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[MISTURANDO-IDEIAS] Meu caríssimo ex-amor - Lizete Abrahão (Crônica-carta)




 


 

Meu caríssimo ex-amor

Lizete Abrahão

15.04.2003

 

Como uma módica quantia para o sustento de uma casa, tu me davas não mais do que uma parcela minguada dos teus sentimentos.

A cada ano que passava, tu foste exigindo de mim que eu me fizesse entregue, que sustentasse nossa relação com os parcos carinhos com que te dignavas agraciar-me. Eu sempre os aceitei ansiosamente, e tu nem percebias as consideráveis somas de amor com que eu contribuía, minuto a minuto, para a nossa união.

Mas, sem saberes, eu retirava uma pequena parcela do pouco que tu me davas (porque jamais irias suspeitar que eu fosse capaz de roubar o nosso próprio cofre).

Nada esbanjei do que de ti recebi e roubei. Eu até poderia sair da tua vida, fugir ou morrer, sem nada te contar, e jamais desconfiarias de coisa alguma.

Ah! Como teu espírito é cego! Tua cegueira não permitiu perceberes que tua quantia de amor em nossas vidas não bastava para sustentar nossa relação, que precisarias contribuir no mínimo com o dobro.

Mas eu me desdobrei por nós dois.

Eu não precisaria confessar isso agora. Nunca percebeste coisa alguma na tua avareza. Mas outra mulher talvez não se saia tão bem quanto eu, e poderias vir a cobrar dela o mesmo desempenho: se eu me arranjava por que ela não? Coitada...

Entanto confesso: dos míseros bocados que tirei do que tu me deste, fiz uma poupança, aumentei meu capital. Hoje, tenho mais amor ainda do que quando a ti me entreguei e que irei aplicar em outro investimento mais seguro e rentável.

Outra vez, desculpa-me, por haver te enganado, apesar de não ter te empobrecido mais do que sempre foste. Eu saí rica da tua vida.

 

Agradeço-te por isso.

 

 

(Inspirada em trecho da obra, Werther, de Wolfgang Goethe)

__._,_.___

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[MISTURANDO-IDEIAS] Seja o Cisne ......(Roberto Shinyashiki)




 


 
 
 

 
 
 
 

Seja o Cisne
 
(Roberto Shinyashiki)
 

Talvez o maior desafio da vida moderna  seja sermos nós mesmos em um mundo que insiste em modelar nosso jeito de ser.
 
Querem que deixemos de ser como somos e passemos a ser o que os outros esperam que sejamos.

Aliás, a própria palavra "pessoa" já é um convite para que você deixe de ser você.

"Pessoa" vem de "Persona", que significa "máscara".
 
É isso mesmo: Coloque a máscara e vá para o trabalho. Ou vá para a vida com a sua máscara.

Talvez o sentido do elogio: "Fulano é uma boa pessoa", signifique na verdade:
"Ele sabe usar muito bem a sua máscara social".
 
Mas qual o preço de ser bem adaptado? O número de depressivos, alcoólatras e suicidas aumenta assustadoramente.
Doenças de fundo psicológico como síndrome do pânico e síndrome do lazer não param de surgir.
 
Dizer-se estressado virou lugar-comum nas conversas entre amigos e familiares.
 
Esse é o preço.
Mas pior que isso é a terrível sensação de inadequação que parece perseguir a maioria das pessoas.

Aquele sentimento cristalino de que não estamos vivendo de acordo com a nossa vocação.
 
E qual o grande modelo da sociedade moderna?
Querer ser o que a maioria finge que é.
Querer viver fazendo o que a maioria faz.
É essa a cruel angústia do nosso tempo: o medo de ser ultrapassado em uma corrida que define quem é melhor, baseada em parâmetros que, no final da pista, não levam as pessoas a serem felizes.
 
Quanta gente nós não conhecemos, que vive correndo atrás de metas sem conseguir olhar para dentro da sua alma e se perguntar onde exatamente deseja chegar ao final da corrida?
 
Basta voltar os olhos para o passado para ver as represálias sofridas por quem ousou sair dos trilhos, e, mais que isso, despertou nas pessoas o desejo de serem elas mesmas.
 
Veja o que aconteceu a John Lennon,
Abraham Lincoln, Martin Luther King, Isaac Rabin?
É muito perigoso não ser adaptado!
Essa mesma sociedade que nos engessa com suas regras de conduta, luta intensamente para fazer da educação um processo de produção em massa.
A maioria das nossas escolas trabalha para formar estudantes capazes de passar no vestibular.
 
São poucos os educadores que se perguntamse estão formando pessoas para assumirem a sua vocação e a sua forma de ser.
 
Quantos casos de genialidade que foram excluídos das escolas porque estavam além do que o sistema
de educação poderia suportar.
 
Conta-se que um professor de Albert Einstein
chamou seu pai para dizer que o filho nunca daria para nada, porque não conseguia se adaptar.
Os Beatles foram recusados pela gravadora Deca!
 
O livro "Fernão Capelo Gaivota" foi recusado por 13 editoras!
 
O projeto da Disney Word foi recusado por 67 bancos!
 
Os gerentes diziam que a idéia de cobrar um único ingresso na entrada do parque não daria lucros.
 
A lista de pessoas que precisaram passar por cima da rejeição porque não se adaptavam ao esquema pré-existente é infinita.
 
A sociedade nos catequiza para que sejamos mais uma peça na engrenagem e quem não se moldar para ocupar o espaço que lhe cabe será impiedosamente criticado.
 
Os próprios departamentos de treinamento da maioria das empresas fazem isso.
Não percebem que treinamento é coisa para cachorros,
macacos, elefantes.
Seres humanos não deveriam ser treinados,e sim estimulados a dar o melhor de si em tudo o que fazem.
Resultado:a maioria das pessoas se sente o patinho feio e
imagina que todo o mundo se sente o cisne.
 
Triste ilusão: quase todo mundo se sente um patinho feio também.
Ainda há tempo!
Nunca é tarde para se descobrir único.
Nunca é tarde para descobrir que não existe nem
nunca existirá ninguém igual a você.
E ao invés de se tornar mais um patinho, escolha assumir sua condição inalienável de cisne!
 
            
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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