ele posou
para fotos com uma expressão de orgulho paternal no rosto, e a exesposa
ficou espumando de raiva.

Se algo assim acontecer, e seus filhos ficarem felizes, tente ficar
também.

7) Não permita que você e seu ex sejam vistos como "mocinho" e
"bandida".

Se seus filhos, de modo típico, moram com você e visitam o pai nos
fins de semana e nas férias, é possível que você e o homem que a
abandonou tenham assumido os papéis de "mocinho" (ele) e
"bandida" (você). O tempo que seus filhos passam com o pai é cheio
de diversão, eles podem ficar acordados até tarde, encher-se de
pizza. O tempo que passam com você é cheio de "limpem seus
quartos e façam a lição de casa".

Primeiro de tudo, seja um pouco mais divertida. Quando suas
crianças voltarem para casa, depois de estarem com o pai, concedalhes
um intervalo de transição, não comece a dar ordens, relaxe um
pouco as regras, assista a um desenho animado com eles.

Tente fazer com que seu ex siga a rotina a que seus filhos estão
acostumados, pois crianças pequenas ou em idade escolar precisam
alimentar-se corretamente e dormir o suficiente. Procure falar com
ele pacificamente, não quando estiver furiosa porque suas crianças
voltaram para casa nervosas por falta de sono ou excitadas por
excesso de açúcar. Ligue para o escritório dele, na segunda-feira de
manhã, e diga à secretária: "Preciso conversar com George sobre


nossos filhos. Pode ser hoje à tarde, ou amanhã após o almoço".
Quando for conversar com ele, tenha à mão uma lista das coisas que
precisa dizer.

8)Insista para que suas crianças sejam tratadas como filhos da
nova mulher do pai delas.

Seu ex pode estar morando com uma mulher que tem filhos. Nesse
caso, não fique surpresa se os filhos dela tornarem-se os "de
verdade", e os seus, os "de fora". Algumas abandonadas dizem que
suas crianças recebem pouca atenção na nova casa do pai, mesmo
ele sendo amoroso e tendo legítimo interesse pelos filhos.

O marido de Betsy deixou-a para ir morar com uma mulher (com
quem mais tarde casou e de quem também se divorciou) que tinha
dois meninos. Betsy conta:
"Quando Ben, nosso filho, ia passar os fins de semana na casa do
pai, dormia no sofá da sala, enquanto que os outros meninos tinham
seus próprios quartos. E Ben nunca podia ter o pai só para si. Iam
todos juntos a museus, parques e a outros lugares. Sei que meu ex
estava tentando promover a união entre os garotos, mas Ben às
vezes achava que perdera seu papai".

Você não pode falar com a outra mulher sobre essas diferenças
entre seus filhos e os dela, mas pode e deve falar com seu ex. Dê a
ele o benefício da dúvida, como Betsy fez, e reflita que ele talvez não
tenha percebido o que está acontecendo, que não quer passar seus
filhos para o segundo plano. Betsy mandou uma carta para o
escritório de seu ex, com a palavra "particular" escrita no envelope,
onde expôs suas objeções, tendo o cuidado de incluir alguns
comentários feitos por Ben e que indicavam que o menino não se
sentia totalmente bem-vindo na casa do pai. O ex-marido de Betsy,
que amava o filho, aceitou o que ela lhe disse e promoveu algumas
mudanças.


Se, no entanto, a situação não melhorar, não arranque a pele de seu
ex. Algumas sessões com um psicólogo infantil poderão ajudar, e
você deve sugerir que o pai participe delas, de modo que todos
juntos encontrem as soluções específicas.

9) Fique contente, se seus filhos gostarem da outra mulher.

Quando suas crianças voltam para casa após passar um fim de
semana com o pai, dizendo que a outra mulher é muito bonita e
boazinha, você torce o nariz, desgostosa. Mas, para o bem de seus
filhos, mantenha uma atitude neutra, mesmo que por dentro esteja
fervendo.

Quando seu garotinho começar a elogiar Barbie, sente-se com ele e
diga: "Conte-me o que fez no sábado e no domingo". Ouça com um
sorriso, então, ainda sorrindo, diga: "Estou feliz por você ter se
divertido, meu bem. Agora, vamos ler uma história". Será difícil,
mas você se sentirá uma verdadeira santa.

Melhor ainda, fique contente com o fato de a criança achar que a
outra é boazinha. Essa mulher conviverá muito com seu filho, se
fizer parte permanente da vida de seu ex-marido, e, por
conseqüência, haverá uma espécie de elo entre vocês duas. Você se
sentirá grata a ela por tratar bem de seu filho.

Diz uma abandonada: "Na verdade, descrevi um círculo completo.
Meus filhos eram felizes na casa do pai e da mulher dele, pois ela os
tratava muito bem, foi a responsável por eles se sentirem bem lá. Eu
ligava para meu ex-marido e perguntava quais eram os planos para

o fim de semana, então começávamos uma conversa sem pé nem
cabeça, ele dizia que não sabia o que fariam, que tinha muito
trabalho a fazer e blá-blá-blá. Assim, passei a telefonar para a
mulher dele e combinávamos tudo. Ela se prontificava a levar Jenny
a um jogo de bola no sábado, ou a uma festa no domingo, fosse o

que fosse que minha filha tivesse programado. Acredito que ela
estava consciente de que conviver com meu ex significava conviver
com os filhos dele também. E as crianças gostavam muito dela".

O fato de seus filhos e a nova mulher de seu ex darem-se bem é bom
para todo mundo, portanto fique contente.

Maternidade Depois Que Passa o Pior:
Quando a Vida Fica Mais Fácil


Se você ainda estiver começando a criar sua nova vida, achará difícil
acreditar nisso, mas chegará o dia em que adorará ver seus filhos
partirem para um fim de semana ou duas semanas de férias com o
pai, deixando-a livre para fazer o que quiser.
"Meus filhos eram minha tábua de salvação, eu não queria que se
afastassem de mim", conta a mãe de dois meninos. "Quando meu
ex-marido ia buscá-los, um fim de semana sim, outro não, eu ficava
aterrorizada. Ia ficar sozinha, com que ocuparia meu tempo?
Percebi, então, que é nesses momentos que nos redescobrimos
verdadeiramente. Com o tempo, passei a achar ótimo quando via os
meninos irem embora com o pai, pensando que teria dois dias
inteiros, só para mim! Tudo ficou melhor ainda quando meus filhos,
já com idade suficiente para dirigir, iam sozinhos visitar o pai. Foi
então que comecei a levar uma vida realmente independente."
Quatro anos após ter sido abandonada, Jane, mãe de três filhos, olha
para trás e vê quanto progresso fizeram: "Eu me lembro do começo,
meus filhos gritando, irritados, eu chorando às três da madrugada,
imaginando o que seria de nós. Então, fiquei mais forte porque fui
obrigada, e as crianças também melhoraram. Tivemos de nos mudar
e recomeçar muitas coisas, mas agora estamos bem. As crianças
sobrevivem. Se você for forte, sua força passará para seus filhos. As


crianças são rijas e flexíveis. Elas sobrevivem. E isso o que desejo
dizer às mulheres que estão passando pelo que passei".

6
Uma Recaída no Meio do Caminho
O que fazer quando todos, menos você,
perderam o interesse por sua história


Você já superou o período de emergência, mas, embora em certos
dias não pense uma única vez no homem que a abandonou, em
outros sofre uma recaída repentina. Depois de um longo tempo em
que passou bem, de súbito você se sente novamente no fundo do
poço. Isso pode ser desencadeado por um acontecimento inócuo,
por exemplo, você fica sabendo que amigos seus e de seu ex, dos
tempos em que formavam um casal, foram esquiar com ele e sua
namorada, ou seus filhos voltam de uma viagem que fizeram à
Disneyworld com o pai e sua nova mulher e declaram que estão
loucamente apaixonados pelos dois.
Ninguém quer ouvi-la falar de sua depressão, porque sua história
não ocupa mais a primeira página. As pessoas não ficam
eternamente prestando atenção aos relacionamentos dos outros, o
que é bom, pois a vida deve continuar, mas isso não a faz sentir-se
melhor. Na verdade, deixa-a desesperada ou louca de raiva.
Catherine diz: "A raiva que se sente é intensificada pela atitude de
aceitação das pessoas, que dizem que a vida é assim mesmo, e
pronto. No tempo de meus pais, o homem que abandonava a esposa
era considerado um pecador! Alguém merecedor de desprezo!
Agora, o homem vai embora na terça-feira, e na quinta aparece com
a namorada, apresenta-a aos amigos, e eles a aceitam".


Você ainda está esperando um pouco de solidariedade, mas
ninguém mais está preocupado com o que lhe aconteceu.
A pessoa que foi sua maior fonte de apoio está emitindo sinais de
que já fez demais. Os amigos cansaram-se de ouvir sua história. As
pessoas estão deixando implícito, ou dizendo com todas as letras,
que o que lhe aconteceu não foi nenhuma catástrofe, quando você
certamente acha que foi.
"Descobri que as pessoas nos concedem seis meses de sofrimento",
diz uma mulher que há oito meses tenta curar-se do abalo causado
pelo abandono. "Depois desse tempo, deixam-nos sozinhas."
Comenta uma outra abandonada: "Por algum tempo todos ficam
excitados, mas depois sua história torna-se notícia velha. Por um
lado isso é bom, porque ninguém gosta de ver sua vida particular
correndo de boca em boca, mas às vezes você quer conversar com
alguém sobre o que aconteceu e sente-se constrangida e com medo
de ser vista como uma grande chata".
Algumas mulheres mais velhas e solteiras, abandonadas por seus
namorados, notaram que receberam muito pouca atenção. Os
amigos não entendem por que elas não conseguem se recuperar.
Conta uma delas: "Perdi um fantástico relacionamento amoroso de
onze anos, quando Brian encontrou outra mulher. Meus conhecidos
e amigos pareciam incapazes de compreender que eu estava
sofrendo. Esposas abandonadas recebem atenção e solidariedade.
Namoradas ou amantes abandonadas não recebem".
Seus amigos, que antes foram ouvintes atenciosos, agora estão
ficando um pouco arredios. Antes, eles a deixavam falar bastante,
depois davam-lhe um abraço, agora aconselham-na a sair mais, a
mudar-se para outro apartamento ou a xingar sua ex-sogra.
Pode ser que até aqueles que são de seu sangue estejam perdendo a
paciência, como foi o caso de Ginny, que relata: "Fiquei mal,
durante muito tempo. Tão mal, que a primeira coisa que minha
irmã fazia pela manhã era me ligar e perguntar como eu estava
indo. Um dia, ela telefonou e perguntou a mesma coisa de sempre.


Respondi que não estava bem, e ela gritou comigo, mandando-me
reagir e sair da depressão. Aquilo me magoou".
Apesar de tudo isso, você ainda precisa de alguém que a escute.
Quer que sua melhor amiga ou sua irmã saibam como se sente.
Ficou claro para você que a recuperação não segue uma linha
sempre ascendente, que sua dor não desaparecerá rapidamente, e
que parte dela ficará para sempre. Mas sua amiga não entende por
que você fica desenterrando coisas que já passaram, por que não
está superando o que aconteceu. Você está superando, mas não do
jeito que ela acha que deveria ser.
Os amigos também podem estar esperando que você volte a ser o
que era antes, algo que não acontecerá, por que a vida e a perda a
modificaram, e você está se transformando em uma nova pessoa.
Diz uma mulher: "Meus amigos provavelmente dirão que estou
melhorando, porque tenho saído mais, não tanto quando saía antes
de tudo acontecer, mas certamente mais do que nos primeiros
tempos depois de ter sido abandonada. Mas não sou a mesma
pessoa. Uma amiga recentemente disse que queria a velha Charlotte
de volta, e respondi que ela já não existia".
Apesar de não estar mais no fundo do poço, você ainda não saiu
dele completamente. Todo mundo, especialmente seu ex, já se
acostumou lindamente com a idéia de que seu relacionamento é
coisa do passado. Menos você.
É nesse estágio que fica fácil escorregar sem querer e voltar para o
fundo, o que não lhe fará nada bem, ao contrário. Você poderá
transformar-se numa víbora ou numa tartaruga, ou em ambas,
alternadamente. A víbora atacará qualquer um que ouse falar bem
do homem que a magoou, e também todos aqueles que, em sua
opinião, não estão lhe dando o apoio necessário. Mesmo que no
início você tenha segurado a língua e altivamente se colocado acima
de tudo, agora está achando difícil fazer isso, porque as pessoas
estão agindo como se nada tivesse acontecido. A tartaruga esconde a


cabeça, os braços e pernas dentro da casca, recusando-se a enfrentar
a situação. Nenhuma das duas atitudes é boa.
Embora você tenha se chocado contra um obstáculo em sua estrada,
certamente não deseja tornar-se uma víbora, nem uma tartaruga.
Está na hora de pôr sua vida social em ordem, de tomar fôlego e
agir, talvez até mesmo de permitir-se um pouco de audácia.


Uma Recaída no Meio do Caminho:
16 Maneiras de Vencê-la

1) Escute a si mesma com muita atenção.

Se parece que as pessoas estão afastando-se de você, ou se seus
amigos não mais reagem favoravelmente aos seus desabafos,
deixando-a furiosa, faça estas perguntas a si mesma:
Transformei em terapeutas as pessoas que mais me deram apoio?
Estou tocando o mesmo disco, sem parar?
Só tenho vontade de falar de mim mesma e de meu infortúnio?
Acho minha amiga insensível, quando ela muda de assunto para
descrever o maravilhoso encontro que teve, ou falar dos planos para
uma viagem a Cancun que está fazendo com o namorado?


Se responder afirmativamente a qualquer uma dessas perguntas,
empenhe-se em mudar de comportamento. Racione o tempo que
passa falando do que lhe aconteceu, especialmente se já faz algum
tempo que você foi abandonada. Volte ao psicólogo para mais
algumas sessões.


2) Tente descobrir que aspectos de seu cenário social ainda lhe
dão prazer, fique com eles e abra mão do resto.

Muitas mulheres são mantidas na superfície pelo contínuo afeto e a
atenção de um grupo de velhos amigos. Algumas, principalmente
as casadas, mais velhas, que não precisam preocupar-se com


dinheiro, chegam a descobrir que agora têm mais tempo e liberdade
emocional para dedicar-se às amizades. Se você se encaixa nessa
categoria, fique contente e seja grata às pessoas que podem amá-la
sem tentar modificá-la.

No entanto, como muitas outras mulheres, você pode achar-se à
deriva, socialmente falando, porque, quando se é abandonada, o
relacionamento com amigos que formam casais geralmente termina.
Dois ou três deles podem ter ficado do seu lado, ou do lado de seu
ex, mas a maioria procura não tomar partido, e são esses amigos
que convidarão seu ex e a nova mulher dele para festas, fins de
semana na praia e outras atividades. Quanto mais bem-sucedido ele
for, maior será a possibilidade de ser "perdoado", procurado e
colocado em listas de convidados.

Marion viu-se cercada por algumas amigas verdadeiras, mas ficou
desapontada com o comportamento de um grande número de
pessoas. "Colegas de trabalho nossos e amigos e conhecidos de dois
grupos de voluntários a que pertencíamos simplesmente desapareceram.
Meu ex era ótimo para levantar fundos para nossas
campanhas, e acho que a maioria das pessoas ficou do lado dele, ou
algo assim, e desapareceram de perto de mim. Queixei-me disso
com minha psicóloga, e foi a única vez em que ela se zangou
comigo. Mandou-me cair na real, perceber que a vida é assim."

É quase certo que você fique sabendo que seu ex comparece com a
nova mulher a acontecimentos sociais dos quais você é excluída,
embora no passado fosse convidada para todos. Conta uma mulher:
"Meu ex-marido e eu tínhamos uma intensa vida social. Agora, ele
ainda tem, mas eu, não. Algumas pessoas que conhecemos há muito
tempo organizam, todos os anos, o que chamam de fiesta de verão. É
sempre um acontecimento importante, muito chique e divertido.
Este ano, Jonathan e sua namorada estavam na festa, enquanto eu


estava em casa, com as crianças". Ela diz que não gostou nada, mas
que se resignou, aceitando isso como um fato de sua nova vida.

Você pode ser convidada para jantar com um casal, e achará
estranho estar "avulsa". Se a convidam apenas para festas em
família, por exemplo, um churrasco que reúne você, seus filhos e os
avós deles, talvez você se sinta triste, ou enraivecida, pensando
inevitavelmente que foi atirada para fora dessa Arca de Noé que é o
mundo.

Respeite seus próprios sentimentos. Se gosta de verdade do casal
que a convidou para jantar, acha que poderá se sentir descontraída
e apreciar uma boa comida, um bom vinho e ótima conversa, então
vá e divirta-se. Mas, se ficar tensa só de pensar em aceitar o convite,
não aceite simplesmente porque seria falta de educação rejeitar.

Uma abandonada acha que é impossível manter uma vida social
com amigos que continuam a se relacionar com seu ex. "Tentei fazer
isso, mas não funcionou. Parece que não existe mais aquele elo de
confiança. Sei que alguns amigos visitam ou recebem Sean de vez
em quando, e não consigo ir à casa deles e me abrir numa conversa
franca, sabendo que Sean talvez vá lá no sábado seguinte e que
alguém poderá repetir algo que eu disse. Acho que quando um
casal se separa, quase sempre há uma separação dos amigos dos
dois."

Laura diz: "Não gosto de me sentir avulsa num jantar, numa festa. É
algo desagradável, e como não tenho disposição para retribuir os
convites, prefiro que me esqueçam, ou que me convidem apenas
para reuniões familiares, churrascos, aonde possa levar as crianças.
Tome cuidado para não censurar os amigos. Eles deixam de
convidar para certas coisas uma mulher que ficou sozinha, porque


sabem que ela se sentirá deslocada. Não quer dizer que não gostem
dela".

Digamos que uma pessoa, cuja companhia você apreciou nos velhos
tempos, deixa de procurá-la, mas continua relacionando-se com seu
ex, talvez por uma questão de interesses profissionais. É natural que
você tenha vontade de dizer-lhe: "Foi bom conhecer você, mas a
amizade acabou".

Uma abandonada diz que obteve satisfação fazendo isso. "Escrevi
cartas para três casais que haviam feito parte de nossa vida, pessoas
que sempre encontrávamos em funções relacionadas ao trabalho de
John. Em essência, eu disse que talvez não os visse mais, mas que
havia gostado da companhia deles e dos bons momentos que
havíamos compartilhado. Foi gostoso. Duas das três mulheres
responderam às cartas de maneira muito doce, e um dia fui almoçar
com uma delas. Duvido que continuarei amiga de qualquer uma
das três, mas o que fiz foi melhor do que simplesmente dizer a mim
mesma que não queria mais nada com aquela gente."

Não se torne amarga. Cara diz que enquanto esteve casada nunca
deixou de lado as amigas solteiras, que as convidava para qualquer
reunião que oferecesse. "Duas delas hoje estão casadas com homens
que conheceram em minha casa. Depois que fui abandonada,
nenhuma das duas me convidou para nada."

Deixe o barco correr. As pessoas que não estão visitando você, nem
enviando convites, fazem parte de sua vida antiga. Talvez voltem,
no futuro, mas não gaste tempo nem energia pedindo um apoio que
elas não querem dar. Novas pessoas entrarão em sua vida muito em
breve.

3) Aprenda a lidar com convites irritantes.


• Uma amiga telefona e diz: "Gary viajou para Los Angeles a
negócios e ficará lá uma semana, de modo que estou livre como um
pássaro. Vamos sair juntas para comer alguma coisa?"
Se você achar que será divertido, vá. Se estiver magoada com essa
amiga porque ela só se lembra de você quando o marido (ou
namorado) viaja, diga-lhe isso, sem ser agressiva.

Saia com ela e, quando surgir a oportunidade, diga que sente falta
das coisas que fazia com ela e Gary. Sua amiga poderá ficar um
pouco constrangida com essa referência ao fato de você ter sido
excluída das listas dos casais, mas se a amizade dela for sincera, não
se zangará, e você se sentirá melhor por ter tirado aquilo do
coração.

• Uma velha amiga diz: "Me telefone qualquer dia, para marcarmos
um encontro".
Ligue uma vez, duas, e, se ela disser que não pode encontrar-se com
você por estar ocupada, falando vagamente de um horário
apertado, ou mostrar desinteresse em planejar qualquer coisa,
esqueça a sugestão que ela lhe fez, provavelmente por mera
educação.

• Uma amiga telefona e diz: "Nossa turma vai a Boston, para o
encontro anual de ex-alunos da universidade. Por que você não vai
também, levando um acompanhante?"
Amigas casadas ou com namorado firme, que têm contato quase
que exclusivamente com casais, não compreendem que você não
conhece nenhum homem que pudesse levá-la a uma reunião festiva,
nem faz idéia de onde encontrar um. Diz uma abandonada:
"Descobri que a maioria dos casais vive num espaço diferente. Eles


olham para uma mulher sozinha e pensam que, com toda aquela
liberdade, ela pode convidar quem quiser para qualquer coisa. Não
conhecem a realidade da situação".

Você deve responder: "Obrigada, mas neste momento não há
ninguém que eu gostasse de levar". Depois, provavelmente passará
algum tempo superando esse pequeno golpe em sua auto-estima,
porque ficará pensando: "O que há de errado comigo? Porque não
posso dizer que tudo bem, que convidarei Joe, ou Harry, ou Fred
para me acompanhar?"

Pouquíssimas abandonadas podem. Não há nada de errado com
você.

4) Decida que achará tempo para criar uma nova vida social.

Diz uma mulher: "Ir à casa de alguém, à noite, requer planejamento.
Além de trabalhar o dia todo, uma mulher sozinha ainda tem de
cuidar da casa, do jardim e do carro, de modo que ir jantar na casa
de alguém é sempre o último item da lista. Eu devia fazer isso mais
vezes, mas nunca acho tempo".

Outra mulher diz que seu emprego, o filho de três anos e meio e
algumas amigas sinceras ocupam todo seu tempo. Mas essas amigas
são poucas, e ela não encontra tempo nem energia para conhecer
outras pessoas. "Parece que tenho um uniforme de trabalho e um
uniforme de mamãe, que só preciso dessas roupas e dessas atividades.
Uma parte de minha vida desapareceu. Meu filho é minha
maior prioridade, mas quando ele está fora, nos fins de semana,
penso que seria bom me divertir um pouco. Mas como? Estou por
fora de tudo."

Se você se pegar fazendo os mesmos protestos, tome cuidado. Falta
de tempo pode ser um problema, mas não deixe que isso a derrote.


Não use essa desculpa para transformar-se em uma tartaruga.
Arrume tempo para atividades sociais e vá em frente.

5) Pegue o touro pelos chifres. Comece a colocar sua vida social
em ordem.

Então, ultimamente você vem se sentindo excluída. É óbvio que
deixou sua vida social aos cuidados de outras pessoas. Assuma o
controle, agora. Construa uma vida nova onde não precise ter um
parceiro para ser aceita.

Se esteve esperando que os outros lhe telefonassem, deixe essa
atitude passiva e tome a iniciativa. Talvez uma amiga, cuja
companhia sempre lhe deu prazer, não saiba que você apreciaria
sair para comer uma pizza, ou ir ao cinema. Pode ser que da última
vez em que se falaram você estivesse naquela fase de não querer
sair da toca, e agora ela está esperando um sinal de que aquilo foi
superado. Telefone e diga-lhe que voltou ao mundo.

Procure aquela lista que fez alguns meses atrás, com os nomes das
pessoas que gostaria de ver mais vezes. Pense em alguém que seria
um prazer conhecer. É difícil ligar para desconhecidos, mas se
houver uma amiga de uma amiga sua, de quem ouviu falar muito
bem, ou se você se lembrou da mulher simpática que sentou a sua
frente num almoço da associação de amigos do bairro, descubra o
número do telefone dela e ligue. O que tem a perder? E, com tempo,
pode ter muito a ganhar.

Quatro anos após ter sido abandonada, Eilen descobriu que sua
vida social estava melhor do que nunca. Ela conta: "Meu círculo de
amigos aumentou, ficou muito maior do que aquele do tempo em
que eu vivia com Jack. Na maioria, nossos amigos eram pessoas de
quem ele gostava, principalmente homens com quem ele estudara,


suas esposas ou namoradas. Quase todas saíram de minha vida, e
não posso dizer que sinto sua falta".

Outra mulher percebeu que antes de ser abandonada tinha muitos
lugares para ir e relacionava-se com muita gente, mas que na
realidade não sentia muita necessidade de freqüentar aqueles
lugares ou de ver aquelas pessoas. "O centro de minha vida era formado
por minha família, meu marido e meus filhos. Depois que ele
foi embora, descobri que não tinha amigos íntimos. E ficava
assustada com a idéia de cultivar amizades sozinha. Aos poucos,
estou fazendo amigos, descobri que tenho essa capacidade, mas que
nunca me empenhei. Agora que me empenho, recebo retribuição."

6) Não passe todo o seu tempo apenas com mulheres.

Talvez você descubra que o círculo que se criou a sua volta nos
últimos meses é formado quase que exclusivamente de mulheres —
divorciadas, recém-abando-nadas, solteiras — que gostariam de
compor uma vida social com você. Elas não querem ficar sozinhas
nas noites de sábado e sempre lhe telefonam convidando-a para
alguma coisa.

Isso é ótimo, mas até certo ponto. Você passará mais tempo com
mulheres do que passava quando fazia parte de um casal, e gostará
da companhia e da solidariedade delas. Mas não fique bitolada
naquela rotina de "sexta-feira à noite, drinques com as meninas" ou
"visitas a locais históricos com amigas que se interessam pelo
assunto". Faça isso se realmente quiser, e se as atividades
exclusivamente femininas não se tornarem sua única válvula de
escape social. Sua nova vida não gira em torno de grupos de casais,
como a antiga, mas não é por isso que você vai deixar de conviver
com metade da população.

7) Procure fazer amizade com homens.


Você precisa de homens em sua vida. Não em termos de encontrar
"o novo homem", ou um acompanhante, mas um colaborador, por
exemplo, o irmão solteiro de seu cunhado, o contador de uma
amiga sua, alguém agradável que a impeça de criar azedume contra
os homens só porque aconteceu de encontrar um "limão". Você
encontrará uma pessoa com quem será bom conversar e que a fará
acreditar que é uma mulher cuja companhia os homens apreciam.

Dizem que uma mulher que foi abandonada torna-se alvo de
indesejáveis avanços sexuais por parte de homens casados ou de
outra forma comprometidos, cujas mulheres sentem-se ameaçadas
por ela. Às vezes, isso acontece, mas não sempre.

Uma abandonada fez questão de manter contato com um casal que
conhecia havia muitos anos. Ela diz: "Bárbara e Jim são ótimos, um
casal sólido como rocha, e ambos sempre foram bondosos comigo,
dando-me muita afeição. Jim costuma me abraçar, e ninguém pensa
que existe alguma entre nós. Quando você teve um homem em sua
vida e depois fica sem ele, é bom ser tocada, ser confortada por um
abraço masculino. Não considero Jim apenas o namorado de minha
amiga, mas meu amigo".

Outra mulher apreciou muito a companhia do cunhado, numa
época em que teve uma recaída no meio do caminho e lutava para
restaurar sua auto-estima em frangalhos. "Quando uma mulher é
abandonada, pode ter a sensação de que nenhum homem a acha
atraente, que nenhum é capaz de compreendê-la, que algo em seu
modo de agir faz com que os homens fujam dela. Lembro-me de
que tive uma longa conversa com o marido de minha irmã e que lhe
perguntei se ele entendia o que eu estava dizendo. Ele respondeu
que sim, naturalmente que entendia, então concluí que não havia
nada de errado comigo, que eu podia conversar com outros


homens, que era só meu ex, o homem com quem eu tentava
desesperadamente conversar, que não me ouvia."

8) Convide pessoas para ir a sua casa.

Pode levar um bom tempo até você estar pronta para isso. Uma
mulher diz que recebia muitas visitas no tempo em que era casada e
que gostava de ter gente em casa. "Agora não recebo mais", ela
conta. "Na verdade, no ano passado só recebi visitas de amigos uma
vez. Ainda acho difícil demais receber, sem ter a meu lado o dono
da casa, sem poder contar com sua ajuda. Espero que isso mude,
mas só o tempo dirá."

Outra, abandonada há três anos, declara: "Quase nunca ofereço
recepções ou jantares. De vez em quando recebo alguns velhos
amigos para um drinque. Muito raramente, convido pessoas para
retribuir convites que me fizeram, mas não sinto alegria nisso".
Se você também sente o coração pesado só de pensar em receber
visitas, talvez esteja precisando parar de repetir velhos costumes e
tentar encontrar outras maneiras de fazer as coisas. Paula conta que,
dois anos após ter sido abandonada pelo marido, decidiu oferecer
um jantar para alguns amigos da empresa e um casal de velhos
amigos. Reconhece que não foi um sucesso. "Primeiro, gastei muito.
Segundo, escolhi, para o prato principal, uma receita complicada e
com nome extravagante que nunca havia preparado antes. Fiquei
ocupada e agitada o tempo todo. Depois que todo mundo foi
embora, fique acordada até tarde, limpando e chorando."

Ela conta que um ano depois tentou novamente. "Na época eu tinha
novos amigos, pessoas solteiras ou divorciadas. Pedi a alguns deles
que levassem vinho, e a uma amiga que levasse a sobremesa.
Preparei chili na noite anterior, e jantamos isso, pão e salada. Todos
nós nos divertimos. O que importa é manter contato, não bancar a


Martha Stewart. Aliás, falando nisso, lembrei-me de que ela também
foi abandonada!"

Livre-se das idéias dos outros, como aquela de que as pessoas
devem vir aos pares. Convide pessoas diferentes, sem importar-se
se formam pares ou não. Uma mulher aconselha: "Não se preocupe
em reunir grupos equilibrados. Já ofereci festas para as quais
convidei um bocado de gente e, por alguma razão, numa delas
acabei com uma turma de dois homens e mais ou menos dez
mulheres. Foi uma ótima festa e, naturalmente, os dois homens
divertiram-se muito".

Uma outra conta: "Fazia uns dois anos que eu estava sozinha,
quando ganhei coragem para oferecer uma festa a um grupo de
pessoas. Não tive nem metade da dificuldade que imaginara que
teria e, quando a noite terminou, escrevi em meu diário que
ultrapassara outro marco na estrada de minha recuperação".

9) Saia de casa.

Visitar pessoas é bom. Recebê-las em sua casa é bom. Mas, durante

o período em que estiver tendo uma recaída, você deve sair de casa
e freqüentar lugares de que gosta, sejam quais forem. Não se
esconda dentro de casa, mesmo que seja isso que tenha vontade de
fazer. O retraimento é destrutivo e a transformará numa tartaruga.
Diz Gail: "São as mulheres que se fecham em casa que perdem suas
amizades. Quanto mais você ficar em casa, assistindo à televisão ou
coisa assim, mais achará desagradável sair para fazer alguma coisa".
Gail acrescenta que, às vezes, a mulher precisa forçar-se a sair da
concha, e conta: "Quando me obrigava a fazer uma viagem ou ir,
por exemplo, ao cinema, acabava me perguntando o que estava
fazendo lá. Mas não me arrependo de ter feito isso. Finja que está
gostando, até gostar de verdade. As pessoas não precisam saber que


você está nervosa ou triste. Finja que está descontraída, até sentir-se
assim".

Não seja muito dura consigo mesma. Lembre-se de que está
atravessando um período difícil. Diz uma mulher: "Aprendi a não
esperar demais de mim mesma. Forço-me a sair, mesmo quando
estou sem nenhuma vontade, e depois, quase sempre, fico contente
por ter saído. Mas, quando estou em algum lugar e de repente
decido que quero ir embora, vou. Não me censuro por isso".

Por outro lado, não parar em casa também pode representar um
problema. Algumas mulheres recordam a época em que haviam
acabado de ser abandonadas e perguntam-se se foram vítimas de
uma louca compulsão irresistível de manter-se em perpétuo
movimento.
A mulher cujo marido anunciou publicamente que a estava
deixando por um novo amor — como ela conta, pondo a cidade
toda contra ele e a favor dela — viu-se coberta de convites para
almoços, jantares e festas. "Eu não recusava nenhum, a não ser
quando havia vários convites para o mesmo dia. Foi o verão mais
cansativo de minha vida. Eu não tinha vontade de comer, perdi
quinze quilos, nem conseguia me olhar no espelho, porque parecia
que saíra de um campo de concentração. Uma das paredes de meu
quarto era espelhada, de modo que eu me trocava no closet antes de
sair para atender a mais um compromisso social."

Ela se conteve apenas quando notou que corria o risco de cair de
exaustão.

Outra mulher recorda: "Por algum tempo, depois que meu
namorado me deixou, o pensamento de não ter o que fazer no fim
de semana me punha à beira do pânico. Então, me inscrevia num
seminário ou algo assim, ou saía da cidade, para conseguir


sobreviver ao fim de semana, só para acabar sentada numa rocha,
chorando".

Se no estágio em que se arrastou, gravemente ferida, você caiu em
inércia, mal conseguindo levantar a cabeça do travesseiro, e agora se
vê lançada em frenética atividade, se olha para o calendário,
determinada a preencher todas as horas livres, vá mais devagar,
reflita sobre o que está fazendo. Dorme o suficiente, vive de modo
saudável? Sai de casa, ou até mesmo da cidade, para não ficar em
casa, sentindo-se abandonada?

Correr por aí, indo a jantares, cinemas, boates e outros lugares
movimentados, pode indicar que você está frenética e desesperada.
Certo, é melhor ser frenética dessa maneira do que ir para Acapulco
e ter casos com uma porção de garotos de praia, mas não deixa de
ser um sinal de que você tem medo de ficar sozinha.

Fique em casa uma noite ou outra, escrevendo em seu diário.
Registrar seus pensamentos e sentimentos naquele caderno que
ninguém, a não ser você, lerá, pode ser restaurador e calmante,
durante uma recaída.

Ponha um bom disco para tocar, deite-se, medite, deixe-se embalar.

Pense em alguém que possa estar precisando de sua atenção. Diz
Jean: "Nas noites em que me sinto nervosa, preparo um caldeirão de
sopa de feijão e um bolo de limão e levo-os para uma senhora idosa
que mora no meu prédio".

10) Tenha coragem. Vá sozinha.

Você é convidada para um acontecimento especial, um casamento
elegante, uma festa que pede traje a rigor, e será a primeira vez que


lhe aparece algo assim, desde que seu ex a deixou. Ele não está mais
a seu lado. Não há nenhum outro homem para acompanhá-la.

Vá sozinha. Embora possa sentir-se um pouco mal, com certeza se
sentiria ainda pior se não fosse, por falta de coragem. Você já
avançou bastante no caminho de sua recuperação, de modo que é
pouco provável que comece a chorar num momento inoportuno, ou
que os outros parem de conversar para olhá-la, porque as pessoas
não estão mais fascinadas pelo fato de você ter sido abandonada.

Assuma uma boa atitude mental. Uma mulher, que sempre teve
vida social intensa, diz que mesmo antes de ser abandonada ia a
muitos lugares sozinha, porque o marido viajava muito a trabalho, e
que nunca se sentiu mal por isso. "Eu achava perfeitamente normal
ir sozinha, porque podia dizer que Stanley estava em Londres, por
exemplo. Agora, vou sozinha, mas me sinto constrangida, porque
Stanley está na cama com outra mulher."

No começo, ela imaginava que as esposas a consideravam uma
ameaça, pois agora ela estava livre e presumivelmente disponível
para um caso com seus maridos. Por fim, superou isso. "Disse a
mim mesma que aquilo era ridículo. Em primeiro lugar, qual é a
diferença? Sozinha é sozinha. Em segundo, não estou atrás do
marido de ninguém, e provavelmente ninguém acha que estou.
Mas, por medida de segurança, sempre tomo o cuidado de
conversar mais com as mulheres do que com os homens."

A idéia de ir a algum lugar sozinha fica muito mais desagradável se
você pensa ou sabe que seu ex estará lá com sua nova mulher. Se
você acha que tem toda essa força, e se o lugar for bastante grande
para que não precise ficar perto deles, vá e tente divertir-se. As
outras pessoas poderão achar a situação um pouco constrangedora,
mas isso não é problema seu.


Arden conta: "Era uma grande festa, e meu ex estava lá com a
namorada. Mas a multidão espalhara-se por várias salas, fiquei em
uma delas, e eles dois, em outra. As pessoas iam às duas salas, para
apresentar seus cumprimentos e mim e a ele, e achei aquilo
parecido com um funeral".

Ela diz que na época suas emoções ainda estavam tumultuadas,
impedindo-a de ver o lado engraçado da situação. Mais tarde,
achou aquilo hilariante.

É quando a noite termina que vem o pior, de acordo com muitas
mulheres. Uma delas diz: "Sinto falta da conversa na cama, de falar
sobre a festa, de quem estava com boa aparência, de quem fez papel
de bobo, de comentar o que uma pessoa disse a outra".

Esteja preparada para se sentir deprimida quando voltar para casa,
mesmo que a noite tenha sido muito boa. Ponha um filme
engraçado no videocassete, tome um copo de leite morno e tente
dormir o mais rápido possível.

11) Saiba prever seus momentos de depressão e vá para algum
lugar longe de casa.

Uma mulher que via, com grande tristeza, aproximar-se seu
primeiro Natal como abandonada, decidiu sair da cidade. Reuniu
três amigas que também eram sozinhas, e as quatro alugaram um
quarto duplo na histórica Mohonk House no norte do Estado de
Nova York, onde passaram três dias com uma multidão de
desconhecidos amigáveis, cantando músicas natalinas, tomando
gemada e andando por trilhas.

Nem todo mundo pode sair da cidade, mas se houver tempo e
dinheiro para isso, planeje uma viagem para um lugar agradável, de


modo a não estar fechada em casa em seu aniversário natalício ou
de casamento, ou outro dia carregado de emoção e lembranças.

No caso de você não dispor de tempo e dinheiro para sair da
cidade, tente estar em qualquer lugar menos em casa, nesses dias
especiais. Vá ajudar os necessitados. Diz uma mulher: "Olhe apenas
alguns centímetros para a esquerda ou para a direita e verá que há
coisas muito piores do que ser abandonada".

Vá fazer um passeio com um grupo de observadores de pássaros. O
bombeamento de endorfinas lhe fará bem, e talvez você encontre
alguém que goste de andar para se exercitar, com quem poderá
fazer caminhadas todas as manhãs.

12) Procure as outras mulheres de seu ex.

Quanto mais você fizer amizade com pessoas que não conheceram o
homem que a abandonou, melhor será. No entanto, há um outro
aspecto da questão: procure aquelas mulheres que você não
conhece, mas que conheçam seu ex, talvez bem demais para seu
gosto.

Essa tática não é para todo mundo e pode parecer levemente
grotesca, mas fazer contato com outras mulheres de seu ex, também
abandonadas por ele, pode ser vi til nesse estágio de sua
recuperação. Há algo de realmente bom em descobrir que seu exmarido
ou ex-namorado arrasou mais alguém, emocionalmente.
Você se sente um pouco menos idiota, porque não foi a única. Seu
relacionamento com essa mulher, ou mulheres, será algo diferente, e
todas poderão beneficiar-se com algumas risadas ou queixando-se
da vida que tiveram com e sem ele.

Diz Eve: "Fazia alguns anos que Bill e eu estávamos divorciados,
quando um dia recebi um telefonema de Kate, a mulher por quem


ele me deixara e com quem posteriormente se casara. Ela estava em
prantos. Bill acabara de abandoná-la! Fomos almoçar juntas diversas
vezes e no fim nos tornamos bastante íntimas. Ajudei-a a superar
aquele período horrível do começo, e agora, quando nos
encontramos, acabamos por dar boas risadas, porque tudo nos
parece tremendamente ridículo. Eu via Kate como a mulher
sedutora que destruíra meu lar, arruinara meu casamento, roubara
meu marido. Eu a odiava. Agora vejo tudo diferente. Conhecê-la
ajudou-me a finalmente pôr um ponto final definitivo naquele
episódio de minha vida".

Bárbara, outra abandonada, conta esta história: Bob, com quem
morava havia seis anos, um dia avisou que ia deixá-la para viver
com Linda. Algum tempo depois, Bárbara soube que uma outra
mulher, Alice, fora traída por Bob, após um namoro de três anos.
"Assim, acho que nem fui parte do problema de Bob, cujo dilema
aparentemente fora decidir se deixava Alice para ficai com Linda,
ou não. Descobri que meu relacionamento com ele não tivera
nenhuma firmeza."

Bárbara telefonou para Alice. As duas conversaram e um dia
encontraram-se, compararam suas experiências. Divertiram-se.

Se há uma ou mais de uma ex-mulher na vida de seu ex, você ficará
sabendo. As pessoas sentem-se livres para contar-lhe coisas que
sabiam desde muito tempo, quando você é abandonada. Se você
não achar muito esquisita e chocante a idéia de procurar a exmulher
(ou mulheres) de seu ex, faça isso. Se achar, esqueça.

13) Não rejeite a idéia de usar uma "muleta".

Hillary, chefe de sua própria firma de relações públicas, diz, falando
de uma de suas recaídas: "Depois de mais ou menos um ano,
embora eu já estivesse relativamente em boa forma, ainda tinha


dificuldade para me concentrar no trabalho. Às vezes, estava em
uma reunião, e minha mente começava a vaguear, e eu ficava
pensando em detalhes deprimentes de meu antigo relacionamento".

Outra mulher conta que estava indo muito bem, até que o marido
levou os dois filhos deles e a namorada para passar um mês de
férias na casa de verão da família. "Aquela foi a primeira vez que
Matt levou Pat à ilha, para ficar lá, dormir na nossa cama. Seria diferente,
se eles ficassem em um hotel ou num apartamento, em outra
praia. Eu não conseguia parar de pensar naquilo, de desviar a
mente para outra coisa."

Essas recaídas podem derrubá-la, atrasando seu progresso. Sua
equipe de apoio está esgotada, você se sente perseguida por um
pensamento persistente e não tem ninguém a quem recorrer,
pedindo ajuda.

Se seguiu os conselhos deste livro e evitou tomar medicação
calmante, talvez agora seja bom lançar mão desse recurso. Diz
Hillary: "Eu rejeitara ferozmente a idéia de tomar qualquer coisa
que me ajudasse a atravessar aquele período inicial, mais difícil,
quando meu namorado me deixou. Relutava em me apoiar em algo
falso". Durante a recaída, porém, ela consultou um médico que lhe
receitou um antidepressivo suave, que a ajudou muito.

Não se julgue uma supermulher. Você pode realmente precisar de
uma "muleta", e não há nada de mal nisso. Converse com seu
médico. Talvez nem compre o remédio, mas será bom saber que a
receita está lá, pronta para ser usada.

14) Enfrente o fantasma de seu ex.

Embora você esteja num período de recaída e lutando para levantar-
se novamente, está mais forte do que no início. E, principalmente se


seus esforços recentes para reorganizar sua vida social estiverem
dando bons resultados, agora talvez seja o momento de empurrar
seu ex um pouco mais para as profundezas do passado.

Telefone a uma amiga e convide-a (ou um amigo, claro) para jantar
com você em "seu" restaurante ou dar uma volta em "seu" parque,
lugares que freqüentava com seu ex e que evitou desde que foi
abandonada. Vá lá, olhe em volta, refletindo que, afinal, trata-se
apenas de um lugar para comer ou passear. Coloque outras lembranças
sobre as antigas, associe o lugar com uma tarde ou noite
agradável com um amigo. Despoje o lugar de qualquer romantismo,
conscientemente.

Escolha uma tranqüila tarde de domingo para tirar do armário
aquela caixa de papelão em que guardou todas as recordações de
seu antigo relacionamento. Olhe tudo e, se sentir vontade de chorar,
relembrando o amor que vocês dois compartilharam, chore. Depois,
decida o que conservar e o que jogar fora. Se quiser ficar com tudo,
não há problema. Guarde as fotos, cartas, o que for, novamente na
caixa e coloque-a de volta no armário. Então, esqueça-a.

Se achar que não há razão para conservar tudo aquilo, melhor
ainda. Diz uma mulher: "Eu quis queimar tudo. Tirei do maleiro
minha caixa cheia de fotos, cartas, livros de poesia que ele me dera,
cartões que haviam acompanhado flores, programas de shows a que
tínhamos assistido juntos. Acendi o fogo na lareira. Até isso foi
significativo, pois era Tom quem sempre acendia o fogo. Então,
sentei-me diante da lareira e fiquei tomando vinho, enquanto
atirava nas chamas todas aquelas lembranças, com exceção de duas
fotos que quis guardar. Foi uma ação purificadora".

15) Mude a aparência.


Você andava pensando em erguer as pálpebras ou aplicar um pouco
de colágeno aqui e ali, mas evitou alterar seu corpo naquela fase em
que se arrastou, gravemente ferida. Agora, volte a pensar na
possibilidade de fazer isso.

Compre uma roupa fabulosa, sensual.

Mude o corte dos cabelos.

Seja o que for que você fizer para melhorar sua aparência, estará
dando um passo largo e consciente em direção a sua nova vida,
uma vida melhor. Não será apenas uma reação repentina à dor e à
fúria que sentiu quando seu homem deixou-a por outra mulher.

16) Leia seu diário.

Pegue aquele caderno com as páginas manchadas de lágrimas em
que você começou a escrever três, seis meses, um ano atrás, e que
nunca mais releu. Abra-o na primeira página, comece a ler e veja
quanto já progrediu.

Dê uma olhada na lista das cinqüenta coisas que gostaria de fazer
antes de morrer. Tome a decisão de fazer pelo menos uma ou duas
durante os próximos doze meses.

Diga a si mesma que se curou da recaída.

7
A Infelicidade Adora Companhia



Histórias Horríveis que a Farão Sentir-se Melhor

Se você está levando a vida em frente com confiança e facilidade,
pode pular este capítulo. Se ainda está se sentindo solitária, furiosa
ou envergonhada, e acha que conhecer os desastres sofridos por
outras pessoas poderá lhe dar um pouco de conforto, estas histórias
horríveis talvez a ajudem.
Muitas das abandonadas com quem conversamos contaram com
franqueza de que modo foram traídas, e são histórias de arrepiar os
cabelos. Algumas delas precisaram de um longo tempo, de esforço
extraordinário e muita determinação para erguerem-se outra vez,
tanto financeiramente como emocionalmente e socialmente.
Lendo essas histórias, você se convencerá de que não foi a maior
mártir do século e que, se aquelas mulheres sobreviveram, você
também sobreviverá.

Ângela, 44 anos

Depois de muitos anos de dificuldades financeiras, as coisas
começaram a ir muito bem para mim e Peter. Tínhamos uma
pequena fábrica de componentes eletrônicos, que construímos
juntos, e, então, uma grande empresa quis comprá-la, mas o
processo todo levou três anos, e Peter ficou exausto, trabalhando
longas horas, diariamente. Durante esse período, nossos dois filhos
viam-no apenas de passagem, pois a vida dele resumia-se em
trabalho e em ir de uma reunião para outra.

Numa tarde de domingo, finalmente, consegui que ele me desse
atenção e, durante a conversa, Peter concordou que nossa vida
familiar estava sofrendo e sugeriu que fôssemos, só nós dois, para o
Havaí, onde passaríamos duas semanas, descansando. A
documentação para a venda da fábrica estava pronta, e o contrato
seria assinado dentro de um mês e meio. Foi transbordando de


alegria que telefonei para uma agência de turismo e fiz os arranjos
para o que me parecia um sonho.

Cinco dias antes da data marcada para a viagem e dois antes da
chegada de meus pais, que ficariam em nossa casa, cuidando das
crianças, Peter anunciou que haviam aparecido alguns problemas
relativos ao negócio e que isso poderia atrasar sua partida. Sugeriu
que Janet, minha maior amiga, fosse comigo e me fizesse companhia
na primeira semana, porque na segunda certamente ele estaria lá comigo.
Janet era divorciada e vivia dentro dos limites de um
orçamento apertado, de modo que Peter ofereceu-se para usar
alguns de seus muitos pontos de quilometragem de vôo para ajudála
a pagar a passagem.

Embora esse plano estivesse longe de realizar meu sonho de uma
segunda lua-de-mel, que faria com que Peter e eu nos uníssemos
mais, não deixava de ter seus atrativos. Janet morava numa cidade
que ficava a umas quatro horas de viagem da nossa, de modo que
não nos víamos com muita freqüência.
Minha amiga chegou na noite anterior ao dia da partida, e ela, meus
pais, Peter e eu jantamos juntos, num clima muito agradável. Na
manhã seguinte, nós duas embarcamos no avião para o Havaí,
excitadas e sentindo-nos quase tão jovens e bobinhas como em
nossos primeiros tempos de universidade. Chegamos a Maui, nos
instalamos no hotel e preparamos nossos primeiros drinques maitai.
Os dois dias seguintes foram fabulosos. Na terceira noite, Janet
me disse que fizera reservas no melhor restaurante da ilha. Contou
que fora idéia de Peter, que lhe dera o dinheiro para pagar aquele
jantar especial.

Fomos ao restaurante, que parecia uma casa de fazenda, e nos
acomodamos para saborear uma refeição memorável. Tudo foi
servido de modo magnífico, e o sabor dos pratos era maravilhoso.


Janet disse que Peter recomendara-lhe que pedisse drinques, após o
jantar, quando, então, ela me entregaria algo que ele deixara sob
seus cuidados. Eu esperava um presente, até que Janet entregou-me
uma carta endereçada a mim, com a letra de Peter no envelope.

Abri, li e achei que ia morrer ali mesmo, sentada à mesa do
restaurante. Peter escrevera que estava me deixando, que conhecera
outra pessoa e que aprendera que era preciso agarrar a felicidade,
quando ela aparecia. Dizia que lamentava, mas que sabia que eu era
uma pessoa forte, que superaria, que reconheceria que nosso
casamento deixara de ser bom havia muito tempo, que certamente
faríamos a partilha de bens de maneira razoável e civilizada.
Aconselhava-me a ficar o resto da semana e, então, já descansada,
voltar para casa para lidar com a situação.

Janet me olhava, enquanto eu lia, perguntando o que acontecera.
Não me lembro de como foi que saímos do restaurante, a pobre de
minha amiga estava arrasada, vendo-me tão perturbada. Quando
mostrei-lhe a carta, ela ficou horrorizada. Não sabia de nada. Peter
apenas dissera-lhe para me oferecer uma refeição especial no
terceiro dia, quando então me entregaria o envelope fechado.
Conseguimos, não sei como, voltar para o hotel. Chorei a noite toda
e finalmente adormeci, já perto do alvorecer. Na manhã seguinte,
liguei para o escritório de Peter e disseram-me que ele fora pescar
com os novos donos da fábrica e que não podia ser alcançado.

Apesar de que agora, olhando para trás, acho isso muito estranho,
Janet e eu ficamos em Maui até o fim da semana. Então, voltamos, e
encarei a realidade. Meus pais, que até ali também não sabiam de
nada, foram maravilhosos. Peter praticamente desapareceu de
nossas vidas por um tempo, mas era como se estivesse viajando a
negócios, pois a maior parte de suas roupas continuava lá, a
escrivaninha dele ainda estava na saleta íntima. Mas ele não estava


viajando, e sim montando sua nova residência com uma jovem advogada
que trabalhara com ele na venda da fábrica.

Por que ele não me contou pessoalmente? Como pude ficar casada
com um covarde daqueles durante dezesseis anos? Ainda não
encontrei respostas para essas perguntas.

Fizemos a partilha de bens e nos divorciamos três anos atrás, e
agora ele está casado com a advogada. Embora alguns de nossos
amigos ficassem horrorizados quando souberam de como eu
recebera a notícia de que estava sendo abandonada, Peter e sua
nova mulher são vistos e recebidos em toda parte, e ninguém parece
censurá-lo pelo que aconteceu. Meus filhos não aceitaram bem a
situação, levei-os a psicólogos, e eles vão se agüentando como
podem. Peter visita-os em dias e horários estabelecidos
judicialmente.
Encontrei emprego na loja de roupas de uma amiga e trabalho como
voluntária num abrigo para mulheres. Passando os dias ocupada na
loja e vendo mulheres em situação muito pior do que a minha,
comecei a me conformar com o que aconteceu. Não consigo nem
pensar em me relacionar com outro homem. Se vier a pensar, o que
duvido, será apenas depois que minhas feridas estiverem totalmente
cicatrizadas.

Alana, 28 anos

Depois de me formar, numa faculdade municipal, e de fazer vários
cursos intensivos de computação, mandei meu currículo para vários
lugares e fiquei entusiasmada quando fui aceita para trabalhar para
um homem que estava abrindo um restaurante em nossa cidade.
Era o segundo restaurante de David. O primeiro, aberto três anos
antes, alcançara estrondoso sucesso. David era dinâmico, ousado,
confiante, cheio de planos e de fenomenal energia. Era dez anos


mais velho do que eu, e, comparados a ele, os outros homens que eu
conhecia pareciam apagados e vazios.

Desde o início, trabalhei quase o mesmo tanto de horas que ele,
criando programas de computador para controlar as compras, o
pessoal e todos os outros aspectos do negócio, que eu achava cada
vez mais fascinante. Depois de um ano trabalhando juntos, David e
eu ficávamos mais no restaurante do que em qualquer outro lugar.

Fiquei encantada, quando ele me disse que queria que eu o ajudasse
no trabalho em uma feira comercial, em outra cidade. Aquela
viagem foi divina. Durante três dias, trabalhamos na feira, comemos
em todos os restaurantes que conseguimos encontrar e conversamos
muito, cada um falando de sua vida, fornecendo aqueles detalhes
que permirem uma pessoa conhecer bem a outra. Não fiquei surpresa,
quando nos tornamos amantes.

Os anos seguintes voaram. Eu achava que encontrara não apenas o
homem certo para mim, como também uma carreira promissora e
excitante. David e eu quase sempre fechávamos o estabelecimento
juntos, à noite, depois passávamos algumas horas em algum outro
lugar, conversando sobre o negócio com pessoas do ramo. Embora
ele mantivesse um pequeno apartamento perto de um de seus restaurantes,
passava quatro ou cinco noites por semana no meu.
Estávamos juntos havia quatro anos, quando comecei a ter
estranhos problemas de saúde. Às vezes ficava com a visão
embaçada e tinha dificuldade em manter o equilíbrio do corpo.
Atribuí isso ao cansaço e prometi a mim mesma que tiraria férias.
Por fim, procurei um médico e fui submetida a uma variedade de
exames.

No início, David foi compreensivo e atencioso, depois começou a
ficar impaciente, até mesmo frio. Agora, acho que ele suspeitou,


muito antes de mim, de que minha doença era bastante séria. Uma
tarde, cheguei ao restaurante e descobri que ele contratara uma
assistente para, segundo suas palavras, "aliviar minha carga de
trabalho".

As coisas aconteceram muito depressa, depois disso. Os médicos
diagnosticaram meu mal como esclerose múltipla. Na mesma tarde,
em lágrimas, contei a David, e ele insistiu para que eu tirasse uma
licença para tratamento de saúde. A verdade era que ele já falara
com o agente de seguros e dera entrada nos papéis. Estava distante
e impassível, quando me disse tudo isso, e eu achei difícil entender

o que estava acontecendo.
Saí do restaurante como um carneirinho dócil, sentindo-me como se
estivesse sentada numa praia, só observando as ondas, uma após a
outra, espalharem-se sobre mim.
O tempo passou. Meu médico deu-me antidepressivos, e a doença,
agora, milagrosamente, está retrocedendo. David excluiu-me de sua
vida e não o vi mais, nem recebi um único telefonema, desde o dia
em que voltei ao restaurante para assinar os papéis de demissão e
pegar minhas coisas. Perdi o gosto por aquela linha de trabalho e
agora sou programadora de uma firma de contabilidade.

De vez em quando saio com um homem, mas só comecei a fazer
isso dois anos depois da decepção com David. Tudo está indo muito
bem, agora, e estou contente com minha vida descomplicada. Chego
a ver a mulher que fui, tão totalmente mergulhada no mundo
daquele homem, como outra pessoa. Acho que gosto muito mais de
quem sou agora.

Eilen, 53 anos

Sam e eu tivemos uma vida boa. Meu pai ajudou-o financeiramente,
quando ele abriu a imobiliária, além de nos comprar uma linda


casa, ao lado de um campo de golfe, quando nosso primeiro filho
nasceu. Com o passar dos anos a empresa de Sam cresceu, e ele
envolveu-se em projetos cada vez maiores.

Tudo deslizava tranqüilamente em águas calmas, quando houve
uma queda no negócio de imóveis em nossa área, e as casas que
Sam e seus sócios construíram não foram vendidas. Meu pai tinha a
maior parte de seu dinheiro investida em imóveis, de modo que isso
foi um problema para ele também. De repente, as coisas começaram
a ir de mal a pior. Um dia, meu pai teve um derrame e estava morto
antes do anoitecer. Minha mãe e eu ficamos chocadas, sofremos
muito, então tivemos uma má surpresa, quando descobrimos que
ela ficara com menos dinheiro do que esperara. Sam e eu tentamos
dar-lhe apoio moral, embora os negócios em perigo o mantivessem
ocupado e longe de nós grande parte do tempo.

Continuamos assim durante três anos; então, um dia, Sam sugeriu
que vendêssemos nossa casa para aliviar o aperto financeiro. Minha
mãe ia mudar-se para uma comunidade de aposentados, os
meninos haviam ido para a universidade e tinham planos de morar
em outro lugar, depois de formados. Estava na hora de começarmos
a pensar em nós mesmos, meu marido disse, propondo que
comprássemos uma casa pequena, que fosse fácil de cuidar, o que
estaria mais de acordo com nosso estilo de vida, quando ficássemos
mais velhos, e que fizéssemos as viagens de que sempre havíamos
falado tanto. Gostei da idéia. Um novo lugar para nossa vida futura
seria um novo começo para nós dois.

O valor de nossa casa aumentara, e ela foi vendida por um pouco
mais de um milhão de dólares, um dia depois de ter sido posta à
venda. Comecei a procurar nossa casinha perfeita e encontrei
algumas adoráveis. Sam, no entanto, pôs defeitos em todas. Sugeriu
que alugássemos uma até encontrarmos a que queríamos e


aplicássemos o dinheiro no mercado de ações. Meu pai pusera
nossa casa em meu nome, de modo que, quando recebi o cheque
dos compradores, entreguei-o a Sam. Alugamos uma casa, e
continuei à procura de uma para comprar.

Exatamente três semanas mais tarde, Sam anunciou que ia me
deixar. Se isso não bastasse, disse que lamentava muito, mas que
perdera o milhão de dólares no mercado de ações. Alegou que ia
sair da cidade porque ficara demais perturbado com o imenso
prejuízo.

É impossível descrever como me senti traída. Tempos depois, a
secretária de Sam contou-me que ele tinha um caso com uma
mulher que trabalhara na empresa dele como estagiária, três anos
antes. Também descobri que ele viera tecendo aquele plano durante
mais de dois anos. Sem que eu soubesse, Sam vendera sua parte da
empresa aos sócios, explicando a eles que íamos fugir da vida
agitada e viajar.

Quando fui capaz de erguer o telefone do gancho e ligar para o
banco, descobri que havia menos de quatrocentos dólares em nossa
conta conjunta. Eu não poderia nem mesmo continuar pagando o
aluguel do lugar onde estava morando! Mudei-me para um
apartamento em cima da garagem da casa de uma amiga, onde
morei durante algum tempo.

Até agora, minha mãe já me deu milhares de dólares para pagar
advogados, mas parece que não estamos progredindo. Sam e sua
amante, Bonnie, estão morando em outro país, e ele continua
afirmando que perdeu o dinheiro da venda da casa no mercado de
ações. Cheguei à conclusão de que não posso continuar lutando
contra ele, pois não tenho mais recursos.


Com a ajuda de amigos, consegui licença para trabalhar como
corretora de imóveis e já fiz algumas vendas. Estou começando tudo
de novo, e desta vez só posso contar comigo mesma. Eu me
preocupo com o mau exemplo que Sam deu a nossos filhos, mas
segui-lo, ou não, é algo que só eles podem decidir.
Fiz novos amigos. Dois meses atrás vendi uma casa para um viúvo
muito simpático, e saímos juntos algumas vezes. Conversamos
sobre minha experiência e até rimos, pois foi de fato algo grotesco,
horrível demais. Acredito que isso significa que fiz algum
progresso, e estou me sentindo bastante otimista.

Não vou permitir que Sam e suas ações arruinem o resto de minha
vida.

Catherine, 35 anos

Tanto Richard como eu tínhamos ótimos empregos, possuíamos um
lindo apartamento e viajávamos para algum lugar exótico pelo
menos uma vez por ano. Resumindo, levávamos uma vida boa.
Embora falássemos em nos casar "algum dia", não víamos motivo
para pressa. Nenhum de nós dois fazia questão de ter filhos.

Rich foi promovido, o que nos deixou muito contentes, embora isso
significasse que ele teria de ficar fora uma semana por mês. Na
semana em que ficava sozinha, eu saía com minhas amigas, depois
do trabalho, e fazia coisas que não o interessavam, como ver filmes
legendados. Ele começou a exercitar-se nos salões de ginástica dos
hotéis onde ficava hospedado, durante as viagens, e como resultado
perdeu peso e adquiriu interesse por comidas saudáveis. Adorei
saber que ele estava se cuidando e até fiz cursos para aprender a
preparar refeições com baixo teor de gordura, mas saborosas.

Uma noite, Rich chegou em casa com um completo equipamento de
camping, anunciando que nas próximas férias iríamos acampar


numa floresta. A idéia não me atraiu nem um pouco, mas ele estava
entusiasmado e acabou me convencendo. Além disso, eu vinha
notando que já não estávamos tão ligados como antes e achei que
uma semana num lugar isolado nos daria a oportunidade de nos
aproximarmos novamente.

O pequeno hidroavião que nos levou a um lugar remoto voltaria
uma semana depois para nos pegar. E lá estávamos nós, no meio da
floresta. Os dois primeiros dias transcorreram muito bem, embora
eu ficasse aborrecida com o fato de Rich estar sempre se afastando
de mim para explorar uma colina ou qualquer outra coisa.

Na segunda noite, preparei um jantar especial com ingredientes que
levara para fazer uma surpresa a ele, além de duas garrafas de seu
vinho favorito. Visualizei um jantar romântico e uma cena de amor
igual àquela do filme Entre Dois Amores. O céu estava estrelado,
havia lua, e comecei a pensar que aquela viagem talvez fosse o que
de fato estávamos precisando.

Embora Rich dissesse que todo aquele trabalho para preparar um
jantar fora bobagem, pareceu gostar, e tomamos as duas garrafas de
vinho. Em dado momento, ele olhou para mim e disse: "Preciso
contar uma coisa a você e acho que este é o momento certo". Então,
explicou que se apaixonara por sua assistente, que ela estava
grávida de três meses e que o filho era dele.

Pensando naquilo, agora, realmente não sei como meu coração não
parou. Eu não conseguia respirar, não conseguia pensar. Como ele
pudera fazer aquilo comigo? Como pudera me dar aquela notícia
ali? Como passaríamos os cinco dias que faltavam para o hidroavião
ir nos buscar?
Minha mente bloqueou boa parte do que aconteceu naqueles cinco
dias, mas lembro-me de que, quando não estava chorando, eu me


sentia amortecida. Rich não parava de dizer que nunca planejara
aquilo, que simplesmente acontecera, e que a idéia de ser pai o
deixava muito feliz.

Isso foi três anos atrás. Rich agora tem um filho e mora com sua exassistente
a uns vinte quilômetros de distância de mim. Comprei
um outro apartamento, menor, mudei de emprego e mergulhei no
trabalho. Passei muitos meses perguntando a mim mesma e a uma
série de psicólogos como pude me enganar tanto a respeito de uma
pessoa. Parece que não há resposta.

Cerca de um ano atrás tive um rápido caso com um homem que
conheci no trabalho e que me fez sentir atraente depois de um longo
tempo em que me considerei um lixo. Ele era casado, e me senti
culpada. Perguntava-me o que a esposa dele me fizera para merecer
aquilo. Estou contente pelo que aconteceu, mas mais contente ainda
por ter terminado o relacionamento. Não tenho estômago para
certas coisas.

Matriculei-me num curso de jardinagem, recentemente, e lá conheci
um homem muito agradável. No próximo fim de semana iremos a
uma feira regional de jardinagem e, quem sabe, pode ser que no
próximo outono eu queira plantar tulipas com ele. Sei que nunca me
recuperarei completamente da traição de Rich. Arrependo-me de
não ter considerado a idéia de ter um filho, mas não posso fazer
mais nada a respeito, sem falar que questiono meus motivos para
querer ser mãe solteira. Estou aberta a novas idéias e novas pessoas,
e vamos ver o que acontece. Exigirei duas coisas de qualquer
homem que possa vir a fazer parte de minha vida: senso de humor e
a promessa de que nunca iremos acampar.

Heather, 36 anos


Conheci Alan quando estava no colegial, e ele, na faculdade. Ele era,
e é, lindo, e me apaixonei à primeira vista. Namoramos durante
dois anos, e o sexo entre nós era maravilhoso. Casamos assim que
ele se formou em administração de empresas. Fui trabalhar numa
clínica médica, e ele foi contratado por uma empresa de software. Eu
não poderia ser mais feliz.

Três anos depois do casamento tivemos uma menina, e dois anos
após, um menino. Continuei a trabalhar, só parando durante a
licença-maternidade, e minha mãe cuidava das crianças, mas com o
passar do tempo essa tarefa foi ficando difícil demais para ela, de
modo que decidimos que seria melhor eu parar de trabalhar fora.
Então, comecei a fazer trabalhos de computador em casa.

Embora eu adorasse cuidar de meus filhos, estava sempre exausta,
quando Alan chegava, à noitinha. Ele me pedia para ter paciência,
que logo teríamos dinheiro suficiente para eu parar com o trabalho
para fora e me ocupar apenas com as crianças e a casa. Os meses
foram passando, e parecia que conversávamos apenas sobre o que
acontecia com nossos filhos. Ainda tínhamos uma vida sexual
bastante ativa, e quando a freqüência de nossas relações começou a
diminuir atribuí isso ao fato de nós dois estarmos trabalhando
demais.

Um dia uma amiga me contou que vira Alan almoçando com uma
loira num restaurante suburbano. Fiquei aborrecida com ela e disse
que meu marido tinha de almoçar ou jantar com clientes, que isso
fazia parte de seu trabalho. Durante todo esse tempo continuei a
desempenhar o papel que achava que me cabia em nossa vida
conjugal, contribuindo com uma renda, embora pequena, e
tomando conta da casa e das crianças.


Em nossos aniversários de casamento, em junho, costumávamos
sair para jantar fora, e eu estava esperando ansiosamente pela
comemoração do nono ano. No dia do aniversário, Alan chegou
tarde, e nossa noite parecia estar tendo um mau começo. Saímos
para jantar, e no restaurante ele escolheu uma mesa escondida, o
que achei uma idéia bonita e romântica. Achei meu marido meio
distraído durante a refeição, enquanto eu ria e tagarelava, contando
travessuras das crianças e fazendo perguntas sobre o trabalho dele.

Depois da sobremesa, Alan pediu conhaque, uma bebida a que não
estávamos acostumados. Sob o efeito do álcool, fiquei totalmente
descontraída. Lembro-me de que tirei um dos sapatos e acariciei a
perna dele por baixo da mesa. Ele se sobressaltou, o que achei
esquisito, então desviou o olhar e disse que queria falar comigo a
respeito de um certo assunto.

O resto daquela noite passou em câmara lenta. Eu tinha a impressão
de estar fora de mim, olhando para nós dois. Sem hesitar, Alan me
contou que estava apaixonado por uma mulher que conhecera três
anos atrás, quando eu estava esperando nosso filho, e que ele e a
mulher tinham uma criança de um ano. Explicou que não conseguia
mais levar uma vida dupla, de modo que ia morar com ela.
Comecei a chorar, levantei-me da mesa abruptamente, corri para
fora, atravessei o pátio de estacionamento e entrei pela estradinha
campestre. Achava que minha vida acabara. O que seria de mim, de
meus filhos? O que eu diria aos outros, o que faria? Alan seguiu-me
com o carro, emparelhou comigo e pediu que o deixasse levar-me
para casa. Depois de minha inicial explosão de energia, eu me sentia
prestes a cair. Entrei no carro, e voltamos para casa, mas Alan disse
que não queria me deixar ainda mais perturbada, de modo que não
entraria.


Pensei que estava tendo um pesadelo, do qual despertaria logo. Não
era um pesadelo. Contei tudo a meus pais na manhã seguinte, e
percebi que nós três ficamos envergonhados. Sabíamos que ia haver
muito falatório, pois meu pai é pastor da igreja de nossa
comunidade, um homem respeitado e benquisto. Não tínhamos
palavras para descrever o que sentíamos. Se não fosse pelo bebê de
Alan com a outra mulher, acredito que meu pai o mataria.

Meus sonhos estavam acabados. Vendemos a casa, e a pensão
alimentícia dava apenas para nos manter durante a primeira
semana de cada mês. Fui morar com meus pais, e minha mãe voltou
a cuidar das crianças. Não sei o que teria feito sem eles.

Agora trabalho o dia todo e estudo à noite para tirar meu diploma
universitário. Estou com trinta e seis anos e às vezes tenho a
impressão de que carrego o peso do mundo nos ombros. Alan e sua
nova esposa levam meus filhos para passar um fim de semana por
mês na casa deles, e acho que todos nós estamos lidando com a
situação da melhor forma possível. Muita gente precisou tornar-se
infeliz para que Alan pudesse ser feliz. Pergunto-me se ele acha que
valeu a pena.
Apesar de tudo, continuo vivendo, embora não seja fácil, e estou
começando a me sentir melhor. Tenho dois filhos ótimos, pais
maravilhosos, e tive força para não deixar que o sofrimento me
derrotasse. Dois anos depois de Alan me abandonar, tive um caso
idiota com um homem com quem estudei no colegial. Acredito que
senti necessidade de provar a mim mesma que alguém ainda podia
me querer. Espero que um dia encontre o homem certo para mim e
meus filhos. Se isso acontecer, ele terá uma mulher pronta para um
compromisso sério, com bastante maturidade para saber o que isso
significa. Se ele não estiver disposto a ganhar minha confiança e
conservá-la, não servirá para mim.


Compartilhar experiências pode ser um passo importante no
caminho da cura. Saber que algumas abandonadas sofreram golpes
mais duros do que você lhe dará consolo. Afinal, dizem que a
infelicidade adora companhia. E não se esqueça de que há muitas
mulheres no mesmo barco em que você está.

8
Seu Novo Homem (ou A Falta de Um)


Minas Terrestres e Lições Aprendidas

Você está pronta para aceitar um outro homem em sua vida?
Algumas abandonadas ficam tão ocupadas, atendendo às exigências
do trabalho, da casa ou dos filhos (ou dos três), que relegam a
tentativa de ter uma vida amorosa ao último lugar da lista de coisas
desejáveis, que provavelmente podem ser realizadas.
Outras simplesmente não estão interessadas. Muitas mulheres com
quem falamos descobriram, para sua surpresa e alegria, que se
sentem satisfeitas — até maravilhosamente livres — vivendo
sozinhas, envolvidas em atividades suficientes para mantê-las
ocupadas e contentes.
Uma delas diz: "Viver sem um homem é agradável em muitos
aspectos. Na verdade, mais agradável do que viver com um. Assim,
em termos de futuro, só aceitarei um homem realmente fabuloso, ou
nenhum".
Outra comenta: "Há algo interessante que descobri através de
minha própria experiência e de duas amigas que também foram
abandonadas. Assim que passamos pelo estágio de achar que
tínhamos absoluta necessidade de atrair outro homem, começamos


a pensar que seria melhor não nos envolvermos num
relacionamento sério. Conheço homens com quem gosto de sair,
mas casamento não é uma de minhas metas. No fim, acabamos por
nos sentir aliviadas, pois é tão gostoso ser independente! Uma
mulher consegue encontrar-se e sentir-se bem consigo mesma. Isso é
algo que os homens não conseguem. Eles pulam de uma cama para
outra e nunca se encontram".
Seja o que for que você pense a esse respeito, mais cedo ou mais
tarde provavelmente voltará a relacionar-se com um homem,
seriamente, ou nem tanto. Se está trabalhando para construir uma
nova vida que, espera, incluirá um novo homem, deve estar
desejando manter-se alerta, sabendo o que esperar de si mesma e
dele, principalmente nos estágios iniciais, quando vocês travarão
conhecimento, conversarão e se envolverão.

Você Está Procurando um Homem? Se Está, Por Quê?

A resposta para essa pergunta pode parecer óbvia, mas será bom
passar pelo menos uma hora refletindo sobre isso. Se você tem
estado aflita, desejando freneticamente um novo relacionamento,
clareie as idéias, acalme-se e procure a fonte desse desejo.

Eu quero um homem...
Para pôr no lugar daquele que me deixou.


Não é uma boa resposta. Se você se sente compelida a preencher o
espaço deixado por seu ex, porque espaços vazios a deixam com a
sensação de algo incompleto, pode cometer erros lamentáveis,
como, por exemplo, aceitar um palhaço qualquer só porque ele está
disponível. Uma coisa que toda essa experiência amarga deveria ter
lhe ensinado é que é possível levar uma vida plenamente
satisfatória, sem ter um homem a seu lado.


Porque me sinto muito sozinha.

É quase a mesma coisa. Mesmo que seus dias sejam cheios, você está
sozinha, de uma maneira como nunca esteve antes, e pode sofrer
freqüentes ataques de solidão. Seria maravilhoso, se tudo isso
desaparecesse rapidamente, mas a verdade é que não desaparece.

Para reabilitar meu ego.

Também não é uma boa resposta. Embora seu ego necessite de
ajuda, procurar ansiosamente por uma outra pessoa que a ame, que
a faça sentir-se bem a respeito de si mesma, é um passaporte para o
desastre, porque a deixa desprotegida contra palhaços e outros tipos
inadequados.

Para ter quem faça trabalhos masculinos em casa.

Uma mulher abandonada diz que, depois que o marido a deixou,
ela se sentiu num estado de extremo desamparo. "Ele cuidava tanto
de mim! Nunca fui a uma adega comprar uma garrafa de vinho
sozinha."
Talvez você esteja pensando nas coisas que seu ex fazia e que
presume que não seja capaz de fazer. Se era ele quem comprava o
vinho, levava o carro à oficina, punha as telas nas janelas, assava o
churrasco, discutia com um fornecedor por causa de uma conta alta
demais, não se preocupe com isso.
Claro, é ótimo deixar alguns serviços desagradáveis a cargo de
outra pessoa, mas isso não significa que você não possa aprender a
cuidar de tudo sozinha. Descobrirá que a maior parte do que os
homens fazem, alardeando tratar-se de grande coisa, como o
churrasco ou as telas das janelas, não é na verdade nada demais.

Para ter um acompanhante.

Essa é uma necessidade perfeitamente legítima. Se seu trabalho ou
vida social incluem muitas funções noturnas, a presença de um
homem torna-se bastante útil. Mas você não precisa estar envolvida


emocionalmente, nem casada, nem dormindo com um homem, para
pedir-lhe que a acompanhe. Mais adiante, tentaremos descobrir
quem poderá ser esse homem.

Para ter com quem fazer sexo.

Satisfazer suas necessidades sexuais é, sem dúvida, uma das
maiores utilidades de um homem. Se você está acostumada a fazer
sexo, desejo insatisfeito é outro problema que enfrenta. Laura diz
que sempre sentiu-se sexualmente atraída pelo namorado, e que ele
também sentia grande atração por ela. "Nossa vida sexual era
excelente. Fazíamos amor com muita freqüência. Quando ele me
deixou, fiquei assustada. Ainda estou. Não sei quando, ou se,
voltarei a fazer sexo regularmente."
Você deve ter muito cuidado para não cometer tolices, como cair na
cama com o primeiro corpo quente que aparecer. Por enquanto, será
melhor canalizar seus desejos sexuais para vias mais seguras, como
algumas abandonadas que mencionaremos aprenderam a fazer.

Para ter com quem me divertir.

Boa idéia. Você precisa se divertir, e por que não com um homem?
Lembre-se, porém, de que um homem com quem você possa passar
bons momentos não precisa ser alguém por quem se apaixonará e
com quem acabará casando.

Para ser minha alma gêmea.

Talvez você o encontre. Talvez não. Uma vez você já acreditou ter
encontrado sua alma gêmea, e veja no que deu. Tente começar a
pensar em termos de espíritos afins, não de almas gêmeas.

Para casar.

Se foi abandonada por um marido, está acostumada a ser uma
mulher casada. Talvez se case de novo, talvez não. A idade, tanto a
sua como a dele, é um fator preponderante.


Em geral, a probabilidade de uma mulher casar-se diminui com a
idade: se você tiver vinte e seis anos, a probabilidade é enorme;
trinta e seis, grande; quarenta e seis, pequena; cinqüenta e seis,
mínima, como ganhar na loteria.
Como comentamos anteriormente, os homens têm mais escolha no
que diz respeito a mulheres, do que as mulheres no que se refere a
homens. (Há uma nova tendência de mulheres mais velhas unirem-
se a homens bem mais novos, mas provavelmente não vai durar.)
Homens de cinqüenta anos de idade, por exemplo, normalmente
não se envolvem com mulheres de sua idade. A seção de anúncios
pessoais que vemos nos jornais diz tudo: "Homem de cinqüenta
anos, em boa forma, bem-sucedido, amante da vida ao ar livre,
procura mulher em boa forma, bem-sucedida e amante da vida ao
ar livre, entre trinta e quarenta e cinco anos". Uma abandonada
ainda relativamente jovem, interessada em encontrar outro marido,
diz: "Sempre achei que devia ser difícil, para uma mulher de
cinqüenta anos, mas acreditem, também não é nada fácil para uma
de quarenta e dois. Os homens bons estão casados, os divorciados
estão empobrecidos e assustados, e o resto não quer nada com
nada".
Se você é uma mulher mais velha e pertence há anos a um grande e
ativo grupo de casais, que agora inclui alguns viúvos recentes,
talvez encontre um candidato ou dois. Um viúvo não gosta de ficar
sozinho e pode voltar-se para uma mulher que seja sua amiga, a
menos que esteja pensando em amarrar-se a uma jovem que lhe
servirá de enfermeira na velhice. Se você se interessar por um
homem que perdeu a esposa recentemente, seja cautelosa em seus
movimentos. Lembre-se de que ele é conquistado pela segunda
mulher que se aproxima dele depois da viuvez. No caso da primeira,
a lealdade que o viúvo ainda devota à esposa é muito grande
para que ele pense em iniciar outro relacionamento.
Você deve estar pensando que tudo isso é muito injusto, que, se
tivesse sido abandonada por seu ex dez anos antes, suas chances de


encontrar outro companheiro seriam maiores. Claro, é injusto, mas
não se pode ficar pensando no que poderia ter sido, porque essa
atitude provoca más vibrações.
Quando uma mulher está com a mente limpa, apta a reconhecer os
motivos de querer outra pessoa, fica mais fácil para ela manter os
olhos bem abertos e a cabeça fria para analisar os homens que vier a
conhecer. Uma abandonada freqüentou por algum tempo um grupo
de pessoas que haviam ficado sozinhas recentemente, do qual
gostou bastante e onde conheceu dois homens que, um após o
outro, convidaram-na para jantar. "Um era advogado, e o outro,
médico. Ambos tinham trinta e poucos anos, como eu, e fiquei
lisonjeada e contente com os convites. Saí várias vezes com um e
com outro, achei-os boas pessoas, mas depois de conhecê-los
melhor, descobri que eram dois grandes chatos!"
Outra mulher conta que, logo depois de ter sido abandonada pelo
namorado, vários homens que ela e seu ex haviam conhecido na
faculdade convidaram-na para sair. "Aceitei sair com alguns, me
diverti um pouco, e a coisa toda fez muito bem ao meu ego. Então,
descobri que não me sentia atraída por aqueles sujeitos, da mesma
forma como não me sentira nos tempos de faculdade. Não saí com
eles naquela época e não quero sair agora."
Quando você recomeça a sair com homens, depois de ter sido
abandonada por seu ex, há uma lição de grande importância que
não deve ser esquecida: pode ser que por muito tempo não haja em
sua vida outro homem no papel de amante/namorado/marido e que
talvez nunca haja. É bom dizer isso em voz alta, aceitar essa
possibilidade completamente e construir sua vida baseada nela.
Você será mais feliz. E com isso aumentará suas chances de
encontrar outro homem, pois não será uma alma desesperada correndo
freneticamente em busca de alguém.

Homens: Primeiras Expedições Exploradoras


Quando você começa a sair com homens outra vez, pode ficar
atônita ao captar tantos sinais sexuais no ar. Suas antenas, que
haviam ficado retraídas, expandem-se novamente, vibrando,
captando aqueles sinais que você deixara de perceber ou que, se
percebia, achava apenas divertidas ou, talvez, lisonjeiras.
Sinais sexuais — um pequeno flerte aqui, um gesto sedutor ali —
podem ser divertidos e operar maravilhas em seu ego, quando você
está engajada em um relacionamento e sabe que aquilo não vai levar
a coisa alguma. Mas agora, que faz tempo que você não sai com um
homem, talvez receba sinais que a assustam ou deixam confusa.
Então, torna-se fácil cometer um desses dois erros:

• Você vê abordagem onde na realidade não existe nada.
Isso é compreensível. Você sentiu-se tão insultada como mulher,
deseja a afirmação de sua feminilidade com tanta intensidade, que
interpreta as atenções de um homem com interesse romântico.
Corre, então, o risco de fazer papel de boba.
• Você não vê abordagens onde elas existem.
Também é compreensível. Sua confiança em si mesma, como
mulher capaz de atrair os homens, como parceira sexual, levou um
golpe tão grande, que, quando você se levanta, não consegue
compreender o que acontece a sua volta. "Acho que aquele homem
está interessado em mim. Mas, não, não pode ser."
É muito importante ser capaz de interpretar os sinais corretamente,
pois algumas abordagens reais — por exemplo, por parte do marido
de uma amiga sua — são indesejáveis. Outras abordagens reais —
as feitas por homens livres e atraentes — podem agradá-la, e você
terá de percebê-las e emitir sinais que encorajem uma aproximação
que talvez acabe num bom relacionamento.
Uma abandonada saiu do trabalho, uma tarde, e antes de ir para
casa parou no supermercado para comprar algo para o jantar.
Notou um homem atraente que também parecia estar comprando

coisas para a refeição de uma só pessoa, e que a olhava com
interesse. "Primeiro pensei que ele queria captar meu olhar e me
cumprimentar, mas então disse a mim mesma que devia estar
ficando louca. Cheguei à caixa com meu bife de vitela e um pacote
de vagens, e de repente o homem estava atrás de mim. A moça da
caixa perguntou se nós dois estávamos juntos, e ele respondeu que,
infelizmente, não. O que fiz, então? Dei uma risadinha nervosa,
paguei a conta e saí quase correndo."
Esse é o tipo de comportamento que a fará sentir-se uma idiota ou a
adolescente ingênua que foi cem anos atrás. Mas melhorará, com o
passar do tempo. Por enquanto, aceite o fato de que no início terá
dificuldade em decifrar corretamente as abordagens masculinas,
que é o que deverá fazer, se desejar entrar no jogo.
Estar pronta para receber um novo homem em sua vida leva tempo.
Às vezes você pode pensar que está preparada, mas na realidade o
momento certo ainda não chegou.
Diz uma mulher: "Cheguei a um ponto em que queria de qualquer
modo ter um encontro, porque achava que nunca mais me
envolveria com um homem, nunca mais dormiria com ninguém,
nunca mais seria convidada para sair. Uma amiga apresentou-me a
um amigo dela, ele me convidou para jantar, aceitei. Ele era
encantador, mas a noite foi um completo desastre. Não consegui
lidar com a situação".
Ela recuou, parou de pensar em encontros românticos e dedicou-se
mais aos amigos. Alguns meses depois, tentou novamente sair com
um homem, e daquela vez tudo correu melhor. Ela dá um conselho:
"Converse com aquela pessoa que lhe dá mais apoio, ou com
qualquer amiga íntima que seja franca com você. Embora você
possa acreditar que está apresentando uma personalidade curada,
positiva, talvez não esteja. Alguém que a conheça bem poderá
avaliar se você está pronta para aceitar um novo homem, ou se continua
deprimida demais para isso."


Conhecendo Homens

Não vamos falar de barzinhos e outros lugares freqüentados por
pessoas sozinhas, de anúncios pessoais em revistas e jornais, nem
de grupos de apoio para pais solteiros, através dos quais homens e
mulheres travam conhecimento. Você sabe que existe isso tudo, mas
lançar mão desses recursos é uma questão de gosto. Você também
sabe que as maneiras mais agradáveis e promissoras de conhecer
um homem agradável e promissor são: sair de casa, aceitar convites,
convidar pessoas para uma reunião à noite ou numa tarde de fim de
semana, em sua casa, procurar trabalho num lugar onde trabalhem
muitos homens, praticar seu esporte favorito ou entregar-se a outras
atividades de sua preferência, sempre com o máximo de confiança e
joie de vivre que puder mostrar. Enquanto faz tudo isso, sem que
haja qualquer sinal de envolvimento amoroso no horizonte de sua
vida, procure um homem que lhe sirva de acompanhante.
Pode ser um velho amigo, por quem nunca se apaixonará, com
quem nunca fará sexo, mas de quem gosta, que seja decente,
interessante, sociável. Você o chamará, quando precisar de alguém
que a acompanhe a uma festa elegante, por exemplo, assim como o
convidará, juntamente com outras pessoas, para ir a sua casa,
compartilhar de um jantar informal, para jogar ou fazer qualquer
outra coisa. Lembre-se de que você está armando uma nova
estrutura social e trabalhando num plano de vida que inclui
homens, não necessariamente o homem. Afinal, não vai querer viver

o tempo todo com mulheres.
Se conhecer um homem que possa ser seu acompanhante, ótimo. Se
não conhecer, vá procurar. Ele não pode ser casado, por motivos
óbvios, mas pode ser mais velho do que você, mais jovem,
homossexual ou não.
Logo depois de ser abandonada, uma mulher descobriu que o lugar
onde se sentia bem de verdade era a igreja que freqüentara
esporadicamente durante vários anos. "Eles têm uma grande

variedade de atividades, das quais eu nunca participara antes.
Comecei a trabalhar como voluntária no programa Noite da
Hospitalidade, que oferece um jantar, toda segunda-feira, para cerca
de uma centena de pessoas que moram na rua, e em outro, que dava
assistência a homossexuais masculinos. Foi entre esses que conheci
dois homens que se tornaram grandes amigos meus. Fazendo
amizade com eles, recebendo-os em minha casa, achei mais fácil
voltar ao hábito de convidar pessoas para jantar. Eles são animados
e inteligentes e não pretendem saltar em cima de você na primeira
oportunidade."

Sexo, com e sem um Homem

Uma abandonada brinca a respeito de sua castidade forçada:
"Sempre imaginei como uma mulher poderia ter um caso com o
proverbial leiteiro. Onde é possível encontrar um leiteiro, hoje em
dia?"
O fato é que os leiteiros, ou seus equivalentes, estão aí mesmo. Você
pode fazer sexo ainda esta noite, se quiser. A questão é: quer,


realmente?

Algumas mulheres não querem. Diz Joy: "Fazer sexo nem passava
pela minha cabeça. No começo, eu já achava difícil demais levantar,
escovar os dentes e ir trabalhar. Só de pensar em sexo, me sentia
mal. Melhorei, mas nem mesmo agora, três anos depois, preocupo-
me com isso. Acho que este é o momento de descobrir quem sou.
Ainda estou no meio dessa descoberta importante. Acho que é aí
que homens e mulheres são muito diferentes. Uma mulher não quer
complicar sua vida ainda mais, saindo imediatamente à procura de
alguém, enquanto que os homens fazem isso porque não
conseguem viver sozinhos".
Mas há mulheres que vão procurar. Ouvindo as abandonadas
sexualmente ativas com quem conversamos, identificamos três tipos


de comportamento. Dois deles devem ser evitados como se fossem
doenças contagiosas, o outro pode ser bom.
São eles:


• Sexo por piedade
Pode ser que maridos de amigas suas ou colegas de trabalho
comecem a rodeá-la, enchendo-a de atenções, assim que souberem
que você foi abandonada. Esses são os sujeitos que a vêem como
uma mulher necessitada de sexo e a si mesmos como aqueles que
podem resolver seu problema.
Allison conta: "Algumas semanas depois que meu marido foi
embora, um homem do trabalho dele, a quem eu conhecia,
telefonou-me, e conversamos durante muito tempo. Telefonou
todos os dias, durante uma semana, sempre muito solícito,
querendo saber como eu estava, perguntando se podia me fazer
uma visita, e assim por diante. Por fim, concordei em recebê-lo. Ele
levou uma garrafa de vinho, bebemos, chorei em seu ombro, e
acabamos indo para a cama".
Ela admite que foi um erro. Não gostava muito dele, apenas perdera
o controle sobre os próprios atos, e ele foi embora com a expressão
satisfeita de quem fizera uma boa ação e, ao mesmo tempo, uma
conquista fácil.
Cuidado com esse tipo. Você poderá sentir-se humilhada e ver-se
em maus lençóis. Talvez encontre dificuldade em livrar-se do
homem com quem dormiu apenas uma vez e que espera não ver
nunca mais.
• Sexo impensado
Uma abandonada, desesperada por contato sexual, teve uma série
de questionáveis relacionamentos com jovens da América Central,
onde passou as férias três anos consecutivos. Um deles pilotava um
barco, subindo e descendo ao longo da costa, e por duas vezes foi
detido sob suspeita de transportar drogas. Um outro era um

motoqueiro que passava a maior parte do tempo nas estradas. Por
fim, recuperando o bom senso, ela reconheceu que tivera uma sorte
danada por sair de tão loucas aventuras sem contrair uma doença
sexualmente transmissível e sem ser fichada na polícia, e agora viaja
muito com amigos, outra forma de fuga, mas pelo menos mais
segura.
Se seu desejo por sexo for tão intenso que você se veja tentada a têlo
com qualquer pênis que passe por perto, lembre-se destas
palavras de uma abandonada de setenta e dois anos e que está
sozinha há vinte: "Felizmente vivemos na era da eletrônica.
Descobri que vibradores e outros artefatos são invenções
maravilhosas. De tempos em tempos, programo uma noite especial.
Tomo um copo de vinho e um banho de espuma, levo para a cama
minha bolsa de brinquedos e tenho um fabuloso orgasmo. Acordo
renovada na manhã seguinte, e sem dor nas costas".
Diz outra mulher: "Fui a uma festa, logo depois de separada, e uma
das mulheres presentes sugeriu que não fôssemos para casa de
carro, mas a pé, explicando que tinha algo importante para me
dizer. Caminhamos, conversando, e eu esperava que ela fosse falar
algo sobre um fundo de ajuda mútua ou um emprego. Por fim, ela
me aconselhou a comprar um vibrador, e depressa. Foi uma sugestão
muito boa".

• Sexo amigável
Algumas mulheres vêem com agrado a possibilidade de fazer sexo
com um homem que não se tornará o homem, mas que é gentil,
afetuoso, divertido e que não as deixarão deprimidas pelo que
fizeram.
Alice diz: "Uma amiga me disse que sexo não tem toda essa
importância, mas não concordo. Sei o que é ter uma boa vida sexual,
e acho isso muito importante. Sexo é maravilhoso, e não quero
esquecer que existe. Se você se conhece e percebe que não está mais
profundamente ferida, fragilizada, correndo o risco de fazer sexo

pelas razões erradas, com o primeiro sujeito que aparecer, siga seus
instintos, faça sexo sem culpa, com prazer".
Outra mulher diz que depois de dois anos de abstinência, após ter
sido abandonada, começou a sentir-se outra vez capaz de atrair os
homens sexualmente. "Um dos maiores prejuízos de um
rompimento é que a mulher fica arredia, amarga, com uma fachada
de intocável que precisa ser demolida. Quando me senti pronta,
comecei a me divertir. Fiz o que os homens fazem, tive sexo à
vontade, inclusive relacionamentos que só duraram uma noite.
Sempre fui cautelosa e descobri que hoje em dia a maioria dos
homens também é. Nunca tinha feito coisas assim, mas achei tudo
gostoso e divertido."
Uma mulher que se casou aos vinte e um anos e separou-se aos
trinta e cinco diz que se passaram dois anos, antes que ela
conseguisse sair novamente com um homem. "Eu não tinha muita
experiência nesse departamento. Viajava muito a negócios e numa
dessas viagens acabei conhecendo um homem admirável que
trabalhava na matriz da empresa. Ele e eu tivemos um caso durante
cinco anos, e nos encontrávamos apenas quando estávamos na
mesma cidade. Sempre achei divertido fazer sexo, mas agora acho
delicioso. Costumamos almoçar juntos e depois saborear a
"sobremesa" no quarto de hotel dele ou no meu. Esse homem me fez
muito bem. Parei de me sentir e de parecer uma viúva enlutada. Por
causa da distância, e pelo fato de as viagens dele terem diminuído,
nós nos vemos apenas ocasionalmente e ainda continuamos bons
amigos."
Se seus instintos estiverem lhe dando sinal verde, vá em frente. Se
você achar divertido sentir-se desejável e não vir mais coisas do que
realmente há num relacionamento assim, o sexo amigável pode ser
uma boa idéia.
Mas fazer sexo não é como andar de bicicleta. Quando, ou se, você
decidir ir para a cama com um homem, a experiência pode não ter a
magia esperada. Não é que esqueceu como fazer, mas talvez você


precise de tempo, mais do que imaginara, para sentir-se
descontraída, confiante e pronta para entregar-se sexualmente.
Mesmo que você estivesse sozinha com Brad Pitt numa ilha deserta,
ainda assim precisaria de tempo.

O Que Há de Bom Nisso Tudo

Quando você começa a conhecer e avaliar novos homens, sentindo-
se pronta para outro relacionamento sério, é porque progrediu
bastante em sua caminhada. Na verdade, poderá ficar surpresa,
notando que se sente melhor do que se sentia antes de ser
abandonada.

• Você está mais resistente.
"É um pouco assustador sentir aquela antiga fragilidade no
relacionamento com outro homem, sabendo que se pode sofrer
novamente", diz Marion. "Por causa disso, sou mais resguardada,
agora, mais desconfiada, na verdade. Uso mais meu radar. Se um
homem com quem eu estivesse envolvida, mas a quem não
conhecesse muito bem, me dissesse que ia passar o fim de semana
jogando golfe com o irmão, não sei se acreditaria nele. Mas não acho
que essa seja uma atitude negativa."
• Suas expectativas são maiores, seus padrões, mais altos. "Casei
jovem e ignorante demais", afirma uma mulher.
"Assim, quando o casamento começou a apresentar problemas,
calei-me, deixando muita coisa importante sem discussão. Agora,
com o homem com quem tenho saído, tornei-me muito mais
exigente no que diz respeito à comunicação, determinada a sempre
esclarecer tudo o que acontece. Tenho mais expectativas e não vou
suportar certos comportamentos pela segunda vez".

• Você sabe que consegue viver bem sozinha.
Diz uma mulher que tem tido vida social ativa desde que foi
abandonada, anos atrás: "Não digo que não gostaria de ter um novo
parceiro, alguém com quem conviver, pois a vida é bem melhor
assim, mas ele teria seu apartamento, e eu, o meu, seríamos fiéis um
ao outro, faríamos muitas coisas juntos e muitas coisas separados".
Ela acha que nunca mais entregará cem por cento de si mesma a um
homem, mas também não espera receber cem por cento do homem.
"Claro, é possível confiar e amar novamente. Vi isso acontecer com
duas amigas. Mas acho que quando uma mulher passa pelo que eu
passei, sempre guardará algo de si mesma, o que deve ser muito
bom."
O Candidato
Você se envolveu com alguém em algo que pode transformar-se em
amor. E deseja agir com toda a prudência. Siga as cinco regras
abaixo, à medida que atravessa as fases iniciais desse novo
relacionamento.

1) Tente descobrir como ele se comportava com as mulheres que
teve anteriormente.

Se ele teve outras mulheres, e espera-se que tenha tido, tratará você
do mesmo modo como as tratou. Você tende a pensar que agora
será diferente, que o que passou, passou, que cada caso é um caso.
Engana-se. Em geral, um homem repete o comportamento anterior,
da mesma maneira como vai ao mesmo restaurante repetidamente
porque não consegue pensar em outro. O que ele fez a uma outra
mulher para ficar com você, será o que fará com você para ficar com
outra mulher. Homens que abandonam mulheres farão isso até o
fim da vida.


A exceção a essa regra revela-se na síndrome de Ben Bradlee/Hugh
Hefner: o homem que teve muitas parceiras de cama e perde esse
hábito quando, aos sessenta e poucos anos, fixa-se no
relacionamento com uma mulher quinze ou vinte anos mais nova.
Ele imagina que é o melhor que conseguirá, sem falar que começa a
perder o gosto pela caça. Se você está envolvida com um desses,
pode ser que ele seja seu para sempre.

Se não for o caso, ou mesmo que seja, tente descobrir como os
antigos relacionamentos dele terminaram. Procure os padrões. Seja
direta e pergunte-lhe a respeito de sua vida amorosa, por exemplo,
quantos anos ficou com a mulher anterior. Proponha convidá-la
para uma reunião em sua casa, juntamente com outras pessoas, é
claro. Mesmo que ele não ache essa idéia muito boa, talvez
concorde, se estiver muito apaixonado por você, apenas para
agradá-la.

Se você insistir em continuar com o relacionamento, apesar de não
achar muito animador o que descobriu sobre ele, pelo menos estará
sabendo o que esperar.

Diz uma mulher: "Quando aparece um novo homem, temos quase
que entrevistá-lo, pois não queremos ser abandonadas novamente.
Esperamos que ele seja honesto, mas também precisamos ser. Falei
um pouco a respeito de meu ex, com os homens com quem saí, não
entrando em detalhes dolorosos, nem me afundando no passado,
mas depois de permanecer em minha vida durante quinze anos e de
ser o pai de meus dois filhos, meu ex-marido faz parte de minha
história. Esse tipo de conversa permite que o novo homem e eu
comparemos nossas experiências e nos compreendamos melhor".

2) Acredite no que ele conta sobre si mesmo.


Quando um homem lhe conta algo ruim a respeito de si mesmo,
está dizendo a verdade. Escute-o. Não pense que será capaz de
mudá-lo. Ouça o que ele lhe diz e acredite, porque suas palavras são
verdadeiras, são avisos.

Diz uma mulher: "O homem com quem fiquei depois que meu
namorado me deixou foi bastante honesto para dizer que não podia
prometer nada, que não era do tipo fiel, e que eu certamente queria
alguém com quem manter um relacionamento duradouro. Tivemos
uma ligação agradável e nos separamos como grandes amigos".

3) Logo de início, exponha suas necessidades, explique o que para
você é aceitável e o que não é.

Os acordos entre casais, cada vez mais elaborados, são documentos
nos quais um homem e uma mulher que pretendem juntar forças
declaram suas intenções individuais e expectativas, e que podem
estabelecer tudo, desde quem pagará as contas até quantas vezes
por semana farão sexo e onde passarão as férias. Embora você possa
ver um certo exagero nisso, pode e deve fazer com que seu
candidato saiba o que considera importante.

Muitas abandonadas, olhando para trás, vêem que suas
necessidades não foram levadas em consideração no
relacionamento que terminou, e decidem que isso não mais
acontecerá. Diz uma mulher: "Percebo agora que nunca fiz o que
chamo de retiradas emocionais do relacionamento com meu marido.
Deixei de lado coisas que gosto de fazer, como correr pela manhã,
para não complicar as coisas para ele. E raramente pedia sua ajuda.
Logo depois que minha mãe morreu, ele foi acampar. Embora eu
estivesse sofrendo, não criei caso por causa disso. Não vou mais me
comportar dessa maneira. Já informei ao homem com quem estou
saindo agora quais são as coisas importantes para mim e disse que
quero que ele as respeite".


Jéssica, muito ocupada com seu emprego, onde redige relatórios de
merchandising, lembra-se de que seu namorado, com quem
morava, sempre planejava algo para eles fazerem nas duas ou três
noites por mês em que ela precisava trabalhar até tarde. "Eu juntava
a papelada, levava para casa e saía com ele, fazendo-lhe a vontade.
Depois, ficava acordada até o amanhecer, para terminar meu
trabalho. Além disso, preocupava-me em não deixá-lo aborrecido,
nas poucas ocasiões em que ele precisava esperar por mim. Levava
na bolsa recortes de jornais e revistas que achava que podiam
interessá-lo e, por exemplo, quando ia ao toalete, num restaurante,
dava-lhe os recortes para que ele se ocupasse em minha breve
ausência. Um absurdo, algo que nunca mais farei. Minha mãe vivia
dizendo que uma esposa não deve receber o marido com más
notícias e que sempre precisa ter algo cozinhando no fogão, de
modo que ele saiba que o jantar não vai demorar. Eu me
comportava assim. Nunca contava algo ruim a meu namorado,
enquanto ele não tivesse tomado seu drinque e jantado. Nós dois
trabalhávamos o dia inteiro, e à noite eu me afobava toda,
preparando o palco para o rei, enquanto ele se descontraía,
tomando uísque e lendo o jornal. Tudo isso foi um grande erro.
Uma de minhas amigas diz que devemos tratar os homens de modo
a deixá-los sempre um pouco ansiosos. Talvez tenha razão."

Lide abertamente com os problemas que surgirem e exija que ele os
enfrente também. Se achar que vocês precisam da ajuda de um
psicólogo, insista para que a procurem. Não deixe de desafiar o
homem com quem está, apenas porque tem medo de criar conflito.
Não esconda a sujeira embaixo do tapete. Diz uma mulher: "Se eu
suspeitar que ele está se desligando de nosso relacionamento,
deixarei passar até trinta seis horas, mas então vou querer falar
sobre o assunto. Se a conversa não resolver nada, iremos os dois
consultar um profissional".


4) Se o relacionamento não está caminhando para lugar nenhum,
livre-se dele.

Não fique presa a algo que obviamente não lhe dará o que você
deseja, seja lá o que for. Como já passou por isso antes, reconhecerá
os sinais que a avisarão de que chegou a hora de agir.

Uma mulher conta: "Eu estava saindo com um homem que
continuava a sair com a ex-namorada. Disse a ele que não gostava
daquilo e estabeleci um prazo para mim mesma, após o qual, se a
situação continuasse, eu acabaria com o relacionamento. Tudo
continuou no mesmo, o prazo venceu, então eu disse a ele que não
queria mais vê-lo. O homem ficou magoado e perturbado e
comentou que não teria mais com quem conversar, porque ele e a
outra namorada não tinham sobre o que falar. Respondi que ele
devia ter decidido quem desejava como companhia, tanto na
horizontal como na vertical. Telefonou muitas vezes, deixando
recado na secretária eletrônica, mas nunca retornei as chamadas".

Essa, naturalmente, pode ser uma jogada poderosa. Quando um
homem acha que perdeu uma mulher, é quando começa realmente
a lhe dar valor. Quanto mais rápido ela o mandar embora, mais
depressa o terá de volta, se ainda o quiser. Mas não deve fazer isso de
mentirinha. Deve realmente pôr um ponto final na situação. E, então,
é quase certo que descubra que não quer mais o homem, porque
não pode confiar nele.

5) Se o relacionamento terminar, lembre-se do que precisa fazer
para recuperar-se.

Uma mulher diz que ficou mal durante muito tempo, quando seu
casamento terminou. "Eu acordava com ataques de pânico, trêmula,
e me sentindo completamente abandonada. Quando o segundo
relacionamento terminou também, processei a situação. Permiti-me
ficar triste por um tempo, mas sabia que podia depender de mim


mesma. Não fiquei emocionalmente devastada. Sabia o que fazer
para melhorar, e fiz. Tinha certeza de que o fracasso não me
derrotaria."

Com este livro como guia, você tem as ferramentas e o
conhecimento necessários para vencer a etapa mais pedregosa do
caminho da recuperação, de modo que se curará mais depressa de
qualquer distúrbio emocional.
As mulheres que contribuíram para a criação deste livro são, em sua
maioria, admiravelmente isentas de raiva e amargura. Uma delas
diz: "Alguns homens são ótimos, outros não prestam. Não vou
odiar a todos, apenas porque aquele a quem eu amava me
abandonou".
O fato de ter sido abandonada deixou você mais forte e mais
prudente. Se envolver-se em outros relacionamentos, nunca mais se
arriscará a sofrer uma enorme decepção, porque sabe que a vida é
cheia de surpresas. Nada é absoluto. Se encontrar um homem,
ótimo. Se não encontrar, poderá levar sua vida sozinha e, no mínimo,
terá tranqüilidade, mas é provável que, fazendo tudo direito,
você consiga muito mais do que isso.

9
Sua Nova Vida
Deliciosas Recompensas


Você conseguiu administrar a dor e emergiu intata do período em
que se arrastou gravemente ferida, encarou as outras pessoas,
modificou sua ligação com seu ex, reparou a auto-estima danificada,
reergueu-se, depois da recaída no meio do caminho, e criou uma


nova vida social. Pode ser, porém que ainda esteja trabalhando para
vencer uma dessas etapas.
Em seu devido tempo, você chegará ao fim do "túnel de
abandonada" e sairá para a luz. Então, descobrirá, como tantas
outras mulheres descobriram, que a vida pode voltar a ser boa.
Se ainda não chegou a esse ponto, crie coragem, ajudada pelos
depoimentos das mulheres que contam suas experiências neste
capítulo. O tempo que transcorreu, desde o dia em que elas foram
abandonadas até agora, varia de três a vinte e cinco anos. Algumas
estão sozinhas e contentes, outras casaram-se ou envolveram-se em
relacionamentos sérios, e há aquelas que lamentam não ter encontrado
outro homem com quem viver. Mas todas foram recompensadas
com uma satisfação que, no difícil início, nunca
julgaram possível.

Eu Me Delicio com Prazeres Simples

Diz Donna: "Claro, o mais gostoso, o mais delicioso de viver sem um
homem é simplesmente que posso fazer o que quero, quando quero.
Se preciso cuidar de mim mesma, de parentes ou amigos, posso
cuidar, sem ter de me preocupar em saber o que um determinado
homem pensa disso".
Outras mulheres também falam dos simples prazeres a que agora
podem se entregar.

"Posso molhar meu jardim bem cedo pela manhã. Antes, para não
acordar meu marido, eu tinha de fazer isso à noite, o que causava
manchas pretas em minhas rosas. Agora, com essas regas feitas
durante o dia, tanto eu como minhas rosas estamos mais felizes.'

"Não preciso dividir o banheiro com ninguém! Aqueles fios de
barba na pia me deixavam louca."


"Acendo a luz no meio da noite, se me der vontade de ler. Fico
deitada na cama, lendo, sem receio de acordar outra pessoa, em vez
de ter de me levantar e ir com meu livro para a sala. Não preciso
mais andar na ponta dos pés."

"Às vezes, tiro um dia para não fazer nada e só fico vegetando, sem
me sentir culpada por isso. De vez em quando me sinto solitária,
mas tenho amigos compreensivos, e sempre há um deles disposto a
ir ao cinema comigo, ou me acompanhar numa caminhada."

"Eu costumava proteger meu marido nas pequenas coisas. Quando
ele contava uma piada na mesa do jantar, e nossos filhos não riam,
eu sempre ria e comentava como ele era engraçado. Não preciso
mais fazer isso. Minha nova vida em companhia de meus filhos é
muito mais simples e saudável."

"Não uso mais carne nas refeições. Nunca. Que prazer!"

Amo Minha Liberdade

Diz Victoria: "Morar sozinha foi algo que me libertou. Eu me
centralizei em mim mesma, tornei-me espontânea, só faço o que me
agrada. Decido o que como, o que faço para me divertir, escolho
meus amigos. Dei muito de mim num relacionamento, acho que
todas as mulheres fazem isso, e agora percebo que com Brent eu
vivia acomodada, conformada. Viver sozinha me deu uma
maravilhosa sensação de liberdade. Depois que aprendi a conviver
comigo mesma e a gostar de minha companhia, descobri que ficar
sozinha é delicioso. Nunca enjôo disso."
Conta uma outra abandonada: "Outro dia, uma amiga, também
sozinha, disse que a liberdade era boa, ao que eu repliquei que era
absolutamente fenomenal. Por exemplo, não posso prever onde


estarei ou o que estarei fazendo daqui a cinco anos, e acho isso o
máximo!"

Posso Recordar os Bons Tempos com Prazer

De acordo com muitas mulheres, "é melhor ter sido abandonada do
que nunca ter sido amada".
Lynn, cujo marido, viajando a trabalho, telefonou para avisar que
não passaria o Natal em casa, na verdade que não voltaria mais,
durante muito tempo pensou, cheia de raiva, que dera a ele, à toa,
uma grande parte de sua vida. Então, aos poucos, começou a achar
aquela atitude errada. "Nada do que foi bom deve ser considerado
um desperdício."
Sheila chorava e ficava triste sempre que se lembrava da grande
experiência que compartilhara com o ex-namorado. Agora, recorda
aquele tempo com prazer. "Recentemente, passei por um spa aonde
fui uma vez com Mário, para um tratamento de beleza de um dia.
Ele de repente decidiu ir comigo, fez uma limpeza de pele,
manicure, recebeu massagens, tudo o que nunca tinha feito antes.
Nós dois nos sentíamos tão bobos que rimos o tempo todo. Agora,
pensar naquele dia me faz sorrir."
Depois que a dor e a raiva desaparecem, muitas mulheres
conseguem ter uma visão reconfortante do relacionamento que
terminou. Uma delas diz: "Estou contente por ter sido casada e tido
meus filhos. Eu nunca desistiria disso, nem que tivesse de sofrer o
triplo da dor que senti quando John foi embora. Acho que senti que
ia ficar bem, realmente bem, quando percebi que meu casamento
durara um quarto de século, uma grande porção de minha vida.
Aquele casamento sempre fará parte do que sou, de minha história,
de meu drama pessoal. E está tudo bem, porque foi bom durante
muito tempo, e isso me deixa feliz".


Minhas Amizades São uma Grande Recompensa

Muitas mulheres dizem que durante o relacionamento sentiam-se
obrigadas a conviver socialmente com pessoas que na maioria eram
escolhidas por seu ex. Agora, elas próprias escolhem seus amigos.
"Adoro me reunir com amigos", diz uma mulher. "E agora não
preciso me preocupar com a opinião de meu ex sobre eles."
Elas se apegam ainda mais às mulheres que estiveram a seu lado
nos bons e maus momentos. "Eu costumava cancelar compromissos
com uma amiga para sair ou fazer qualquer outra coisa com meu
parceiro", conta Bárbara. "Agora é o contrário. Embora tenha amigos
do sexo masculino a quem adoro, gosto mais de estar com minhas
amigas. Mulheres são constantes."
Algumas abandonadas perceberam a loucura que fizeram ao
investir todas as suas energias emocionais no marido e na família.
Rhona, que voltou a casar-se, está determinada a não cometer o
mesmo erro. Ela diz: "Nunca mais me deixarei envolver tanto por
marido e filhos que esqueça de me aproximar de outras pessoas.
Acho que meu primeiro marido fez a mesma coisa, isolou-se.
Acredito que os casos que ele teve, e que acabaram por destruir
nosso casamento, foram tentativas de livrar-se daquele isolamento.
Tenho feito bons amigos nos últimos anos e também em meu novo
casamento. Reservo algum espaço para mim mesma, algo que os
homens sempre fizeram. Eles têm sua noite de jogar pôquer, seus
jogos de golfe ou de qualquer outra coisa, nos fins de semana".

Agora, Nada Me Assusta

As mulheres saem da experiência de serem abandonadas com uma
nova sensação de fortalecimento. Diz Darcy: "Quando estamos
profundamente comprometidas com um relacionamento que, contra
nossos desejos e para nossa surpresa é tirado de nós, acontece a pior


coisa que poderíamos imaginar que nos acontecesse. Mas, depois
que nos esforçamos e superamos tudo, sentimos que podemos lidar
com qualquer coisa que a vida nos apresente".
Beverly conta: "Meu pai faleceu aos cinqüenta anos de idade, e
minha mãe ficou sozinha. Meu maior medo, vejo agora, era que
Martin, meu marido, viesse a morrer, deixando-me sozinha
também. E, de certa forma, para mim ele morreu. O que eu mais
temia aconteceu. O que há para temer agora?"
Laura expressa o mesmo pensamento, quando fala de sua aventura,
dois anos após ter sido abandonada: "Passei trinta dias no Nepal,
escalando montanhas com quatro homens, subindo a grandes
alturas. Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Não tive medo
nenhum, porque o que eu mais temera já acontecera. Não tenho
medo de mais nada".

Estou Sabendo Controlar Meu Dinheiro

Muitas mulheres apreciam o fato de serem donas de seu próprio
dinheiro, seja pouco, ou muito. Algumas abandonadas divorciadas
descobriram que sua situação financeira, mesmo que não seja
excelente, é melhor do que antes, quando seus ex-maridos levavam
vida dupla.
Diz Paula, co-proprietária de uma loja de presentes bastante
popular: "Sempre trabalhei e ganhei bem. No entanto, durante meu
primeiro casamento, praticamente entregava tudo o que ganhava a
meu marido. Achava que ninguém melhor do que ele para lidar
com dinheiro, pois era corretor de ações. Na verdade, consigo
controlar meu dinheiro muito bem. Quando estava casada com ele,
não me importava com isso, achava que devia deixá-lo cuidar dessa
parte. Uma das coisas boas que surgiram de toda aquela situação
infeliz foi que ganhei esperteza no que se refere a dinheiro. Voltei a
me casar, mas protejo minhas finanças de várias maneiras. Isso não


precisa ser feito de modo hostil, e na verdade torna o
relacionamento mais saudável. Os homens fazem isso, o que não
prejudica a intimidade do casal".

Passo Mais Tempo Fazendo Coisas Boas para os
Outros, e Isso Me Faz Bem


Na tentativa de construir uma nova vida, que inclua novos amigos e
não gire em torno de um parceiro, muitas abandonadas aprendem a
estender a mão para aqueles que precisam de ajuda.
Janet percebeu que ceder àquele primeiro impulso de praticar o bem
foi um serviço que prestou a si mesma. Ela estava ansiosa por
conhecer pessoas que nunca tinham ouvido falar de seu ex.
"Comecei a trabalhar como voluntária num abrigo, e a partir daí
envolvi-me com os problemas dos sem-teto. Tenho uma certa
influência nesta cidade, muitos contatos úteis, e decidi pôr tudo isso
a serviço da causa que abraçara. Nos últimos dois anos, ajudei na
arrecadação de perto de um milhão de dólares, através de doações
particulares, para a construção de casas para mulheres que não
tinham onde morar. O fato de eu ter sido capaz de fazer alguma
coisa boa para outras pessoas deu nova energia ao meu espírito."
Jean, de setenta e oito anos de idade, sozinha e feliz há muito
tempo, perde a paciência, quando alguma amiga queixa-se de
solidão. Diz: "Pare de pensar em seus próprios sentimentos e ajude
alguém que está em situação muito pior do que a sua. Basta olhar
em volta para ver".

Tornei-me uma Pessoa Mais Generosa, Mais Gentil

Diz Deidre, uma advogada: "Antigamente, eu me sentia invencível.
Minha vida não poderia ser melhor, em nenhum aspecto. Acho que



isso me deixou dura em relação às outras pessoas. Quando via uma
cliente chorando por causa de uma coisa ou outra, pensava apenas
que ela devia arregaçar as mangas e ir à luta, que, se eu podia
dirigir minha vida, por que ela não podia fazer o mesmo? Ser
abandonada me fez cair na realidade e tornou-me capaz de sentir
compaixão. Afinal, eu não era diferente de ninguém. Também era
frágil. Agora não sou apenas melhor como pessoa, mas também
como advogada".
Suzanne ficou surpresa e comovida com a reação de alguns amigos
e até meros conhecidos que telefonaram para dizer coisas boas ou
foram visitá-la, levando algo para comer e palavras de ânimo,
quando ela ficou sozinha. "De repente, percebi como aqueles gestos
eram importantes, como me faziam bem. Também percebi que
nunca fizera nada parecido para os outros. Minha vida girava em
torno de meu trabalho e minha família. Embora fizesse trabalho
comunitário, ajudando no programa de aulas de reforço para
crianças da terceira série até a sétima, com certeza não era o tipo de
mãe que ia à escola levando cachorros-quentes em dias de
competições esportivas. Nunca pensei em ajudar uma vizinha
doente ou idosa a sentir-se melhor, levando-lhe alguns biscoitos.
Faço isso, agora."

Tenho uma Carreira Totalmente Nova

Diz Emilie: "Quando Harris terminou nosso relacionamento de
cinco anos, decidi mudar minha vida completamente. Deixei a
enfermagem e agora trabalho para uma corretora de ações. Eu, que
nunca havia trabalhado num escritório, tenho dois computadores
sobre minha mesa. O lugar onde trabalho é cheio de energia, e estou
adorando o que faço, além de estar aprendendo e evoluindo
constantemente".


Outra abandonada, que precisou encontrar um emprego depressa,
aceitou precipitadamente trabalhar como secretária de uma firma de
investigações. Hoje sente-se em ótima forma. "Descobri que adoro
mudanças! Procuro oportunidades e nunca me recuso a aceitar um
novo emprego. Depois que ganhei confiança e desenvolvi novas
habilidades, comecei a mandar meu currículo para firmas
diferentes, e agora tenho vasta experiência em vários campos.
Também descobri o trabalho que gosto realmente de fazer, através
de um processo de eliminação e aperfeiçoamento."

Há Grande Intimidade Entre Mim e Meus Filhos

Os filhos de Susan tinham treze e dez anos, quando o pai foi
embora, e passavam fins de semana e férias com ele. Foram tempos
difíceis, Susan comenta, mas agora os filhos, jovens adultos, estão
entre seus melhores amigos. "É uma enorme satisfação saber que
meus filhos me respeitam. Embora os dois tenham visto meu
sofrimento, quando passei por um verdadeiro inferno emocional ao
ser abandonada, eles dizem que sempre souberam que podiam
contar comigo, não importando o que acontecesse."

Casamento? E Sei o Que É Isso

"Quando eu estava no auge do sofrimento, nos primeiros dias
depois que meu marido me deixou, duas ou três mulheres
confessaram que de certo modo me invejavam", conta Louisa,
sozinha há catorze anos. "Eu me perguntava se elas estavam loucas,
mas mais tarde compreendi que muitas mulheres são infelizes no
casamento. Elas receiam deixar os maridos, ou não têm condições
de viver sozinhas, e isso é muito triste. Ainda acredito em
casamento e família, mas minha vida mudou tanto, que duvido que


teria paciência para ser outra vez uma mulher casada. Eu sei o que é
isso. Não sinto nenhum tipo de ansiedade por estar sozinha."

Agora, Eu Sou Eu Mesma

Muitas mulheres comparam a luta pela sobrevivência, após o
abandono, com o processo de retirar as camadas de uma cebola.
Retirando as camadas, chegaram ao centro de si mesmas. Hoje são
pessoas felizes, em paz com o que vêem diante de si.
"Venho de uma família realmente maravilhosa", diz uma delas.
"Meus pais e meu irmão são ótimos, e ultimamente tenho a sensação
de ter voltado para casa, de ser eu mesma outra vez, sinto que me
conheço bem e estou mais contente do que nunca com o que sou."


Sou Grata por Minha Vida

"Tenho de me considerar uma pessoa afortunada", diz Joan. "Minha
casa não é nenhuma mansão, mas é linda. Eu mesma podo as
árvores, as glicínias e a cerca viva todo verão. Faço isso há vinte e
cinco anos. Tenho amigos, posso comer bem, tenho boas
recordações, livros e discos. Às vezes aconselho uma amiga mais
jovem a usar sua boa sorte, a ser criativa, a não desperdiçar o
tempo, que passa depressa demais."

Conclusão

Lembro-me muito bem da primeira vez que ouvi a palavra
"abandonada" usada num contexto que não tinha nada a ver com


gatinhas ou cachorrinhas abandonadas. Foi numa tarde, no início
do outono de 1958, quando cheguei da escola e encontrei minha
mãe e duas de suas amigas sentadas na sala, falando sobre "a
pobrezinha da Debbie Reynolds", que fora abandonada por Eddie
Fisher, natural de nossa Filadélfia, que a deixara e fugira com
Elizabeth Taylor. Todas concordavam que fora algo terrível. Como
Eddie pudera fazer tal coisa com aquela moça tão meiga e seus dois
filhos pequenos? Elas não tinham dúvida sobre quem era o errado
naquela história e chegaram à conclusão de que Eddie devia estar se
sentindo muito, muito culpado.
Voltemos a nossa época, em que a maioria de nós não quer julgar os
outros e em que muitos consideram todas as vidas como "obras em
andamento". Hoje em dia, quando uma mulher é abandonada, seu
círculo de parentes e amigos certamente se fecha a sua volta, mas,
como dissemos, poucas pessoas desejam envolver-se, tomando
partido.
O ponto principal, do qual espero que você não se esqueça, é que
tem de curar-se sozinha, embora com certeza seja ajudada nesse
processo. Com o passar do tempo, seus ferimentos cicatrizarão. A
vida continuará. Aceite o fato de que você foi realmente abandonada
e que não há nada que possa fazer para mudar o que aconteceu. É
difícil reconhecer que não podemos controlar algo que altera tão
drasticamente nossa vida, mas não faça disso uma obsessão.
Enquanto trabalhava neste livro, tive uma experiência que me fez
descrever um círculo completo. Compareci a uma palestra dada por
Debbie Reynolds, parte de um programa chamado "Vidas
Excepcionais". Ela foi fantástica ao falar dos altos e baixos de sua
vida. Falou brevemente sobre a partida de Eddie Fisher e sobre seu
segundo marido, que conseguiu perder todo o dinheiro que ela
ganhara durante anos. O terceiro marido, ela disse, era um
cavalheiro sulista, e por algum tempo pareceu que tudo iria bem.
Então, um dia, ele começou a repetir sem parar que sentia saudade


de Virgínia, e ela pensou que ele se referia ao Estado. Enganava-se.
Ele falava de uma mulher chamada Virgínia. Também foi embora.
Ela disse que três maridos bastavam, que estava fora desse jogo.
"Mas, quem sabe?", acrescentou. Era famosa por desempenhar o
papel de uma pessoa que não se deixa derrotar. Então, concluiu:
"Ou a gente desiste, ou vai em frente".
É isso aí! Depende de nós nunca desistir e ir em frente, construindo
uma vida produtiva.
Se tudo for bem (e irá), um dia você descobrirá que pode recordar
com prazer os bons momentos que teve com o homem que a
abandonou. E uma abençoada neblina cairá sobre os maus
momentos.
Tudo será mais fácil, claro, se um novo homem surgir em sua vida,
mas mesmo que isso não aconteça, lembre-se de que você foi testada
de uma maneira muito dura e que sobreviveu. Muitas mulheres que
conheci expressam um ponto de vista parecido com o meu: "Eu
estava mais preparada mentalmente para a possibilidade de
contrair uma doença fatal do que de ser abandonada. Nunca mais
serei tão estúpida. Aconteça o que acontecer, serei fiel a mim
mesma, nunca aceitarei menos do que mereço, nunca mais aceitarei
desempenhar um papel humilhante na vida de um homem a quem
amar".
Se seus ferimentos ainda não cicatrizaram, você pode achar isso
muito estranho, mas acredite que algumas mulheres com quem
conversei disseram que ser abandonadas foi a melhor coisa que lhes
poderia ter acontecido. Uma delas disse-me que chegara a pensar
em mandar uma carta de agradecimento ao ex-marido. Ela acha que
ter sido abandonada forçou-a a dar uma boa olhada na própria vida
e a descobrir o que realmente queria. Dedicou-se a sua carreira e ao
filho. Agora, cinco anos depois, casou-se novamente, dessa vez com
um homem que lhe oferece o tipo de companheirismo e apoio que
ela jamais sonhou receber. O filho, já adolescente, foi quem fez o


brinde, na festa do casamento, dizendo: "Agora, todo mundo está
mais feliz". Isso pode acontecer.
As mulheres que me contaram suas experiências emergiram, em sua
grande maioria, do sofrimento para uma vida compensadora.
Expandiram seus horizontes e aprenderam a gostar de si mesmas
verdadeiramente. Fiquei atônita ao ver quantas testaram sua força e
coragem, desde aquela que foi escalar montanhas no Nepal até
algumas que acharam que esquiar em Vermont era um desafio mais
adequado. É surpreendente notar o bem que voltar à estaca zero
pode fazer a uma mulher.
Como diz Debbie Reynolds, "ou a gente desiste, ou vai em frente". A
primeira opção não é boa para nenhuma de nós.
Agora, que você acabou de ler este livro, gostaria de compartilhar
comigo alguns de seus pensamentos ou experiências? Se for o caso,
por favor, escreva para:

Sally Warren

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Abandonada! -  Sally Warren
 
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  Digitalização:  M. Loureiro


Sinopse:

A MELHOR VINGANÇA É VIVER BEM... SEM ELE!

Ele a deixou. Ele a abandonou da maneira mais dolorosa, mais odiosa possível. Agora você só pode juntar os cacos. Mas como? Como se fosse uma conversa de coração aberto com sua melhor amiga, às três horas da madrugada, este essencial guia de sobrevivência oferece as sugestões práticas e de valor inestimável de que você precisa para lidar com sua dor e caminhar rumo a uma vida nova, rica, compensadora. Sally Warren sabe perfeitamente o que você está passando. Quando o marido, após dezenove anos de casamento, a deixou, ela enfrentou tudo com coragem, algo que você também pode fazer. Usando o método de cura que ela criou e as experiências de mais de cem mulheres de todas as idades, você:

 

* perceberá que está para ser abandonada apenas observando o comportamento de seu companheiro aprenderá a superar a dor, a solidão e a vergonha saberá como lidar com seus amigos, seus colegas

de trabalho e sua família

 

* será capaz de manter-se emocionalmente equilibrada, evitando ações e palavras destrutivas que podem significar não só a perda de bens materiais mas também de seu orgulho, além de aumentar o tempo da cura.

 

* confiará nos homens novamente... e mais um pouco.

 

"Um manual de guerrilha para qualquer mulher que, involuntariamente, juntou-se às fileiras das abandonadas." - Greensburg (PA) Tribune-Review


 


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"Tudo aquilo que não podemos incluir dentro da moldura estreita de nossa compreensão, nós rejeitamos."

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