| A MORTE DO CISNE DO TEATRO - ROSE AROUCK - -Uma singela homenagem à Cacilda Becker que tanto nos emocionou com seu talento. - durante uma apresentação e morreu aos 48 anos). O cenário estava completo. De flores o camarim repleto e a primado expectante a pensar. Seus olhos de brilho falso estendiam-se ao cadafalso onde seu corpo logo logo ia deitar. As falas bem decoradas no seu cérebro bailavam; suas mãos destras, ligeiras, acenavam passageiras nervosas e ansiosas para o espetáculo começar. Abrem-se as cortinas de carmim e ela resplandecente e bela emociona mais uma vez sua platéia. Palmas e bis ecoam no ambiente; ela se curva até o chão bem lentamente. seu corpo desce... desce... e cai... -Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh Ouve-se em coro com o público já de pé. Acendem-se as luzes; burburinhos, cochichos, banzé. A atriz se despediu, último ato. Para sempre retirou-se em aparato terminando como sempre viveu; entre focos, em procênios, no apogeu. Estava morta A Marilia de Dirceu; seu corpo frio abraçado ao vazio deixou marcas inesquecíveis em todo espaço. Morre de derrame a Grande Dama do teatro. "A morte emendou a gramática / Morreram Cacilda Becker / Não eram uma só. Eram tantas..." Assim se manifestou o poeta Carlos Drummond de Andrade, por ocasião do falecimento dessa atriz, considerada uma das personalidades mais importantes da classe teatral brasileira e defensora da categoria na fase do regime militar de 1964. |
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