Gauchíssimo
O índio entrou no bolicho como manda o figurino gauchesco:
de botas, esporas, bombachas, camisa listrada, lenço vermelho no pescoço, palheiro dependurado nos beijos e chapelão de barbicacho.
Escorou-se no balcão, lançou um olhar de baita macho para os tomadores de pinga, pediu um liso, puxou uma bala da guaiaca, tirou a ponta dela com o facão e derramou toda a pólvora no copo.
Fez-se um silêncio de se ouvir quero quero cantar a uma légua de distância, e aí ele aproveitou para emborcar a mistura num trago só., impressionando ainda mais a gauchada.
Até que um dos bodegueiros puxou o rolo de fumo e, preparando o cigarro, perguntou:
-Mas de onde tu é, vivente?
Num vozeirão que fez palheiro balançar na boca de muito nego macho, respondeu:
-Pois eu sou de Bagé!
-E porque saíste de lá? Quis saber o outro, contente por estar na frente de tão legítimo representante de nossas mais cultivadas tradições.
-Porque fui expluso!
-A la putcha! Algum entrevero?
- Não – e depois de pedir outro liso:
- Porque sou veado!
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