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[MISTURANDO-IDEIAS] FW: A CRÔNICA DO DIA - CAMÕES FILHO: "Teoria e experiência"


 





 
Teoria e experiência

 

Camões Filho

 

            A formação escolar, o conhecimento técnico e teórico são essenciais para que tenhamos bons profissionais. Isso é evidente. Mas também é correto que a experiência conta muito, em todas as atividades humanas. Tive um professor de jornalismo que dizia o seguinte: é fundamental que o jornalista conheça a teoria, mas na hora que estiver numa redação esqueça tudo e siga algo que não se aprende na escola, feito samba, como naquela velha canção: o talento.

Por isso que o saudoso Paulo Francis dizia lá nos anos sessenta, início dos setenta do século XX, com toda sua verve: escrever é questão de ritmo. Quem tem, tem, quem não tem, bate palmas. Se bem que ele trocava a expressão "bate palmas" por um sonoro palavrão.

Existe uma outra história sobre experiência que os engenheiros odeiam, mas estou tentado a contar. Dizem que quando da construção de uma famosa estrada de nossa região, os engenheiros e técnicos rasgavam a serra para fazer o leito da rodovia. De repente, tudo desbarrancava. Faziam mais um trecho e lá ia o serviço feito terra abaixo.

Um caboclinho, desses típicos matreiros, chapéu de palha, cigarrinho no canto da boca, como quem não quer nada, ficou só observando e matutando. Lá pelas tantas, ele disse ao engenheiro-chefe: "Óia, dotô, esse negócio ansim num vai dá certo, não. Mais si o sinhô quisé, eu tenho a solução".

Cansado de tanto perder dias, semanas, e nada dar certo, o engenheiro aceitou em receber uma sugestão daquele capiau.

O caboclo saiu e voltou meia hora depois puxando um burro. Pediu para que o engenheiro ficasse de prontidão. De repente ele deu um forte tapa no lombo do burro, que despencou morro abaixo. Foi quando o caipira gritou: "Agora, dotô, corre atrás do burro e vai riscano a estrada, por donde ele passá".

Essa é a sabedoria do nosso caboclo, que é algo intuitivo, natural, que não se aprende na escola.

Tem outra história interessante. Conta-se que certa manhã um filho passeava num bosque com seu pai, quando pararam numa clareira. Depois de um pequeno silêncio, o pai perguntou: "Filho, além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?"

Ele apurou os ouvidos alguns segundos e em seguida respondeu: "Estou ouvindo um barulho de carroça".

- Isso mesmo - disse o pai -, é uma carroça vazia.

O filho, intrigado, pergunta: "Como o senhor pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?"

- Ora, respondeu o pai -. É muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que ela faz.

Nunca se esqueça dos exemplos do burro e da carroça. Assim, quando vir alguém falando demais, muito alto ou gritando, de forma inoportuna e prepotente, interrompendo a conversa de todos, tentando intimidar ou demonstrar que é o dono da razão e da verdade absoluta, imagine a voz daquele sábio pai dizendo: quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz...

 

 

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Camões Filho, jornalista, escritor e pedagogo, é membro titular da Academia Taubateana de Letras.

E-mail para contato com o autor:  camoesfilho@bol.com.br

 




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elzinha



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ELZINHA SILVEIRA 
www.elzinha-semalgemas.blogspot.com


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